Conhecida por sua evolução rápida e pela gravidade, a meningite B teve um caso confirmado em uma criança de três anos internada no Espírito Santo.
Médicos ouvidos pela reportagem explicaram os riscos e as diferenças para outros tipos de meningites – caracterizadas pela inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.
Segundo a Secretaria da Saúde (Sesa), o paciente está “devidamente assistido” pela equipe do Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba). Detalhes sobre o estado de saúde da criança não foram informados pela Secretaria.
A Sesa enfatizou que pessoas que tiveram contato próximo com o paciente já receberam medicamentos preventivos, seguindo as normas do Ministério da Saúde.
O vice-presidente da Sociedade Espiritossantense de Pediatria e 1º secretário da Sociedade Brasileira de Pediatria, Rodrigo Aboudib, explicou que a meningite meningocócica costuma gerar apreensão por causa da gravidade. “A meningite B tem mortalidade que gira em torno de 15% a 20%. É alta, especialmente se compararmos com outras doenças infecciosas”.
O médico destaca, no entanto, que a transmissibilidade não é tão elevada quanto a de vírus respiratórios. “Não é como uma gripe, que em 15 minutos de contato você pode se contaminar. Para haver transmissão, geralmente é necessário um contato mais íntimo, em ambiente fechado, e por maior tempo. Por isso, raramente a doença provoca grandes epidemias”.
A neurologista Mariana Lacerda Reis Grenfell aponta que alguns motivos tornam a meningite B desafiadora.
“Ela pode evoluir de forma rápida, em questão de horas. Além disso, muitas vezes começa com sintomas semelhantes a uma virose comum. Outro fator que preocupa é que pode estar associada à meningococcemia, uma infecção generalizada no sangue, que aumenta o risco de complicações graves”.
O médico neurologista e coordenador do setor de Neurologia do Hospital Unimed, Guilherme Coutinho de Oliveira, ressalta que os sinais clássicos da doença são dor de cabeça, febre e rigidez de nuca.
“Na presença deles, a ida ao hospital deve ser imediata para garantir o tratamento precoce. Sinais de agravamento que exigem urgência absoluta incluem confusão mental, manchas na pele que não somem ao serem pressionadas ou, em bebês, a moleira inchada e irritabilidade extrema”.
Saiba mais
Meningite
A meningite não é uma doença única. Trata-se de uma inflamação das meninges – as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. O que diferencia cada tipo de meningite é, principalmente, o agente causador, que pode ser vírus ou bactérias.
Meningite B
No caso da meningite B, ela é causada pela bactéria Neisseria meningitidis, também conhecida como meningococo do sorogrupo B.
Entre os desafios da Meningite B está a sua evolução muito rápida, em questão de horas.
Estima-se que o tipo seja responsável por 60% dos casos no País.
Grupos de atenção
* Crianças menores de 5 anos, que ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento.
* Adolescentes e adultos jovens, faixa etária em que há maior circulação da bactéria, principalmente em ambientes com aglomeração.
* Pessoas com imunidade comprometida.
Sintomas
Sinais clássicos: dor de cabeça, febre e rigidez de nuca.
Sinais de agravamento: confusão mental, manchas na pele que não somem ao serem pressionadas ou, em bebês, a moleira inchada e irritabilidade extrema.
Na presença dos sintomas, a ida ao hospital deve ser imediata para garantir o tratamento precoce e evitar sequelas.
A mortalidade gira em torno de 15% a 20%.
Transmissão
A transmissão ocorre pelo ar, através de gotículas respiratórias.
Na meningite bacteriana, o paciente deve ficar em isolamento por cerca de 24 horas após o início do antibiótico para interromper a transmissão da doença.