A saúde está entre os principais temas dos planos de governo dos cinco candidatos ao Palácio Anchieta nas Eleições 2026. As propostas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluem medidas relacionadas à ampliação da infraestrutura, descentralização do atendimento, uso de tecnologia e Inteligência Artificial (IA), além de ações direcionadas a públicos específicos.
Embora existam pontos em comum entre os programas, como a modernização dos serviços e a ampliação do acesso, os candidatos apresentam estratégias diferentes para a gestão e a organização da rede estadual de saúde.
Breno Barcelos (Missão) concentra parte de suas propostas na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). O candidato propõe a implantação de um prontuário único, com uma base de dados capaz de integrar informações clínicas da rede estadual. A partir da adoção do sistema, ele prevê a possibilidade de destinar parte dos ganhos de eficiência para bônus de desempenho a profissionais de enfermagem, fisioterapia e odontologia.
O plano também prevê o fortalecimento dos mecanismos de financiamento pelo governo estadual e a estruturação de ferramentas de repasse e cofinanciamento, com o objetivo de reduzir a dependência dos municípios. Entre as medidas estão ainda a interiorização de exames laboratoriais, a oferta de especialistas para atendimento ambulatorial em hospitais e a implantação de salas de telessaúde.
Helder Salomão (PT) apresenta propostas voltadas à prevenção, inclusão social e articulação com governos federal e municipais. Na relação com as prefeituras, o candidato propõe ações conjuntas para reformas, ampliações e modernizações de unidades básicas de saúde e UPAs.
O plano também contempla políticas específicas para mulheres, idosos, jovens e para a população negra e povos tradicionais. Entre as propostas estão estratégias direcionadas a famílias quilombolas, ciganos, pomeranos e indígenas, além da valorização de saberes tradicionais.
O candidato também inclui ações para pessoas com neurodivergência, estruturação da rede de saúde mental e medidas relacionadas aos impactos de eventos decorrentes das mudanças climáticas. O programa prevê ainda a ampliação do uso de plataformas baseadas em inteligência artificial.
Lorenzo Pazolini (Republicanos) propõe o fortalecimento da rede estadual de urgência e emergência e medidas para reduzir filas de espera. Entre as ações está a criação de uma central estadual integrada, com regulação digital em tempo real e um painel público de transparência.
Na área de prevenção, o plano prevê o fortalecimento da rede materno-infantil, com pré-natal qualificado, além de um programa estadual de prevenção cardiovascular e ampliação do rastreamento de câncer de mama, colo do útero e próstata. Também estão previstas medidas para ampliar a cobertura vacinal e monitorar óbitos evitáveis.
O programa de Pazolini inclui ainda propostas de modernização hospitalar e tecnológica, ações relacionadas a doenças crônicas e políticas voltadas ao envelhecimento saudável.
Rafael Demuner (UP) defende mudanças no modelo de gestão das unidades de saúde. O candidato propõe que a administração fique sob responsabilidade exclusiva do Estado e prevê o encerramento dos contratos com Organizações Sociais (OS).
O plano inclui um programa de obras públicas para ampliar e regionalizar a rede hospitalar, além do desenvolvimento de pesquisa científica farmacêutica para produção de medicamentos a baixo custo. Demuner também propõe concursos públicos para substituir trabalhadores terceirizados na área da saúde.
Entre as propostas apresentadas pelos cinco candidatos, o programa de Demuner é o único que aborda especificamente a garantia de atendimento ao aborto nos casos previstos em lei, com a ampliação e regionalização dos serviços públicos destinados à realização do procedimento.
Ricardo Ferraço (MDB), que disputa a reeleição, propõe investimentos na infraestrutura hospitalar de alta complexidade e uma transformação digital do SUS. O plano prevê, entre outras medidas, o uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio a diagnósticos e decisões clínicas.
O programa também contempla investimentos em pesquisa, formação de profissionais, medicina de precisão, vigilância epidemiológica e inovação. A proposta é ampliar a capacidade do Estado de responder a diferentes desafios na área sanitária.
Ricardo ainda prevê ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias por meio do uso de inteligência de dados, telessaúde e centrais inteligentes de regulação. O plano inclui também a expansão dos polos regionais de saúde.
Os cinco planos de governo foram apresentados ao TSE junto aos registros de candidatura e reúnem propostas diferentes para a organização, financiamento, atendimento e modernização da saúde pública no Espírito Santo.