quinta-feira, 21 de maio de 2026

Sociedade Brasileira de Cardiologia: novas diretrizes de cardiologia serão definidas no Brasil

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou, em seu congresso anual realizado neste mês em São Paulo, um conjunto de novas diretrizes para enfrentar as principais doenças cardiovasculares.

A medida acompanha uma tendência mundial, já que, com a redução expressiva das mortes por doenças infecciosas nas últimas décadas, as enfermidades cardíacas se tornaram a principal causa de mortalidade no Brasil.

O Dia Mundial do Coração, celebrado nesta segunda-feira (29), foi criado pela World Heart Federation em resposta ao aumento global de óbitos relacionados ao coração. No país, a campanha “Cada Coração Importa”, promovida pela SBC, aderiu à mobilização internacional com ações educativas e de conscientização ao longo de setembro.

De acordo com o presidente da SBC, Paulo Caramori, muitos brasileiros perdem a vida precocemente por problemas cardiovasculares que poderiam ser postergados para idades avançadas, após os 90 anos.

A entidade, segundo ele, atua em três eixos principais: atualização da educação médica, participação na formulação de políticas públicas e orientação direta à população. “No Brasil, as pessoas morrem de doenças cardiovasculares precocemente. Elas poderiam enfrentar esses problemas mais tarde, depois dos 90 anos”, afirma Caramori.

Como medidas iniciais de prevenção, Caramori recomenda abandonar o tabagismo, adotar uma alimentação equilibrada, evitar produtos ultraprocessados, praticar exercícios físicos regularmente, manter boas noites de sono e cuidar da saúde mental.

Um segundo passo fundamental é o monitoramento de indicadores de risco, como colesterol, pressão arterial e glicemia, prevenindo o desenvolvimento de diabetes e outras complicações. As novas diretrizes têm como foco justamente evitar a evolução desses índices para patamares preocupantes.

Veja os principais pontos atualizados:
Colesterol: checar riscos e ajustar medicamentos
A SBC definiu novas metas dos níveis máximos de colesterol ruim, o LDL, para não correr mais riscos de ter uma doença cardiovascular. Elas dependem da categoria de risco em que cada paciente está. Um médico te dirá em qual categoria você se encaixa.

Baixo risco: menor que 115 mg/dL
Risco intermediário: menor que 100 mg/dL
Alto risco: menor que 70 mg/dL
Muito alto risco: menor que 50 mg/dL
Risco extremo: menor que 40 mg/dL

O que muda: Segundo a SBC, deve-se dosar o colesterol por exame de sangue e consultar um médico para reconhecer se está em risco. Se estiver, tomar os medicamentos necessários para controle, as estatinas.

Pressão: 12 por 8 como alerta para procurar médico
Na nova diretriz, para não ser enquadrada como pré-hipertensão, a pressão arterial sistólica deve estar abaixo de 120 mmHg, e a diastólica deve ser inferior a 80 mmHg. O famoso “12 por 8” passa a ser considerado um alerta.

O que muda: “Se a sua pressão arterial estiver acima de 12 por 8, isso passa a ser um fator de risco e a gente tem que se preparar para enfrentar isso. Vale a pena consultar seu médico”, diz Caramori.

Ramon Andrade de Melo, médico clínico geral do Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Alemão Oswaldo Cruz, diz que o diagnóstico está associado à medida alterada duas vezes em diferentes momentos no consultório. “No entanto, a diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia considera que a realização de exames, como o Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (Mapa), também é importante”, completa.

Obesidade: prevenir, incluindo o uso de medicamentos
A nova diretriz para a obesidade propõe que todos os adultos com sobrepeso ou obesidade tenham seu risco cardiovascular avaliado de maneira padronizada, medindo não só o índice de massa corporal (IMC) como o risco pelo escore Prevent, que mede também outros indicadores.

O documento, assim como o de diretrizes para a saúde cardiometabólica da mulher, também recomenda a incorporação de medicamentos para o tratamento da obesidade e da diabetes, como a semaglutida e a tirzepatida. Reduzir 5% do peso já é suficiente para melhorar o controle dos fatores cardiovasculares.

O que muda: “O paciente deve focar os esforços não farmacológicas para reduzir o peso, mas, no insucesso deles, precisa considerar as medicações. Elas demonstraram capacidade em reduzir problemas cardiovasculares de uma maneira muito sólida”, diz o presidente da SBC.

Dor torácica: procurar a unidade de emergência rapidamente
A diretriz recomenda que, em caso de dor torácica, principal sintoma do infarto, deve-se procurar o hospital imediatamente. Os médicos devem realizar e interpretar o eletrocardiograma (ECG) em até 10 minutos do primeiro contato com o paciente.

“A dor torácica pode ser uma dor que vem desde o queixo até a boca do estômago, às vezes para o meio das costas. Muitas vezes está associada com mal-estar, sudorese, a pessoa sente que está mal. Quem desenvolver esse tipo de sintomas tem que procurar uma emergência médica imediatamente”, diz Caramori.

O que muda: Segundo Ramon Andrade, a necessidade de atendimento imediato já é conhecida, mas a definição do tempo de análise do exame em 10 minutos vai deixar os processos mais eficientes: “Isso vai ter um impacto muito positivo para saber se aquele paciente vai precisar ou não de uma intervenção mais detalhada ou se é um paciente que tem um risco menor de ter um infarto”.

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