quinta-feira, 16 de julho de 2026

MPF e Polícia Federal apuram crimes de agiotagem e extorsão em terras indígenas no ES

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram na manhã desta quinta-feira (25) a Operação Pyatã.

O objetivo é combater a atuação de duas associações criminosas suspeitas dos crimes de agiotagem (usura) e extorsão nas terras indígenas Tupiniquim e Guarani, localizadas em Aracruz, no Espírito Santo. A ação é resultado do trabalho do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF.

Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Aracruz, Ibiraçu e nas comunidades indígenas de Caieiras Velha e Irajá. Entre os presos, três são indígenas.

As apurações tiveram início após a notícia-crime de que, com o pagamento dos auxílios e indenizações da Fundação Renova – decorrentes do rompimento da Barragem de Fundão (Samarco Mineração) –, intensificaram-se práticas de exploração financeira e extorsões contra indígenas. Entre 2019 e 2022, a Fundação Renova repassou mais de R$ 113 milhões para as associações que representam os indígenas.

De acordo com a investigação do MPF, o esquema criminoso contou com a participação de ex-dirigentes de associações que facilitaram a atuação de agiotas no território. Os recursos provenientes das indenizações, que deveriam beneficiar as famílias indígenas, eram desviados para o pagamento de dívidas abusivas contraídas com os suspeitos.

Agiotagem disfarçada
Foram identificados dois grupos de criminosos, que atuavam de forma paralela nos territórios indígenas. O primeiro era chefiado por um homem identificado como o principal agiota.

Acompanhado de seus filhos, ele concedia empréstimos com juros abusivos, que levavam famílias indígenas ao endividamento permanente. Para dar aparência de legalidade às operações ilícitas, o grupo utilizava contratos simulados de compra e venda e de prestação de serviços, mascarando a verdadeira prática de agiotagem.

O segundo grupo era chefiado por outro homem, que também explorava financeiramente indígenas da região por meio de práticas de agiotagem, impondo juros abusivos. Sua atuação, embora paralela à do agiota principal, contribuía para ampliar a exploração econômica das comunidades Tupiniquim e Guarani.

A cobrança das dívidas era realizada diretamente e por intermediários, inclusive com a captação de indígenas para desempenhar o papel de cobradores. Esses agentes eram utilizados para impor, mediante ameaças, violência e intimidação, o pagamento das dívidas, o que aumentava o clima de medo e de coação dentro das próprias comunidades indígenas, atingindo vítimas e lideranças locais.

Bloqueio de contas
A pedido do Ministério Público Federal, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 9,9 milhões em nome dos agiotas e de uma empresa. Também foram bloqueados cerca de R$ 850 mil em nome de ex-integrantes da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani.

O MPF e a Polícia Federal pedem que outras vítimas, ainda não identificadas, ou testemunhas da atuação dos grupos, formalizem suas denúncias de maneira segura e confidencial nos canais que considerarem mais adequados. Os órgãos reforçam o compromisso com a proteção dos direitos e da integridade dos povos indígenas.

A operação foi batizada de Pyatã, palavra de origem Tupi-guarani que significa pedra dura, pé firme e coragem.

Matéria relacionada

Vitória se transforma na capital do rock com Nazareth e Lordose pra Leão nesta quinta-feira

Vitória se transforma na capital do rock com Nazareth e Lordose pra Leão nesta quinta-feira

Quando as luzes da Praça do Papa forem acesas nesta quinta-feira (16) e os primeiros acordes ecoarem sobre a Baía de Vitória, não será apenas o início de um show.

Cariacica terá novo complexo esportivo com campo, quadras e área de convivência

Cariacica terá novo complexo esportivo com campo, quadras e área de convivência

Mais lazer, esporte e qualidade de vida estão chegando para os moradores de Rio Marinho. A Prefeitura de Cariacica, por meio da Secretaria Municipal de Obras (Semob), segue avançando com

Mineradora alvo de furtos praticados por funcionários teve prejuízo de R$ 1 milhão

Mineradora alvo de furtos praticados por funcionários teve prejuízo de R$ 1 milhão

Sete pessoas foram presas e 13 indiciadas por ligação a duas associações criminosas responsáveis por furtar uma mineradora desde 2025, causando prejuízos milionários. As investigações da Polícia Civil começaram em

Mutirões no ES terão 600 vagas para emitir carteira de identidade

Mutirões no ES terão 600 vagas para emitir carteira de identidade

Quem precisa emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) terá duas oportunidades nesta semana no Espírito Santo. Ao todo, 600 vagas serão disponibilizadas em mutirões realizados nos municípios de

Ifes abre mais de 700 vagas para faculdade de graça e sem precisar do Enem

Ifes abre mais de 700 vagas para faculdade de graça e sem precisar do Enem

Quem deseja começar uma faculdade pública e gratuita terá uma nova oportunidade. Um Instituto Federal abriu mais de 700 vagas em cursos superiores e não exigirá a nota do Enem.

Moraes impede visitas de Flávio a Jair Bolsonaro até depois do primeiro turno das eleições

Moraes impede visitas de Flávio a Jair Bolsonaro até depois do primeiro turno das eleições

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), visite o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro,