O Espírito Santo encerrou o Carnaval de 2026 com um ativo que vai além dos números: a aprovação quase unânime de quem passou pelo Estado.
Cerca de 98,2% dos turistas afirmaram que recomendariam o destino, enquanto 90% disseram que a experiência atendeu ou superou as expectativas, um indicativo robusto de satisfação e de potencial de retorno.
Mesmo em um cenário de leve retração na atividade turística, os dados mostram que o estado mantém sua atratividade e se destaca no mapa nacional do turismo.
Os dados são da Pesquisa de Identificação do Perfil do Turista no Carnaval 2026, realizada pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur-ES), com 1.678 entrevistas em 17 municípios e analisados pelo Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo).
“O nível de recomendação próximo de 100% é um dos principais indicadores de qualidade do destino. Isso fortalece a reputação do Espírito Santo e amplia a divulgação espontânea, que é decisiva para atrair novos visitantes”, explicou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
O estudo mostra ainda que os visitantes permaneceram, em média, 6,43 dias no estado. A maior parte foi composta por turistas internos (45,6%), mas 53,6% vieram de outros estados, com destaque para Minas Gerais (31,1%), seguido por Rio de Janeiro (14,2%) e São Paulo (2,6%).
“A presença expressiva de turistas de fora, especialmente de Minas Gerais, reforça a importância de estratégias regionais integradas para ampliar esse fluxo”, avaliou Spalenza.
O gasto médio individual diário foi de R$ 217, com maior concentração em hospedagem (R$ 2,06 mil por visitante) e alimentação (R$ 984). A gastronomia, inclusive, aparece como um dos pontos fortes da experiência, com 91,6% de avaliações positivas, seguida por segurança pública (88,3%) e hospitalidade (83,3%).
“Esses indicadores mostram que o estado entrega uma experiência consistente, com destaque para atributos que influenciam diretamente a decisão de retorno”, observou o coordenador.
Apesar da alta satisfação, o volume de atividades turísticas registrou leve queda de 1% em fevereiro na comparação com janeiro, acompanhando o movimento nacional (-0,9%), de acordo com dados do Índice de Atividades Turísticas (Iatur), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Connect Fecomércio-ES.
Ainda assim, fevereiro figura como o quinto melhor da série histórica iniciada em 2011 e o terceiro maior desde 2014, evidenciando a resiliência do setor.
O fluxo de turistas também se refletiu no transporte. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), 131.431 passageiros desembarcaram no Aeroporto de Vitória em fevereiro, alta de 17% em relação a 2025.
Já o transporte rodoviário registrou crescimento ainda mais expressivo: foram 133.407 passagens vendidas, avanço de 18,6%, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
“O crescimento nos modais de transporte demonstra que a demanda turística segue aquecida, mesmo com oscilações pontuais no volume de atividades”, destacou Spalenza.
Para Raimundo Nonato, presidente da Câmara Empresarial do Turismo do Espírito Santo (CET-ES), o desafio agora é ampliar o alcance desse potencial.
“O grande ponto é que o Espírito Santo precisa olhar com mais estratégia para o turista interestadual. Trazer pessoas de fora, de estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e outros, é fundamental”, afirmou.
Segundo ele, o estado possui produtos turísticos consolidados, mas ainda carece de maior planejamento e divulgação. “Não basta ter um bom produto, é preciso mostrar para o Brasil que ele existe. Quando há organização e visibilidade, como no caso de eventos bem estruturados, os resultados aparecem”, ressaltou.