quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Cinco são presos por invadir terrenos e vender ilegalmente em Vila Velha

Cinco pessoas foram presas suspeitas de integrar uma organização criminosa que invadia terrenos e os negociava ilegalmente no bairro Pontal das Garças, em Vila Velha. Segundo as investigações, os suspeitos vendiam lotes que já possuíam donos.

O chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais, delegado Gabriel Monteiro, expôs que entre os presos estão um homem que foi líder comunitário da região por anos, o presidente de uma cooperativa, extinta em 2015, um policial militar da reserva, o dono de uma imobiliária e uma quinta pessoa responsável por lavar e ocultar o dinheiro ilícito.

As investigações revelaram que, aproveitando-se do baixo grau de instrução escolar das vítimas que compravam os terrenos, a cooperativa emitia certidões ideologicamente falsas — documento verdadeiro mas com informações falsas — de quitação do lote comprado. Contudo, como as vítimas não possuíam dinheiro para pagar pela escritura dos terrenos, ficavam apenas com os comprovantes de compra e venda.

Diante da falta de escritura dos terrenos, a imobiliária junto com os outros integrantes invadia o terreno, capinava, colocava a placa de compra e venda e anunciava, com o objetivo de vender novamente o local.

“Pessoas de boa fé, a investigação está demonstrando isso, iam até essa imobiliária, e ela mostrava a certidão de ônus que não havia ninguém escriturado e o que eles faziam? Eles tinham uma nova certidão para o comprador e com isso, assim que ele (o comprador) quitava, ele pegava aquela quitação, ia até o cartório, registrava e obtinha a sua certidão”, expôs Monteiro.

Segundo o delegado, as ações criminosas aconteciam há anos, mas se intensificaram no período da pandemia, momento em que proprietários não iam tanto até os terrenos. Além disso, as pessoas que compraram os terrenos mas não tinham as escrituras, eram intimidadas pelo policial militar da reserva, quando iam reivindicar seus direitos.

Além das cinco pessoas presas, a operação, realizada no dia 1º de abril, apreendeu seis veículos, documentos, celulares, R$ 29 mil em espécie e uma pistola 9 mm. Ao todo, a cooperativa negociou aproximadamente mil terrenos na região e 15 vítimas já foram ouvidas pela polícia.

Ainda de acordo com o delegado, apesar da prisão do proprietário, a imobiliária segue ativa e regular.

Como agia cada integrante
O delegado apontou que o homem que atuou como líder comunitário, por conhecer bem a região, era responsável por averiguar quais terrenos não possuíam escritura e não estavam ocupados pelos proprietários.

Já a cooperativa emitia as certidões de quitação dos terrenos que, por sua vez, eram falsas. O dono da imobiliária ficava com a função de invadir o local e anunciar o lote, fazendo intermédio das vendas.

De acordo com Monteiro, o policial militar da reserva atuava de forma violenta, fazendo uso de armas para ameaçar e intimidar as vítimas. “Em algumas vezes, chegou a passar na frente desses terrenos ou de pessoas que não aceitavam essa imposição. Ele passava, dava tiro. Teve um caso que eles botaram fogo no barraquinho que tinha no terreno”, relembrou.

Em outra ocasião, a organização efetuou disparos contra um escritório de advocacia que estava trabalhando para defender o caso de uma das vítimas, além de roubar documentos do local.

Já o quinto envolvido, era responsável por lavar e ocultar todo esse dinheiro ilícito. Segundo o Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a organização chegou a movimentar mais de R$ 30 milhões.

“Tivemos uma surpresa de uma movimentação de mais de R$ 30 milhões, por isso que nós fizemos na representação o bloqueio de bens”, afirmou o delegado.

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