sábado, 2 de maio de 2026

Inadimplência recua pelo terceiro mês seguido e mais de 10 mil capixabas saem do vermelho

Pagar contas em dia voltou a caber no orçamento de parte dos capixabas. Em fevereiro, 10,2 mil pessoas conseguiram sair da inadimplência no Espírito Santo, movimento que aponta para uma tendência de melhora gradual nas finanças das famílias e traz novo fôlego ao consumo.

A inadimplência, que representa o percentual de pessoas com contas em atraso, registrou queda pelo terceiro mês consecutivo no estado.

Com recuo de 0,3 ponto percentual em relação a janeiro (33,9%), o índice chegou a 33,6% em fevereiro. Já o endividamento, que indica o número de famílias com dívidas ou contas a pagar, também apresentou retração. Em fevereiro, a taxa ficou em 89,3%, uma queda de 0,2 ponto percentual frente a janeiro. A redução indica menor comprometimento mensal da renda com obrigações financeiras.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O avanço foi puxado por diferentes faixas de renda. Entre as famílias com rendimento de até 10 salários mínimos (R$ 16.210), a inadimplência caiu de 38% para 37,8%, permitindo que cerca de 4,3 mil pessoas regularizassem suas pendências. Já entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, aproximadamente 5,9 mil capixabas deixaram a condição de inadimplência.

Além disso, cresceu a capacidade de pagamento das dívidas em atraso. Entre as famílias que ganham até R$ 16.210, o percentual das que afirmam conseguir quitar totalmente seus débitos no próximo mês subiu para 15,1%. No grupo de maior renda, esse índice avançou de forma mais expressiva, alcançando 26,3%.

O estudo do Connect Fecomércio-ES apontou ainda que o comportamento na quitação das dívidas também variou entre os grupos. Famílias com renda de até 10 salários mínimos priorizaram débitos mais antigos, com atraso superior a 90 dias, cujo percentual caiu de 61,4% para 59,7%. Já entre as famílias de maior renda, houve aumento no pagamento de dívidas mais recentes, indicando uma estratégia distinta de organização financeira.

Outro dado relevante é a queda no valor médio das dívidas. Em janeiro, segundo dados do Serasa Experian, a dívida média no Espírito Santo foi de R$ 5.857,76, representando redução de R$ 58,72 em relação a dezembro de 2025.

Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, esse movimento tem impacto direto no bem-estar das famílias. “A queda do endividamento reduz a rigidez do orçamento doméstico e melhora a capacidade de pagamento, abrindo espaço para o consumo. Isso é fundamental em um ambiente de crédito mais caro”, explicou.

Cartão de crédito
O contexto, no entanto, ainda exige cautela. Em janeiro, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 37,95% ao ano, o maior nível desde 2017. Mesmo assim, o cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento, presente em 92% das famílias com renda de até 10 salários mínimos e em 98,7% das famílias de maior renda.

Entre as famílias que recebem até R$ 16.210, outras modalidades como crédito pessoal, carnês e crédito consignado continuam relevantes, embora algumas tenham apresentado leve queda. Já entre as de maior renda, o financiamento imobiliário, o crédito pessoal e o financiamento de veículos permanecem como principais formas de endividamento.

Outro ponto de atenção é o aumento do tempo médio de comprometimento financeiro. Em fevereiro, as famílias com renda de até 10 salários mínimos permaneceram, em média, sete meses endividadas, enquanto aquelas com renda superior registraram média de 6,8 meses.
Em meio às dívidas e inadimplência, o crédito consignado ganha espaço como alternativa de reorganização financeira. “Há uma migração gradual para modalidades com menor custo, como o consignado, que permite substituir dívidas mais caras e melhorar a previsibilidade do orçamento”, destacou Spalenza.

Segundo ele, o movimento não indica necessariamente aumento do consumo, mas sim uma mudança na forma como as famílias administram suas dívidas. “O consumidor está mais estratégico. Ele busca reduzir o custo financeiro e ganhar fôlego no orçamento, o que tende a influenciar positivamente os indicadores nos próximos meses”, ressaltou.

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