Após quase 15 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Vitória condenou o ex-policial militar Lucas Torrezani de Oliveira a 32 anos de prisão pelo assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares, nesta quarta-feira (20).
Os jurados acolheram a tese apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que apontou que o crime foi cometido por motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima, além do abuso de autoridade praticado pelo réu.
A sentença foi anunciada às 23h38. Lucas recebeu pena de 30 anos de reclusão pelo homicídio e mais dois anos de detenção pelo uso indevido da condição de policial, além do pagamento de 20 dias-multa.
O ex-militar também foi condenado a pagar indenização de R$ 500 mil aos familiares da vítima. As penas serão cumpridas separadamente, sendo a principal em regime inicial fechado.
O crime ocorreu na madrugada de 17 de abril de 2023, em Jardim Camburi, Vitória. Segundo as investigações, Guilherme pediu pela segunda vez que o grupo de amigos liderado por Lucas diminuísse o barulho enquanto consumiam bebidas e conversavam em tom elevado ao lado do apartamento do músico.
Imagens das câmeras de segurança do prédio registraram o momento da abordagem, o disparo e a vítima caída no chão. Durante o julgamento, promotores destacaram que, enquanto Guilherme agonizava, o réu teria tomado goles da bebida que segurava, atitude classificada como desumana pela acusação.
O clima no tribunal ficou tenso durante a réplica do Ministério Público e a tréplica da defesa, exigindo intervenção do juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória.
Para o promotor Rodrigo Monteiro, a condenação representa uma resposta da Justiça diante de crimes dessa natureza. Segundo ele, embora a decisão não traga a vítima de volta, oferece algum conforto à família.
Já o advogado de defesa, Charles Boneli Gonçalves, afirmou que irá recorrer da sentença. De acordo com ele, a condenação contrariou as provas apresentadas ao longo do julgamento.
Depoimentos
A sessão começou por volta das 9 horas e foi acompanhada por familiares da vítima e do réu.
A primeira testemunha ouvida foi Janaína Iara Moraes, viúva de Guilherme. Emocionada, ela relatou os momentos após o disparo. Segundo Janaína, ao chegar ao local encontrou o marido caído e coberto de sangue. Ela afirmou ainda que Lucas teria impedido a tentativa de socorro ao apontar uma arma em sua direção.
Na sequência, a síndica do prédio, Mônica Oliveira, declarou que as reclamações sobre o barulho provocado pelo grupo eram frequentes. Ela também afirmou ter se sentido intimidada por Lucas em um episódio anterior, quando ele estava fardado e armado.
O último a depor foi o próprio réu. Em interrogatório, Lucas sustentou ter agido em legítima defesa e em defesa dos amigos. Segundo ele, Guilherme entrou no local com as mãos para trás e tentou tomar sua arma, o que teria motivado o disparo. A versão também foi defendida pelos advogados.
Preso desde 2023, Lucas inicialmente ficou detido em um quartel da Polícia Militar. Após ser expulso da corporação, foi transferido para a Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana.