sábado, 17 de outubro de 2026

Dólar fecha em R$ 6,26 e empresas preparam aumento em preços

 

Com o dólar tendo atingido R$ 6,26 e fechado nesta última terça-feira (17) em R$ 6,09 – batendo novo recorde de cotação – e consolidado no patamar de R$ 6, indústrias e o comércio já repassam a alta para os consumidores.

O vaivém da moeda americana tem impacto direto no bolso do consumidor, já que interfere em preços de produtos básicos do dia a dia. A razão é simples: diversas matérias-primas essenciais, como trigo, gás e petróleo, são importadas ou tem seus preços afetados pelas cotações internacionais, e o custo elevado do dólar encarece esses itens, segundo os especialistas.

O encarecimento dos produtos começam a vir das duas variáveis, que são preferência da produção brasileira para exportar, e preços em real maior para importar produtos, equipamentos e insumos, segundo o vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), José Carlos Bergamin.

Um dos setores afetados diretamente é o de alimentos e bebidas, especialmente itens como importações de matérias-primas (como trigo, milho e óleo) e o aumento nos custos de transporte internacional, segundo o economista e diretor da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola Fraga.

“As indústrias alimentícias e de bebidas já indicaram que o impacto do dólar alto pode resultar em aumentos de preços significativos no próximo ano, uma vez que o custo de matérias-primas e de logística tende a subir”, disse.

O setor de higiene e limpeza também sofre pressões devido à importação de produtos químicos e embalagens, que ficam mais caros, diz ele: “A inflação, já presente na economia, pode ser ainda mais agravada, principalmente em itens essenciais do cotidiano.”

Produtos como eletrodomésticos e eletroeletrônicos são alguns dos mais impactados, pois dependem da importação de peças e componentes ou da montagem de produtos importados, disse Fraga.

Bergamin disse que, além de tudo, a capacidade da produção brasileira está no limite, com escassez de mão obra do chão de fábrica à qualificada, baixa tecnologia para impulsionar a produtividade e a dificuldade de recursos para investir.

O economista Ricardo Paixão disse que a elevação do dólar nesses últimos dias tem acontecido por conta do pacote de corte de gastos, que deixa o mercado instável.

 

SAIBA MAIS

Pãozinho vai ficar mais caro

Alimentos e bebidas

Matérias-primas com preço internacional, sujeito a oscilações do mercado, como soja, milho e trigo, que elevam preços de pão francês, biscoitos e macarrão, por exemplo.

O preço da carne bovina, porque a pecuária brasileira depende de insumos muitas vezes importados, como fertilizantes e rações.

Alimentos importados consumidos nas festas de fim de ano, como frutas frescas, frutas secas, bacalhau, azeite e vinho já tem aumento. Alguns desses itens foram elevados em cerca de 10% na última semana, depois de já terem subido entre 4% e 5% em novembro, relatam supermercadistas.

 

Higiene e limpeza

Grandes indústrias de higiene e limpeza já indicaram reajustes de 10% a 12% nas tabelas de preços. O setor também sofre pressões devido à importação de produtos químicos e embalagens, que ficam mais caros.

 

Eletrodomésticos e eletrônicos

Produtos importados ou com componentes importados ficam mais caro com a alta do dólar. É o caso dos eletrodomésticos (como geladeiras, fogões e máquinas de lavar) que frequentemente possuem peças importadas.

Os eletrônicos (como smartphones, TVs, computadores e tablets) também são afetados, pois dependem de uma cadeia de produção global e insumos cotados em dólar.

Executivos afirmam que o aumento será inevitável e toda a indústria vai ter de recalibrar preço a partir de 2025.

 

Medicamentos

Medicamentos de uso comum ou específico também podem subir de preço, já que podem depender de insumos farmacêuticos vindos de fora do País.

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