domingo, 1 de novembro de 2026

Morre Geovani Silva, o “Pequeno Príncipe”, ídolo do Vasco e da Desportiva, aos 62 anos

Um talento raro do futebol brasileiro se despediu nesta segunda-feira (18). O ex-meia Geovani Silva, o Geovani ou “Pequeno Príncipe”, ídolo do Vasco e da Desportiva Ferroviária e símbolo do futebol capixaba, morreu aos 62 anos após uma parada cardíaca nesta madrugada.

Ele chegou a ser levado para um hospital em Vila Velha, mas já chegou sem vida. Geovani deixa três filhos. A família de Geovani usou as redes sociais do próprio ex-jogador para informar da morte do ídolo vascaíno.

Na publicação, eles informam que o ex-meia “passou mal de forma repentina”, mas “apesar do esforço e das tentativas de reanimação, ele não resistiu”. Segunda os familiares, deve haver um culto de despedida seguido do sepultamento nesta terça-feira, em Vila Velha.

“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento do nosso guerreiro Geovani Silva. Na madrugada de hoje, ele passou mal de forma repentina e foi socorrido imediatamente ao hospital maiș próximo. Apesar de todos os esforços da equipe médica e das tentativas de reanimação, infelizmente ele não resistiu. Estamos todos muito abalados e tristes com essa partida tão inesperada”, escreveu a família de Geovani Silva.

O ex-jogador vinha enfrentando uma série de questões de saúde nos últimos anos. No fim de 2025, Geovani ficou internado por 40 dias após sofrer duas paradas cardíacas, em Vitória.

Além dos problemas de coração, que o levaram a ser internado também em 2022, já havia passado por um câncer na coluna vertebral e por uma polineuropatia em 2006. Nos últimos anos, Geovani vinha aparecendo em homenagens e outras atividades do futebol, mas com limitações motoras.

Em fevereiro, foi homenageado pelo Vasco antes do confronto entre o cruz-maltino e o Volta Redonda, pelo Campeonato Carioca, que foi disputado em Cariacica.

“Fico feliz, né? Porque quando você é homenageado vivo é bem melhor. Tive problemas de saúde, pensei que não ia passar desse ano, mas passei e se eu estou vivo é pra comemorar”, disse ele, na ocasião, ao receber placa do amigo e atual presidente do Vasco, Pedrinho.

Classe, camisa 8 e seleção brasileira
Dono de um estilo de drible e condução de bola com muita classe, muitas vezes descrito como se “deslizasse” em campo, e de ótima visão de jogo, Geovani chamou atenção da elite do futebol brasileiro desde muito cedo. Começou nas categorias de base da Desportiva Ferroviária, pela qual foi campeão estadual em 1980, ano em que completaria 17 anos.

Em 1982, já estava no Vasco, pelo qual se eternizaria no futebol brasileiro. No clube, ganhou o apelido de “Pequeno Príncipe”, em referência ao livro homônimo de Antoine de Saint-Exupéry, lançado em 1943. Foram três passagens por São Januário (1982 a 1989, 1991 a 1993 e 2005). A primeira foi a mais marcante.

Atuou com Roberto Dinamite e Romário e fez partes dos inesquecíveis times da década de 1980. Nela, conquistou os Campeonatos de 1982, 1987 e 1982. Na segunda passagem, integrou os times campeões estaduais de 1992 e 1993. Com 408 jogos e 49 gols pelo clube, eternizou a camisa 8 antes de outro ídolo, Juninho Pernambucano, vesti-la.

O Pequeno Príncipe ainda faria carreira de destaque nas categorias de base e na seleção brasileira principal. Disputou os Mundiais sub-20 de 1981 e 1983. No segundo, foi campeão, artilheiro (6 gols) e autor do gol da vitória na final contra a Argentina (1 a 0), em time que tinha também nomes como Bebeto, Mauricinho, Jorginho e Dunga.

Cinco anos depois, já com 25 anos, foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul em time com Taffarel, Romário, Bebeto e Careca. Ainda integrou o elenco campeão da Copa América de 1989, no Brasil.

Retorno ao futebol capixaba
Entre as curtas passagens pelo futebol estrangeiro (México, Alemanha e Itália), destaca-se a experiência de Geovani no Bologna, da Itália. Por lá, fez 27 jogos e marcou dois gols, mas se tornou um jogador querido pela torcida, a ponto de ser convidado a eventos do clube.

Já nos últimos anos de carreira, rodou por clubes de menor expressão, muitos deles do Espírito Santo. Um dos maiores talentos já revelados no estado, atuou pelos capixabas Rio Branco (duas vezes), Desportiva (em mais duas passagem), Serra, Tupy e Vilavelhense. Encerrou a carreira em 2002, aos 38 anos.

Fora dos campos, foi deputado estadual pelo Espírito Santo entre 2002 e 2006 e chegou a ser assessor parlamentar do governo no ano seguinte. Desde então, vinha participando de projetos e eventos relacionados ao esporte no Estado.

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