Para especialistas em recursos humanos, o mercado de trabalho está extremamente aquecido. No entanto, o fato por si só não tem garantido que diversas vagas sejam preenchidas, entre elas as destinadas a profissionais da Tecnologia da Informação e ligadas à área de vendas.
Além disso, para quem busca uma contratação, é preciso ter em mente que o conhecimento técnico por vezes não é o mais importante. Em vez disso, busca-se trabalhadores cujo comportamento se encaixe ao perfil da empresa, com capacidade de desenvolver bom relacionamento com os colegas.
Para Roberta Kato, CEO (diretora-executiva) do Grupo Kato, o que mais pesa no momento da contratação é que as pessoas tenham habilidades comportamentais alinhadas às competências técnicas. “Parece chover no molhado, mas ainda é o fato de que as pessoas investem pouco no desenvolvimento pessoal, ou nos soft skills, como nós chamamos”, disse.
Segundo ela, hoje é necessária flexibilidade para se adaptar às rápidas mudanças que acontecem constantemente. Comprometimento com o trabalho e com a entrega são aspectos fundamentais e a empresa, além de tudo, busca um profissional com que ela realmente pode contar. “Buscam profissionais que priorizam se aprimorar e atualizar os conhecimentos técnicos”, esclareceu.
Também para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach RH, o que as empresas buscam pode ser resumido em duas colunas.
“Uma delas é a da parte técnica, que consiste em formação e experiência, e este é o mínimo que se observa; o outro pilar é a parte comportamental, que antes não era tão importante, mas que hoje se tornou até mais importante que a técnica. Um profissional comprometido, pontual, que tenha foco em solução de problemas, que tenha desejo de evoluir, estudar e aprender e com isso ir transformando o conhecimento”, acrescentou Teixeira.
O que pesa mais na hora da contratação?
Para Roberta, no momento da contratação os pontos mais levados em consideração são:
• Experiência técnica na área, já que é importante que o profissional ingresse na empresa apresentando os resultados esperados;
• Entusiasmo do candidato, já que é importante sentir o quanto aquela pessoa tem interesse em trabalhar na empresa e buscar o crescimento profissional, pois é um forte indicador de que terá um bom desempenho nas atividades.
• Ter um bom relacionamento interpessoal, já que se relacionar bem com os outros é fundamental para uma convivência saudável.
A CEO também afirma que é importante ter em mente que as empresas buscam profissionais que queiram permanecer e fazer carreira na empresa, o que tem sido o grande desafio no momento.
Especialistas indicam quem são os principais profissionais em falta no mercado capixaba
Analista de cybersegurança;
Analista de sistemas;
Analista de marketing digital;
Analista de e-commerce;
Gestor ou analista de RH;
Profissional de controladoria;
Analista de mercado financeiro, para mexer com bolsas e ações;
Gestor de vendas;
Representante de vendas;
Mecânicos;
Eletricistas;
Soldadores;
Profissionais da Tecnologia da Informação (TI) em geral;
Profissionais ligados a finanças e à gestão de pessoas;
Profissionais da Comunicação;
Profissionais que entendam de LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), que tem sido exigido e são poucos com esse nível de qualificação.
Para Kato, os profissionais da área de TI estão supervalorizados e, por isso, conseguem escolher qual oportunidade atende melhor suas expectativas, e em contrapartida, poucas empresas estão preparadas para receber esses profissionais.
Também para Elcio, a dificuldade de contratação é de fato potencializada em algumas áreas, mas tem sido desafiador encontrar profissionais para vagas em praticamente todos os cargos.
“A área de TI é a com a maior escassez de profissionais. Vemos um fenômeno de leilão entre as empresas para contratá-los, em especial pela escassez e a velocidade que a tecnologia ganhou como efeito da pandemia. Dentro da área de gestão, temos algumas áreas, faltam bons profissionais de recursos humanos e profissionais instrumentais dentro da área de RH, às vezes precisamos de um profissional de recrutamento e seleção e não encontramos”,
Para Elcio, principalmente quando se trata de lidar com seres humanos, há muita subjetividade e as pessoas não se atualizam, então haveria uma lacuna entre a formação, a experiência e a necessidade do mercado.
“A área de vendas também é extremamente carente, mesmo havendo bons profissionais que conseguem se projetar muito rápido. E temos a área de Marketing Digital e tudo que envolve isso, há uma carência gigante e é uma área que geralmente propicia o trabalho remoto e a gente acaba contratando profissional de fora”, pontuou o especialista.
Além disso, ele destacou que no Espírito Santo há demanda técnica específica, uma vez que o Estado conta com indústria de transformação, metalmecânica. “Então faltam muitos profissionais da área técnica: mecânicos, eletricistas, soldadores, são vagas bastante desafiadoras”, frisou.
Importância do trabalho híbrido
De acordo com o CEO da Heach RH, antes da pandemia havia a questão de salários, benefícios e oportunidades de crescimento como os principais fatores decisórios para a escolha de um profissional para uma vaga.
“Hoje tudo isso continua sendo importante, porém, a questão do trabalho remoto ou híbrido começou a pesar mais que todos esses fatores e passou a ser o principal fator de escolha. As pessoas antes da pandemia encaixavam a vida delas no trabalho, depois dela, houve um movimento natural e as pessoas estão encaixando trabalho na vida, até porque foram perdidos muitos parentes e conhecidos”, explicou.e foram perdidos muitos parentes e conhecidos”, explicou.