A “invasão” das montadoras chinesas está mudando a dinâmica do mercado automotivo brasileiro e aumentando a pressão sobre os preços dos veículos no País e no Espírito Santo.
Com a expansão da oferta de modelos eletrificados e valores mais competitivos, fabricantes tradicionais passaram a recorrer a descontos, redução de preços e bônus na troca de usados para preservar espaço entre os consumidores.
O mercado de veículos eletrificados no Estado demonstrou um crescimento expressivo durante o primeiro semestre deste ano, consolidando uma tendência de forte expansão no setor.
Foram 5.770 emplacamentos no primeiro semestre – 1.320 somente no mês de junho –, contra 3.066 no mesmo período de 2025, resultando em uma alta de 88,19%, segundo dados do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives).
“É um movimento que acontece no Brasil e aqui no Espírito Santo não é diferente. É um movimento natural do mercado automotivo para competir com os veículos chineses, com os eletrificados”, avaliou José Geraldo da Cunha, diretor do Sincodives.
Ele destacou que esse movimento é positivo, com crescimento das vendas de veículos novos. “Para as montadoras, novos modelos vão sendo incorporados, com mais tecnologias, para competir nesse mercado”.
Cunha é diretor do Grupo Podium e disse que as concessionárias do grupo sempre têm oferecido bônus de troca e de varejo.
A Vitoriawagen também tem ofertado incentivos para atrair consumidores, explicou o diretor Celso Duarte.
“A Vitoriawagen, sempre alinhada com as estratégias do mercado e da montadora Volkswagen, está repassando em 100% aos nossos clientes os incentivos comerciais da marca, bem como analisar cada negociação e sempre mantendo nossos clientes fiéis a marca”, disse.
O diretor da Vitoriawagen disse que há incentivos nas linhas Jetta, T-Cross, Nivus, Polo, Tera, Saveiro e Taos nas concessionárias da Volksvagen. “As montadoras chinesas vem trazendo produtos com tecnologias e com preços competitivos, promovendo assim uma adaptação tanto de novas tecnologias nas marcas tradicionais como reequilíbrio de preços, a fim de não perder mercado”, apontou.
Seminovos também tiveram redução de preço
Com o crescimento do mercado de veículos elétricos e a queda no valor dos carros zero-quilômetro, o reflexo é direto nos seminovos. Segundo André Paullo, diretor da Associação de Revendedores Independentes de Veículos do Estado (Arives), o fenômeno ocorre porque o setor espelha o mercado de carros novos.
Veículos seminovos na faixa de R$ 120 mil a R$ 200 mil passaram a concorrer diretamente com os modelos novos, exigindo reposicionamento. “Quem puder girar esse estoque e vender esses meios mais rápidos, eles vão ter que baixar o preço”, explicou Paullo, ressaltando que a demora no ajuste pode causar prejuízos por depreciação.
Esse movimento “empurra o mercado para baixo”, beneficiando e facilitando para o consumidor adquirir veículos mais modernos por valores menores. “O cenário atual é extremamente favorável, uma vez que o mercado oferece maior acessibilidade, mais opções e veículos com tecnologia superior a custos mais competitivos”, disse.