terça-feira, 6 de outubro de 2026

Linhas férreas do ‘século XX’ serão reinventadas até o ano de 2028, sob as lentes dos moradores de Minas Gerais e Espírito Santo Através da fotografia e do audiovisual, o Projeto Estação ressignifica mais de 905 km da ‘Estrada de Ferro Vitória a Minas’ pela memória férrea de trinta comunidades capixabas e mineiras.

Datada do século XX, a ‘Estrada de Ferro Vitória a Minas’ (EFVM) escreve um novo capítulo em seu traçado ferroviário. Até o ano de 2028, os moradores do Espírito Santo e Minas Gerais atravessarão um percurso de 905 km, a fim de ressignificar memórias e histórias do imaginário popular da região – pelas lentes do ‘Projeto Estação’.

Utilizando a ‘fotografia’ e o ‘audiovisual’ como guardiões da memória ferroviária, a iniciativa propõe a preservação das histórias e da cultura local, que cercam às 30 estações da EFVM. Uma realização da HORUS Planejamento e Gestão, o Projeto Estação possui o apoio da Vale e da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT.

Em menos de um ano, o programa se destacou por impulsionar oitenta jovens mineiros à redescobrirem histórias, paisagens, marcos arquitetônicos, além de conhecer e visibilizar personagens comuns de suas cidades, que atuaram nas linhas férreas à sudeste do país.

As localidades de Belo Horizonte, Barão de Cocais, Rio Piracicaba, João Monlevade, Itabira, Nova Era e Antônio Dias estão entre os sete principais municípios, totalizando um percurso de 172 km somente no primeiro ano da ação. Em paralelo, a organização visitou outros 44 lugares-espaços pela extensão de terra mineira.

Desde a montagem dos trilhos, em 1904, que o traçado Vitória-Minas tem sido um câmpus de estudo e ‘intersecção’ no resgate à memória férrea, protagonizado, desta vez, sob a ótica inovadora do Projeto Estação. Para valorizar e retratar a identidade local, o projeto expõe 240 fotografias captadas por jovens entre 16 e 25 anos, através de câmeras de smartphones.

Essas obras resultaram em sete instalações artísticas, reconfigurando a paisagem urbana de escolas, palcos, praças e estações da ‘Estrada de Ferro Vitória a Minas’, como o Interior da Estação Ferroviária, no centro de BH; o Muro Escola Estadual Cel. Fabriciano; a Escola Municipal Estação Crescer; a arquibancada da Praça Vereador José Máximo e o Fundo do Palco da Praça do Povo; além dos muros na Prof. Antônio F. Pinto e na Praça ao lado do Posto São Geraldo, em Barão de Cocais (MG).

O objetivo pelos próximos três anos do ‘Projeto Estação’, segundo o coordenador geral, produtor cultural e idealizador, Preto Filho, é expandir e democratizar à fotografia pelo eixo sudeste brasileiro, visibilizando memórias e patrimônios culturais de comunidades férreas inteiras.

“Esta é uma iniciativa rara no cenário cultural brasileiro. Promover uma rede de afetos e saberes entre comunidades ligadas pela ferrovia é um desafio que faz do ‘Projeto Estação’ um mover único. A extensão férrea se tornou um ponto de conexão e de partida entre arte, território, memória e patrimônio imaterial. Além de dar voz às comunidades no entorno ferroviário, o projeto é uma das maneiras de incentivar o jovem em suas sensibilidades, seu olhar para o mundo e também no mundo das artes, de maneira totalmente gratuita”, explica Preto.

Entender a ferrovia para além da estrutura, observando a poética e a sensibilidade nas histórias comunitárias ao derredor do trem, é parte do processo observado pelo Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio. “A preservação da memória ferroviária é parte fundamental do compromisso da ANTT com um transporte mais humano, integrado e conectado às realidades locais. O Projeto Estação mostra que a ferrovia não é apenas infraestrutura — ela é território vivo, onde histórias, afetos e identidades se encontram. Ver comunidades transformarem sua própria memória em arte reforça nosso papel de garantir que o desenvolvimento do setor caminhe junto com a valorização cultural e social dos territórios que atravessamos”, diz.

Traçado ferroviário, histórias reais e conexões com o Projeto Estação (2026)

É verdade que o imaginário popular reconfigurou o ícone do trem como chamariz de produções, a exemplo de Harry Potter, com a Estação 9³/4, e até outras produções da cultura pop, como as Crônicas de Nárnia. No entanto, durante o Projeto Estação, os personagens fictícios dão lugar às histórias de vidas reais.

