O Banco Central (BC) divulgou que a elevação de tarifas de importação dos Estados Unidos contra o Brasil em 2025 foi mais impactante para a atividade do Espírito Santo, Maranhão, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
Em Boletim Regional 2025, o BC disse que o tarifaço reduziu em US$ 2,7 bilhões as exportações brasileiras aos EUA naquele ano. A queda foi de 6,7% em relação ao ano anterior.
A autoridade monetária declarou que a magnitude foi moderada, de cerca de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e 0,8% do total das exportações do Brasil no mundo. Apesar disso, o BC disse que o tarifaço teve relevância variada entre regiões e Estados.
As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte das exportações para os Estados Unidos. O impacto foi mais “pronunciado” tanto em valor como em volume, especialmente de agosto a novembro daquele ano, quando vigoraram as tarifas mais elevadas.
O Estado mais afetado quando a queda é comparada com o nível de atividade foi o Espírito Santo. A retração equivaleu a 0,55% do PIB do Estado. O efeito predominante foi via redução de volume, o que sinaliza que houve um movimento de choque tarifário.
Maranhão (-0,42%), Rio de Janeiro (-0,35%) e Mato Grosso do Sul (-0,35%) foram os outros Estados mais impactados. Por regiões, os maiores impactos ficam no Sul (-0,23%) e Sudeste (-0,14%). Os percentuais correspondem à queda das exportações de cada Estado para os EUA como proporção do PIB.
O Banco Central disse que há evidências de que parte das exportações pode ter sido redirecionada para outros mercados. Um dos elementos para essa defesa é o crescimento das exportações totais do Brasil no período.
Os Estados Unidos implementaram tarifas de importação em abril de 2025, no Liberation Day, para produtos de todos seus parceiros comerciais com o intuito de diminuir o seu déficit na balança comercial. Em julho daquele ano, anunciou um incremento das tarifas para produtos brasileiros.
As exportações do Brasil para os EUA recuaram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025, uma queda de US$ 2,7 bilhões, ou 6,7%.
A redução concentrou-se no Sudeste (de US$ 28,7 bilhões para US$ 27,0 bilhões) e no Sul (de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões). No Centro-Oeste, as exportações para os EUA permaneceram praticamente estáveis, enquanto no Norte e no Nordeste houve ligeira alta, embora se trate de valores absolutos menores, mais sujeitos a oscilações pontuais.
As exportações totais do Brasil passaram de US$ 337,0 bilhões em 2024 para US$ 348,3 bilhões em 2025, alta de 3,3%. As exportações para os demais países avançaram de US$ 296,7 bilhões para US$ 310,6 bilhões.
“Esse comportamento sugere que, ao menos em parte, houve redirecionamento de exportações para outros mercados”, disse o BC.
Nos meses anteriores a agosto de 2025, antes do aumento das tarifas contra o Brasil, o recuo havia sido mais moderado, possivelmente refletindo o aumento da incerteza. O BC disse que parte foi compensada por uma possível antecipação de compras por importadores norte-americanos.
De agosto a novembro de 2025, a queda foi mais intensa depois do choque tarifário maior. Segundo o BC, diversos produtos com presença relevante na pauta exportadora para os EUA registraram queda nas vendas para aquele país no período, enquanto as exportações dos mesmos produtos para outros mercados apresentaram crescimento.
A queda do valor nas exportações brasileiras para os EUA nesse período foi de 25,1% de agosto a novembro de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em volume, o recuo foi de 22%.
A retração foi disseminada na maioria das regiões: o Sudeste registrou queda de 25,3% em valor e 22,3% em quantum; o Sul, de 43,9% em valor e 42,5% em quantum; e o Centro Oeste, de 40,5% em valor e 36,8% em quantum. O Norte também ficou negativo (-14,4% em valor). Apenas o Nordeste registrou alta nesse período (13,6% em valor), impulsionado pelo crescimento de quantum (38,9%), relacionado às exportações de aço pelo Ceará.
As maiores quedas de volume no período concentraram-se no Paraná (-55,7%), em Minas Gerais (-48,9%) e em Santa Catarina (-38,8%). “Essas quedas de dois dígitos evidenciam que o impacto tarifário foi severo em termos de volume embarcado no período mais crítico”, disse o BC.
A autoridade monetária disse que, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a IEEPA, lei federal americana que autoriza o presidente dos EUA a declarar emergência nacional e regular o comércio internacional, não autorizava o presidente norte-americano, Donald Trump, a impor tarifas com base nessa legislação.
O republicano recorreu a outra base legal, a seção 122 do Trade Act de 1974, para impor tarifas temporárias de 10% sobre importações de todos os países.