Prefeito é investigado por suspeita de coação eleitoral após vídeo em que relaciona a derrota de Ricardo Ferraço à possível demissão de cerca de 700 trabalhadores. Decisão da Justiça Eleitoral impõe afastamento cautelar do cargo.
A política capixaba foi sacudida nesta segunda-feira (19) com o afastamento do prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Cardoso (MDB), por determinação da Justiça Eleitoral. A medida foi adotada no âmbito da Operação 1932, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de coação eleitoral e possível utilização da estrutura pública em benefício de candidatura política.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o afastamento foi determinado por 30 dias. Além de deixar temporariamente o exercício do cargo, Lastênio está proibido de acessar as dependências da Prefeitura Municipal.
Vídeo desencadeou investigação
O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo publicado pelo prefeito nas redes sociais em 10 de outubro. Na gravação, Lastênio manifestou apoio ao candidato ao Governo do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), e associou uma eventual derrota do candidato à possibilidade de demissão de aproximadamente 700 trabalhadores, além de impactos em obras e serviços públicos do município.
O conteúdo levantou suspeitas de que a estrutura administrativa municipal poderia estar sendo utilizada para pressionar servidores e influenciar o voto no segundo turno da disputa estadual.
Polícia Federal cumpre diligências
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados à investigação, incluindo diligências na Prefeitura e no contexto da apuração envolvendo o prefeito. Materiais de propaganda eleitoral foram recolhidos para análise.
A investigação busca esclarecer se houve coação eleitoral praticada por agente público e eventual uso indevido de serviços ou recursos da administração municipal em benefício político. A apuração foi autorizada pela Justiça Eleitoral, após manifestação favorável do Ministério Público Eleitoral.
Caso amplia pressão política
O afastamento coloca a administração de Baixo Guandu no centro de uma crise política e jurídica, com repercussão que ultrapassa os limites do município. A utilização de empregos públicos e da continuidade de serviços municipais em um discurso de campanha levanta questionamentos sobre os limites entre manifestação política e o exercício da autoridade administrativa.
A investigação, entretanto, ainda está em andamento. O afastamento é uma medida cautelar e não representa condenação definitiva. A responsabilidade de Lastênio Cardoso pelos fatos investigados dependerá da apuração e das decisões judiciais cabíveis.
A Folha da Vila seguirá acompanhando os desdobramentos do caso, incluindo eventuais manifestações do prefeito, da Prefeitura de Baixo Guandu e das autoridades responsáveis pela investigação.