Cerca de 1,4 milhão de trabalhadores no Espírito Santo vão receber cerca de R$ 280 milhões com a distribuição do lucro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), aprovada ontem pelo Conselho Curador do fundo e confirmada pelo governo.
Os dados foram obtidos com o Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) e com o economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, baseada no montante nacional de R$ 13,04 bilhões que será repassado aos trabalhadores.
Para chegar ao cálculo, Paixão e o presidente do IFGT Mário Avellino consideraram que o Espírito Santo responde por cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e da população de brasileiros. Para ele, embora o percentual não represente exatamente a participação dos capixabas no FGTS, o índice serve como uma referência consistente para estimar o impacto econômico do repasse no Estado.
Os valores serão creditados até 31 de agosto para cerca de 138,2 milhões de trabalhadores em todo o País que tinham saldo em contas ativas ou inativas do FGTS em 31 de dezembro de 2025. A consulta poderá ser feita pelo app do FGTS ou pelo site da Caixa Econômica.
O valor recebido varia conforme o saldo existente em cada conta. O crédito corresponderá à multiplicação do saldo registrado no fim de 2025 pelo índice de 0,01868341. Na prática, quem tinha R$ 1.000 depositados receberá R$ 18,68, enquanto um saldo de R$ 10 mil renderá cerca de R$ 186,83.
O Conselho Curador decidiu distribuir 89% do lucro obtido pelo FGTS em 2025, que alcançou R$ 14,65 bilhões. Com isso, a rentabilidade total das contas chegará a 6,9% no período, superando a inflação oficial do ano, medida pelo IPCA, que fechou em 4,26%.
Apesar do depósito, os recursos seguem sujeitos às regras do fundo e não poderão ser retirados livremente. O saque é restrito às situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria, doenças graves e saque-aniversário.
Segundo Paixão, além de reforçar o patrimônio dos trabalhadores, a distribuição do lucro representa estímulo indireto à economia, já que parte desses recursos poderá ser utilizada futuramente em consumo, habitação e investimentos.