domingo, 19 de abril de 2026

No dia mundial do Transtorno do Espectro Autista (TEA), muitos são os desafios no Espírito Santo

 

 

A falta de conhecimento dos indivíduos a essa condição e de assistência devida nas escolas do Espírito Santo gera dificuldades para pais e alunos A escola tem um papel fundamental na formação do ser humano. É nesse ambiente que o aluno vai realizar as primeiras amizades e ter noção de sociedade. Entretanto, é nessa época que os primeiros preconceitos e dificuldades são enfrentados pelas famílias de crianças autistas. 

A comemoração é voltada para a conscientização da sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, com ele, vem junto a reflexão: quais os principais desafios na inclusão na sociedade?

O TEA se caracteriza, entre outros aspectos, por dificuldade de interação social e presença de comportamentos repetitivos. Quando se discute sobre o futuro de uma pessoa autista, sempre vem em mente a falta da inclusão plena dos estudantes. É notório que a falta de conhecimento dos indivíduos sobre essa condição e de assistência devida nas escolas do Espírito Santo gera desafios para pais e alunos.

A terapeuta ocupacional Lívia Hosken, de 41 anos, é mãe do Heitor, de 5 anos, que é autista. Ela explica que a inclusão na sala de aula ainda caminha a passos lentos, sendo necessária uma maior estrutura nas unidades de ensino e profissionais especializados para atender as crianças.

“Na sala de aula do Heitor, na educação infantil, há uma cuidadora – assistente de educação infantil – que auxilia na alimentação, higiene das crianças e atividades. Esses assistentes não recebem capacitação para de fato mediar a inclusão do autista”, explica.

A terapeuta conta que seu filho foi agraciado com uma professora regente muito sensível às diferenças individuais de cada aluno. “A professora da educação especial também não mede esforços para atender às necessidades das crianças que têm necessidades similares às do Heitor. Ela divide seus horários para dar uma atenção individual a cada criança especial”, descreve.

Ela ainda explica que algumas famílias, como o caso dela, do marido Murilo Hosken, e do outro filho, Murilo Neto, de 7 anos, conseguem um cuidador individual para ficar o tempo todo com o filho “Mas não é um profissional especializado e isso é falho!”, ressalta a terapeuta.

Além disso, Lívia explica que são necessários maiores investimentos, com profissionais capacitados na educação infantil.

“É necessário investimento e muito estímulo nessa fase de desenvolvimento – que é a melhor janela – para que tenhamos no futuro adultos independentes, produtivos, felizes e com participação plena na sociedade, de forma respeitosa em relação as suas diferenças individuais”, destaca.

A psicopedagoga Bárbara Campos explica que mesmo com a Lei 7.611/2011, que dispõe sobre a educação especial e o atendimento educacional especializado, ainda há grandes dificuldades enfrentadas nas escolas.

“Além disso, existe uma lei que fala, quando comprovada a necessidade, eles devem possuir acompanhante especializado, mas na verdade, ainda há uma falta de preparo e empatia. Alguns pais até mesmo pedem para as crianças saírem mais cedo porque não tem profissional”, descreve.

A psicopedagoga também explica que, muitas vezes, antes de iniciar a inclusão dos alunos na sala de aula, os pais comunicam algumas “ações” que podem ser presentes. “Explicamos que o novo aluno vai emitir alguns sons, vai falar mais, pode ter algumas ações feitas por impulso”, explica a profissional.

“Eles devem ser vistos como sujeitos de direitos”

Segundo a ativista, mãe de autista e presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do ES (Amaes), Pollyana Paraguassú, os autistas contam com leis que garantem todos os direitos, entretanto, ainda é necessário que eles sejam efetivados na prática na sociedade.

“Estamos sempre com o pires na mão, mendigando pelos direitos dos nossos filhos, que estão garantidos pela lei. Não precisamos de mais nenhum artigo, mas que eles sejam efetivados, respeitados e vistos como sujeitos de direitos”, explica.

Pollyana também destaca, que um dos maiores desafios da sociedade está em conseguir enxergar o outro como alguém diferente, mas que também faz parte do meio em que vive.

“Temos que lembrar do autismo não apenas nos meses de março e abril, os quais são próximos do Dia Mundial da Conscientização, mas todos os dias. Isso, porque depois disso, a nossa luta fica escondida, estamos lutando pela inclusão dos nossos filhos”.

Além disso, a discriminação, segundo a ativista, é intensa também em outros espaços públicos e ocorre mesmo quando o indivíduo está identificado como autista ou quando a condição é explicada.

“Quando a gente fala de colar de girassol ou carteirinha de identificação, estamos mostrando e identificando para os outros com o intuito de já evitar olhares discriminatórios. Com a carteirinha podemos identificá-los melhor, entretanto, isso não impede com que eles sofram a exclusão social”, descreve a mãe.

Prefeituras afirmam que realizam a inclusão

Procuradas pelo Folha Vitória, as prefeituras da Grande Vitória informaram que os atendimentos aos alunos acontecem de maneira inclusiva. Realizados de forma a ter um atendimento educacional especializado a todas as crianças e estudantes com autismo.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Same) de Vitória, o atendimento ao estudante autista vai desde a prioridade na matrícula, passando pelo direito à alimentação adequada às singularidades de cada aluno.

Na escola, o estudante tem um plano de trabalho pedagógico construído pelo professor especializado, pensado individualmente para o estudante autista. No plano, o professor descreve metodologias pedagógicas adotadas para acessibilidade curricular e os objetivos traçados.

O professor especializado trabalha de forma colaborativa com o professor regente de turma e, quando comprovada necessidade, também é disponibilizado estagiário para acompanhar o estudante autista em sala de aula e cuidador para ajudá-lo na higienização, alimentação e locomoção quando a barreira do autismo ou outra deficiência o impeça de ter autonomia.

Já a Prefeitura da Serra destacou que, realiza contratação de professores especializados em educação especial para atuar no atendimento educacional especializado de forma colaborativa e no atendimento de contraturno ofertado nas Salas de Recursos Multifuncionais. Além disso, oferta formação continuada e em serviço a todos os profissionais.

O município também contrata o cuidador para auxiliar os estudantes que demandam de apoio na higienização e alimentação.

Além da contratação de profissionais especializados, o município atua na perspectiva do acolhimento às famílias e estudantes com autismo e da humanização nos processos de aprendizagem visando fortalecer a inclusão escolar.

A Prefeitura de Vila Velha informou que o atendimento especializado aos alunos público-alvo da educação especial, conforme a orientação das políticas públicas e em conforme com a legislação vigente.

Todas as unidades escolares do município contam com cuidadores e professores especializados para esse atendimento no turno e contraturno de matrícula, garantindo assim o processo de escolarização desses e uma educação pública e de qualidade.

Já a Secretaria Municipal de Educação de Cariacica (Seme) informou que disponibiliza professores de educação especial em todas as unidades de ensino para realizar o atendimento aos alunos público-alvo da educação especial (alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento/transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação), no turno regular.

No contraturno é ofertado o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que atua na Sala de Recurso Multifuncional (SRM).

Para os alunos com deficiências severas ou sem autonomia que necessitam de cuidados na parte da higienização, locomoção e alimentação é disponibilizado o cuidador escolar.

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