quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O “tic-tac” na segurança em Vitória

 

 

Na última sexta-feira, 3 de maio, um prédio comercial na Reta da Penha, em Vitória, foi evacuado após uma denúncia de bomba, gerando apreensão e preocupação na localidade. Embora o alerta tenha se revelado falso, esse episódio serve como uma metáfora da crescente inquietação em relação à segurança pública em nossa capital. Este incidente evidencia como estamos à beira de uma crise iminente, assemelhando-se a uma bomba-relógio prestes a explodir.

Diante disso, não posso deixar de expor que a estabilidade e prosperidade de um município não se limitam apenas a fatores como emprego, educação e infraestrutura; a preservação da vida e dos bens, tanto nos lares e comércios quanto nas ruas, é igualmente importante. No entanto, o atual panorama de insegurança que aflige os habitantes de Vitória escancara a falta de bem-estar social.

É inegável que a segurança pública afeta diretamente outros aspectos da vida em sociedade. No entanto, sem um ambiente seguro, o desenvolvimento econômico, o turismo e a qualidade de vida dos cidadãos sofrem consequências severas. Afinal, os altos índices de criminalidade comprometem a confiança dos empresários, impactando negativamente o comércio e outros investimentos na região. Além disso, a sensação de insegurança afeta a rotina diária dos moradores, limitando sua liberdade de movimento e gerando um clima de apreensão constante.

Assim, conforme a explanação anterior, podemos atestar que a situação atual em Vitória é alarmante, com registros frequentes de assaltos a estabelecimentos comerciais, invasões a prédios e outros crimes. A Praia do Canto, por exemplo, tem sido especialmente afetada, com relatos de assaltos, arrombamentos e roubos a moradores. Essa realidade não se limita a um único bairro, mas se estende por toda a cidade, como evidenciado também pela estatística de assaltos em ônibus que circulam a capital, que só no primeiro semestre do ano passado fez 391 vítimas.

Em contrapartida, a solução para essa crise exige não apenas boa vontade, mas um planejamento e ações concretas. Aliás, um dos pontos críticos é a insuficiência do contingente policial, que não acompanha o crescimento populacional e as necessidades táticas da cidade em si. Considerando as características específicas de Vitória, seria recomendável um aumento significativo no número de policiais e guardas municipais, bem como a implementação de medidas preventivas e tecnológicas.

Quanto ao número ideal de policiais, não existe uma equação fixa, pois varia dependendo de diferentes elementos, como a taxa de criminalidade, a localização geográfica da região, a densidade populacional, entre outros. No entanto, como parâmetro, pode-se considerar uma média de 1 a 2 policiais para cada grupo de 1.000 habitantes. Assim, para uma cidade com quase 400 mil moradores, o número total de efetivo policial poderia variar entre 400 a 800 policiais, entre militares e guardas municipais.

Concluindo, entre as medidas necessárias para enfrentar esse desafio, destacam-se o reforço da presença policial nas áreas mais afetadas, a expansão de sistemas de monitoramento por vídeo (incluindo reconhecimento facial), o aprimoramento da iluminação pública e o estímulo à integração comunitária. Além disso, o investimento em tecnologia para análise de dados criminais pode contribuir significativamente para o combate à criminalidade e a promoção de uma capital mais segura para todos os seus habitantes.

Armandinho Fontoura é Gestor Público, Empresário e Vereador de Vitória*

 

As opiniões expressas neste texto são de exclusiva responsabilidade do autor convidado e não refletem, necessariamente, a visão ou posição editorial do Jornal Folha da Vila. Cada autor convidado é responsável por suas declarações, argumentos e conteúdos, reafirmando nosso compromisso com a pluralidade de ideias e o debate saudável e respeitoso.

 

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