quinta-feira, 9 de julho de 2026

ES se prepara para enfrentar período de seca provocada pelo fenômeno El Niño

Diante dos impactos provocados pelo fenômeno El Niño, que começou a influenciar o Brasil desde 11 de junho, o governo do Espírito Santo anunciou um conjunto de medidas preventivas e mitigatórias para enfrentar os efeitos climáticos previstos para o Estado.

Segundo o governador Ricardo Ferraço, a tendência é de um período de estiagem prolongada, principalmente nas regiões Norte e Noroeste, o que pode provocar escassez de água, aumento de incêndios em vegetação, ondas de calor e chuvas irregulares, com possibilidade de alagamentos localizados enquanto outras áreas enfrentam seca.

Na tarde de quarta-feira (8), o governador apresentou o Plano Estratégico de Preparação e Enfrentamento ao El Niño, elaborado com base em dados técnicos e projeções meteorológicas da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec-ES).

A iniciativa tem como objetivo proteger a população, garantir a segurança hídrica e reduzir os impactos sobre o setor produtivo capixaba por meio de uma atuação integrada entre diferentes órgãos estaduais.

“Tudo indica que teremos um período de forte influência do El Niño. Por isso, estamos agindo de forma preventiva para reduzir a necessidade de ações emergenciais. Estou assinando o decreto que cria o Centro Integrado de Comando e Controle, reunindo diversos órgãos do Governo do Estado em uma atuação coordenada”, afirmou Ricardo Ferraço.

O governador destacou que o decreto estabelece um planejamento e define responsabilidades. “Também divulgaremos boletins sobre o fenômeno e sobre as ações adotadas, garantindo transparência à população. Há previsão de estiagem prolongada, com possíveis impactos econômicos e sociais, e estamos adotando medidas para ampliar a capacidade de resposta do Estado”.

Entre as ações previstas está o fortalecimento da rede de monitoramento meteorológico. A Defesa Civil Estadual manterá monitoramento 24 horas por dia por meio de imagens de satélite, estações meteorológicas e da Plataforma V-Fogo, responsável pelo acompanhamento em tempo real dos focos de calor.

A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) continuará operando 32 estações de monitoramento fluviométrico dos rios capixabas, enquanto a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) acompanhará os níveis de água nos pontos de captação para abastecimento. Caso haja necessidade, poderão ser adotadas medidas emergenciais, como a perfuração de poços e a contratação de carros-pipa.

O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) reforçará a fiscalização ambiental por meio da Central de Monitoramento de Florestas (CMF/Idaf), que utiliza imagens de satélite para identificar desmatamentos ilegais e emitir alertas georreferenciados.

Considerados entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do El Niño, o agronegócio e a agricultura familiar contarão com ações específicas da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).

Entre elas estão a entrega antecipada de carros-pipa e maquinários aos municípios, a distribuição de ensacadoras de forragem, a formação de estoques estratégicos de silagem para alimentação dos rebanhos e a criação do Programa de Financiamento para Construção de Pequenas Barragens, que oferecerá linhas de crédito de até R$ 150 mil por propriedade rural, com juros reduzidos e prazos ampliados.

Além disso, técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) intensificarão o atendimento aos produtores, orientando sobre manejo sustentável do solo, acesso ao crédito e contratação do Seguro Rural.

Na área de infraestrutura hídrica, o Estado mantém investimentos em 33 barragens de uso coletivo, entre concluídas e em execução, com capacidade total de armazenamento de aproximadamente 17,7 milhões de metros cúbicos de água. Já nas áreas urbanas, a Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) concentra esforços na execução de obras de macrodrenagem e contenção de encostas.

Por meio do Fundo Cidades, o Governo do Estado investiu R$ 721 milhões em 217 obras voltadas à prevenção e mitigação de desastres, enquanto o Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Funpdec/ES) destinou R$ 52 milhões para outras 35 intervenções com o mesmo objetivo.

No combate aos incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) executa a Operação Fogo Zero, com reforço de efetivo nas regiões mais suscetíveis.

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) também ampliou os investimentos em equipamentos, contratação de brigadistas e ações de prevenção, com apoio do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer), que adquiriu duas novas aeronaves, um caminhão de abastecimento, equipamentos específicos para combate a incêndios e promoveu a formação de novos pilotos e mecânicos.

Para coordenar todas essas iniciativas, foi instituído o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño, responsável por centralizar informações, monitorar diariamente as condições climáticas e integrar a tomada de decisões entre os órgãos estaduais envolvidos nas ações de prevenção e resposta aos impactos do fenômeno.

O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel BM Benício Ferrari Júnior, explicou que o El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, alterando a circulação das massas de ar e o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. Segundo ele, o Espírito Santo está em uma área de transição, mas o histórico aponta que a maioria dos episódios resulta em estiagem, temperaturas mais elevadas e aumento dos incêndios em vegetação.

“A maioria dos El Niños, considerando todos os anos de El Niño, olhando eles em comparação com a média, traz um cenário de estiagem maior, um aumento de temperatura, e, por conta disso, mais incêndios em vegetação. Então esse é o cenário esperado”.

O coordenador ressaltou, no entanto, que a previsão de seca não elimina a possibilidade de eventos extremos de chuva. “Essa chuva pode acontecer localizada, cair concentrada num lugar só, num dia só. Podemos ter um local inundado, enquanto que o resto do Estado está pegando fogo”, alertou.

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