O trem, que sai de Belo Horizonte (MG) e se estende até Porto de Tubarão, litoral de Vitória (ES), libera cerca de três mil tickets diários e já transportou mais de oito milhões de passageiros somente na última década. Entre tantos personagens desta viagem, o Projeto Estação capturou fotografias icônicas do ex-maquinista Agostinho dos Santos; da ferroviária Valdete Gomes da Silva, figura conhecida na estação de BH; até a pose orgulhosa que o ex-ferroviário Leonardo Roque carrega no peito.

“Eu tenho muitas lembranças boas. Eu trabalhei quase 30 anos na ferrovia. Estávamos passando de 1967 e entramos nesse período, e eu trabalhei com muita gente. Eu praticamente ‘morei’ dentro dos trens. Tudo que eu quis aprender dentro da ferrovia, eu aprendi, tinha o prazer de fazer. De vez em quando, eu olho daqui lá longe o trem passando, e falo: saudades. Saudade dos colegas, das paisagens que eu fui, dos lugares que eu trabalhei”, revela Seu Agostinho, ex-ferroviário da EFVM.

A proposta do Projeto Estação, até 2028, é dar ainda mais visibilidade às histórias, sorrisos, afeições e sonhos de milhares de mineiros e capixabas. A iniciativa propõe eternizar, através das lentes de jovens moradores locais e do audiovisual, uma aproximação com o território natal e às memórias de pessoas que cruzam a ferrovia – e fazem dela seu caminho diário todos os dias. “Cada cidade que o trem atravessa tem morador, têm funcionário. A cidade cresce ao lado dela (da ferrovia)”, conta o itabirano e ex-ferroviário Antônio Magalhães.

Diversidade nas linhas férreas e planos para o triênio (2026/27/28)

Um dos destaques do projeto, para além do resgate das memórias férreas, é o foco na diversidade. Dados do Projeto Estação revelam que, das 384 inscrições em 2025, o grupo de mulheres representavam 69% dos interessados, enquanto os que se autodeclararam negros compunham 67% da amostragem.

“Colocamos em prática todo o conhecimento passado pelos professores nas aulas teóricas, cada detalhe de composição, cada olhar sobre as paisagens da cidade, tornando a experiência inesquecível”, comenta o aluno Pedro Henrique, participante do Projeto Estação de Piracicaba.

Totalizando 80 selecionados, com mais de 192h de atividades formativas, incluindo 250m² de arte produzida e exposta à céu aberto, o Estação chega como sucesso de público após o término das atividades neste ano. Finalizada às oito produções audiovisuais, a exposição em Belo Horizonte e o lançamento da galeria virtual ‘www.estacao.art.br’; a expectativa é que o projeto itinerante passe por ainda mais 23 comunidades, dentro do eixo Vitória-Minas.

Durante a exposição em BH, realizada no Espaço Cultural da Escola de Design da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), 72 obras fotográficas e 8 peças audiovisuais do Estação integraram o Circuito da Liberdade – maior complexo cultural, criativo, turístico e formativo da América Latina.

A mostra obteve o reconhecimento da cena nacional, com a presença do fotógrafo Bruno Jungmann; da diretora audiovisual, Massuellen Cristina; e do Doutor em Antropologia, Millen Carvalho; que destacaram à importância das artes para a preservação da memória e a (re)construção de espaços. Para encerrar o ano de 2025, a galeria virtual democratizou o acesso às produções artísticas, oportunizando ainda mais os espaços da arte à mineiros, capixabas e brasileiros espalhados por todo o país.

O Projeto Estação tem concepção, coordenação geral e direção artística de Preto Filho, coordenação de produção de Paula Liberia e produção executiva de Marina Barros e Izabela Oliveira; apresentando Fernanda Junqueira no relacionamento institucional; Zeca Santos, relacionamento com comunidades; Diogo Nunes, pesquisa; Edmar Bernardes, gestão financeira; Rodrigo Dias, professor titular; Laís Reverte, professora assistente; Ana Paula Florenzano, assessoria pedagógica; Estúdio Estilingue, captação e edição de imagens; Glauco Guigon, cineasta; Ricardo Pavão, design e comunicação; Erik Philipp, conteúdo e comunicação; Eduardo Lopes, assessoria de imprensa; e Bruna Feijó nas mídias sociais.

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