O mercado imobiliário da Grande Vitória encerrou o primeiro semestre de 2026 com 21.311 unidades em produção, segundo o 47º Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES). Em janeiro, eram 18.989 unidades, o que representa um crescimento de 12,2% em seis meses.
Na comparação com julho de 2025, quando o levantamento registrava 17.177 unidades, o avanço chega a 24,1%.
O censo considera imóveis de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana e reuniu informações de 74 incorporadoras e construtoras. Para o Sinduscon-ES, entram na categoria “em produção” os empreendimentos a partir do lançamento comercial, mesmo que as obras ainda não tenham começado. A classificação inclui projetos na planta, em fundação, estrutura ou acabamento.
Vila Velha concentra praticamente metade das unidades pesquisadas, com 10.653 imóveis em produção. Na sequência aparecem Serra, com 5.503, Vitória, com 4.462, e Cariacica, com 693. Viana não registrou unidades dentro dos critérios utilizados pelo levantamento.
Em Vila Velha, os bairros com maior concentração são Praia de Itaparica, Praia da Costa, Itapuã, Jockey de Itaparica, Centro, Coqueiral de Itaparica, Residencial Coqueiral e Praia das Gaivotas. Juntos, eles reúnem 7.861 unidades, o equivalente a quase 37% de todos os imóveis em produção nas cinco cidades analisadas.
Na Serra, a região de Laranjeiras concentra 2.452 unidades. Em Vitória, Jardim Camburi aparece com 2.295 imóveis, enquanto a região da Praia do Canto soma 1.761.
Imóveis de dois quartos são maioria
Do total de unidades residenciais em produção, 20.768 são imóveis residenciais. Os apartamentos de dois quartos representam a maior parcela, com 12.378 unidades, quase 60% da oferta.
Os imóveis de três quartos aparecem na sequência, com 3.886 unidades. O levantamento registra ainda 3.132 unidades de um quarto e 1.372 imóveis com quatro quartos ou mais.
Por segmento, 13.209 unidades residenciais, ou 61,98% do total, estão classificadas como médio e alto padrão. Outras 8.102 unidades, equivalentes a 38,02%, pertencem ao segmento ECO, classificação utilizada pelo censo para empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida.
Lançamentos e vendas desaceleram
Apesar do crescimento no número de unidades em produção, o ritmo de negócios diminuiu em relação ao segundo semestre de 2025.
Segundo Eduardo Borges, diretor do Sinduscon-ES, houve redução tanto nos lançamentos quanto nas vendas. O volume lançado passou de aproximadamente R$ 3,25 bilhões no segundo semestre de 2025 para R$ 2,66 bilhões nos primeiros seis meses de 2026.
Nas vendas, o valor recuou de cerca de R$ 2,95 bilhões para R$ 2,70 bilhões no mesmo período, uma queda próxima de 10%.
Borges atribui o cenário, entre outros fatores, às taxas de juros elevadas e ao endividamento das famílias. Ele também aponta uma percepção de espera por parte de consumidores diante do cenário eleitoral.
“Diante de uma eleição que tende a ser polarizada, quem pensa em comprar um imóvel, principalmente quando não se trata da primeira aquisição, pode acabar adiando a decisão”, avalia.