Acidentes envolvendo motocicletas já provocaram a morte de 282 pessoas no Espírito Santo neste ano, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-ES). O número representa uma média de 35 mortes por mês.
Entre as vítimas estão o motociclista de aplicativo Wanderson Guerra Rodrigues, de 24 anos, e a passageira Jocimara Ferreira Souza, de 29, mortos em um acidente ocorrido no último sábado (8), na Avenida Fernando Ferrari, em Vitória.
O acidente aconteceu por volta das 5h40. Segundo informações da ocorrência, o motociclista perdeu o controle da moto e bateu contra uma árvore. Wanderson morreu no local.
Jocimara foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento.
Wanderson era casado e pai de uma criança de um ano. A família de Jocimara é da Bahia. A reportagem tentou contato com parentes das vítimas, mas não obteve retorno.
As circunstâncias do acidente serão investigadas pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito, da Polícia Civil.
Especialistas alertam para riscos
O aumento da circulação de motocicletas também preocupa especialistas em segurança viária. Para o capitão Anthony Costa, consultor em Segurança Viária, quem utiliza serviços de transporte por moto deve observar as condições do veículo e a avaliação do profissional.
“Quem precisa utilizar o serviço pela praticidade e rapidez que ele oferece, vale analisar o estado geral da moto e a avaliação do profissional”, orientou.
O gerente de Fiscalização de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), Jederson Lobato, destaca que o comportamento do passageiro também pode interferir na segurança.
“Num carro, a responsabilidade é toda do condutor. Mas numa moto, se o passageiro joga o corpo para o lado errado, desequilibra o condutor. Os envolvidos devem ter atenção redobrada”, afirmou.
O tenente Lucas Lourenço, chefe de Comunicação do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPTran), ressalta que a expansão dos serviços que utilizam motocicletas aumenta a exposição ao risco.
“Atualmente, diversos serviços utilizam a motocicleta como meio de transporte e entrega. Quanto maior a circulação desse tipo de veículo, maior a possibilidade da ocorrência de sinistros”, disse.
Trânsito já soma 588 mortes no ano
Considerando todos os tipos de veículos, o Espírito Santo registrou 588 mortes no trânsito entre janeiro e julho deste ano, conforme os dados da Sesp-ES. O número equivale a aproximadamente 80 óbitos por mês.
Entre as ocorrências envolvendo motocicletas, as colisões são responsáveis pela maior parte dos registros, com 59%. Os tombamentos aparecem em segundo lugar, com 20,99%, seguidos pelos choques, com 17,67%.
Capotamentos representam 1,09% dos casos, enquanto atropelamentos de pedestres correspondem a 0,22%. Colisões frontal e lateral e ocorrências com motivo desconhecido representam, individualmente, 0,08%.
Homens e jovens são maioria entre as vítimas
Os homens representam 91,23% das vítimas de acidentes com motocicletas no Estado. As mulheres correspondem a 8,68%, enquanto em 0,08% dos casos o sexo da vítima não foi identificado.
A faixa etária de 15 a 24 anos concentra 25,95% das mortes. Em seguida aparecem as vítimas de 25 a 34 anos (23,01%), 35 a 44 anos (19,17%), 45 a 54 anos (13,83%), 55 a 64 anos (9,50%) e pessoas com 65 anos ou mais (3,95%).
Fins de semana concentram mais ocorrências
Domingo é o dia com maior proporção de acidentes envolvendo motocicletas, com 21,48% dos registros, seguido pelo sábado, com 20,94%.
A sexta-feira responde por 13,72% das ocorrências; segunda-feira, por 12,52%; quinta-feira, 11,41%; quarta-feira, 10,59%; e terça-feira, 9,34%.
O período noturno concentra a maior parcela dos acidentes, com 34,22% dos registros. A tarde aparece com 27,88%, seguida pela manhã, com 21,62%, e pela madrugada, com 16,17%.
Entre os municípios, a Serra lidera em número de sinistros, com 256 registros, seguida por Cachoeiro de Itapemirim, com 208.