O Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento rápido para se tornar um dos principais motores da circulação de renda. No último ano, foram movimentados R$ 560,5 bilhões, em 1,36 bilhão de transações no Estado, números que ajudam a explicar por que a ferramenta está no dia a dia de consumidores e empresas capixabas.
A adesão ao pagamento chegou a 74% da população da Grande Vitória, com um gasto médio de R$ 179 por Pessoa Física (PF) e de R$ 2.547 por Pessoa Jurídica (PJ).
Os dados revelam mudanças no comportamento financeiro da população e na dinâmica do comércio local. As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados do Banco Central do Brasil.
Do total movimentado no ano, aproximadamente 57% dos valores pagos e recebidos via Pix tiveram origem em pessoas jurídicas, o que indica o uso intenso do sistema em transações de maior porte, especialmente operações B2B (empresa para empresa), pagamentos a fornecedores e liquidações de compromissos corporativos. Já as pessoas físicas responderam por cerca de 42% do montante, movimentando mais de R$ 235 bilhões em 2025.
“Quando olhamos para os valores, fica claro que o Pix virou uma ferramenta estratégica para as empresas, sobretudo pela agilidade, baixo custo e impacto positivo na gestão do fluxo de caixa”, avaliou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
Apesar de as empresas concentrarem a maior parte do valor financeiro, o cenário se inverte quando o recorte é o número de operações. As pessoas físicas realizaram mais de 90% dos pagamentos e cerca de 63% dos recebimentos via Pix no Estado.
Essa diferença entre quantidade de transações e valor total movimentado reforça o uso do sistema como principal meio para pagamentos do dia a dia, funcionando, em muitos casos, como substituto do dinheiro em espécie.
“O Pix passou a ocupar o espaço da cédula nas pequenas compras cotidianas. É rápido e está sempre à mão, o que explica esse volume expressivo de operações realizadas por pessoas físicas”, destacou Spalenza.
64,8% só na Grande Vitória
A Região Metropolitana capixaba concentra a maior parte da movimentação via Pix no Estado. Em 2025, Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Viana e Fundão responderam por R$ 363,4 bilhões em pagamentos, o equivalente a 64,8% de todo o valor transacionado no Estado.
Na quantidade de operações, a região concentrou 58% dos pagamentos e 62% dos recebimentos. Na Grande Vitória, a adesão ao Pix atingiu 74% da população, considerando os dados do sistema e a população estimada pelo Censo de 2022.
Vitória liderou o ranking de adesão, com 81,8% da população utilizando o Pix ao menos uma vez no ano, enquanto Viana apresentou a menor taxa, com 65,6%.
“Essas diferenças mostram como fatores socioeconômicos, infraestrutura financeira e maturidade digital influenciam a adoção do Pix nos municípios”, observou Spalenza.
Os dados municipais também revelam contrastes no valor médio das transações. Entre as pessoas físicas, Vitória registrou o maior tíquete médio pago (R$ 255), seguida por Vila Velha (R$ 216) e Guarapari (R$ 180).
Entre as pessoas jurídicas, Viana se destacou com o maior tíquete médio pago, de R$ 4.754, sugerindo a presença de operações empresariais de alto valor, apesar de sua menor representatividade econômica no conjunto da região.