sábado, 5 de setembro de 2026

Apex pede prisão preventiva do ex-presidente Fernando Cinelli

 

A Apex Partners comunicou ao Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) indícios de possíveis crimes atribuídos a seu ex-presidente, Fernando Cinelli, e pediu a adoção de medidas cautelares, entre elas a prisão preventiva. Segundo a entidade, podem ter ocorrido crimes como apropriação indébita, uso irregular de bens e valores das empresas e lavagem de dinheiro.

 

Documento ao qual a reportagem teve acesso aponta que mais de R$ 33 milhões teriam sido transferidos de empresas do grupo para contas pessoais de Cinelli.

 

Segundo o documento, foram analisados 348 lançamentos relacionados ao ex-presidente, realizados entre 18 de janeiro de 2022 e 3 de agosto de 2026. Consideradas exclusivamente as saídas de recursos das empresas em favor de Cinelli, o montante bruto chegou a R$ 33.242.273,84.

 

No mesmo período, também foram identificados R$ 5.864.529,47 transferidos por Cinelli para empresas do grupo. Descontados esses valores das saídas, o levantamento aponta saldo líquido de R$ 27.377.744,37 em transferências para o ex-presidente.

 

Os lançamentos foram registrados sob diferentes classificações contábeis. A apuração interna destacou operações para as quais, segundo o documento, não foram localizados contratos, atas, aprovações ou outros documentos capazes de demonstrar a origem da obrigação que justificaria a saída dos recursos.

 

Entre elas estão 43 lançamentos classificados como “transferência de recurso sem contrato”, cujo saldo chegou a R$ 17.235.000, consideradas também as devoluções realizadas pelo próprio ex-presidente.

 

O grupo aponta ainda 17 transferências realizadas após intervalos superiores a 30 dias em relação à transferência anterior. Na interpretação apresentada pela Apex, isso formaria 18 blocos temporais distintos e, em tese, 18 crimes continuados de apropriação indébita, com causa de aumento de pena. Segundo a entidade, esse enquadramento poderia resultar em pena mínima de 26 anos de reclusão.

 

Os indícios teriam sido descobertos pelo grupo em 5 de agosto. No dia seguinte, Cinelli foi destituído dos cargos de diretor-presidente da Apex Partners e de presidente do Conselho de Administração.

 

Em 13 de agosto, o grupo apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público, comunicando os possíveis crimes e solicitando a apuração. A entidade afirma que as transferências foram identificadas durante apuração interna.

 

Diante dos fatos relatados, a Apex pede ao Ministério Público a instauração de Procedimento Investigatório Criminal para apurar a possível ocorrência dos crimes. Caso o MP não entenda pela abertura do procedimento, a empresa solicita que seja requisitada a instauração de inquérito policial.

 

A entidade pediu ainda medidas como busca e apreensão, sequestro e bloqueio de bens e que o Ministério Público avalie, com urgência, formular pedido à Justiça para a decretação da prisão preventiva do ex-presidente.

 

Caso o Ministério Público entenda que os elementos não são suficientes para pedir a prisão preventiva, a Apex solicita outras medidas cautelares, como proibição de deixar o País, entrega de passaportes, restrições de acesso às empresas, aos sistemas e às contas do grupo e proibição de contato com pessoas que possam prestar esclarecimentos sobre os fatos.

 

A defesa de Fernando Cinelli classificou como “descabido” o pedido de prisão feito pela Apex Partners e afirmou que a medida seria mais uma tentativa de induzir a Justiça e a sociedade capixabas a erro, a exemplo do que, segundo a defesa, teria ocorrido em relação ao processo de falência.

 

Para os advogados, a empresa e seus executivos estariam utilizando “factoides” para tentar se eximir de responsabilidades como gestores, administradores e conselheiros.

 

A defesa também considerou grave a divulgação de um pedido de prisão antes que Cinelli ou as autoridades pudessem se manifestar sobre o caso.

 

O ex-presidente rejeita as suspeitas de apropriação de recursos e lavagem de dinheiro e afirma ter total interesse no esclarecimento dos fatos.

 

Fernando Cinelli se manifestou na Justiça acerca do pedido de ampliação do bloqueio patrimonial de R$ 5,9 milhões para R$ 23,25 milhões feito pela Apex Partnes.

 

Os advogados argumentam que a Apex não poderia solicitar nova restrição patrimonial antes de concluir a auditoria das contas anunciadas e apontam que a Laspro Consultores, perito nomeada pelo juiz para avaliar a situação da empresa, registrou ter recebido documentação incompleta.

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