
A aproximação de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, é o principal motor que deve impulsionar a alta nas vendas de TVs, com projeções que variam de 15% a 44% de crescimento nos volumes comercializados. O consumidor tem buscado telas gigantes para assistir às partidas de forma imersiva.
Atentos à demanda sazonal da competição esportiva, parte dos fabricantes de televisão vem segurando o repasse do aumento nos preços de chips de memória, além de promover aparelhos lançados em 2025.
Pesquisa da NielsenIQ mostra que a média de preços dos dez aparelhos de TV mais vendidos no varejo brasileiro caiu 4% entre a primeira semana de abril e a segunda semana de maio.
Entre os dez aparelhos mais vendidos, três não são lançamentos. No período analisado, estas TVs que não são novidades no mercado apresentaram queda de 17% nos preços.
A torcida da indústria é para que a seleção brasileira tenha bom desempenho, para “esticar” a temporada de vendas no primeiro semestre. A Copa do Mundo tem início em 11 de junho e vai até 19 de julho, com jogos no México, no Canadá e nos Estados Unidos.
“Quanto mais a seleção brasileira progride na competição, mais chances de esticar as vendas de TVs”, afirma o líder de tecnologia e duráveis para NielsenIQ, Mateus Bando.
A Casas Bahia projeta uma aceleração ainda mais expressiva durante o Mundial, com expectativa de crescimento de cerca de 40% na demanda por televisões no período. Entre os modelos de 65 polegadas ou mais, a procura deve mais que dobrar, refletindo a busca dos consumidores por uma experiência mais imersiva para acompanhar os jogos.
*Telas maiores*
A demanda dos torcedores por telas maiores e aparelhos mais conectados para a Copa esbarra em um cenário de juros elevados e crédito mais caro.
“O mercado opera hoje em um nível de vendas superior ao do início da década e oferece um portfólio amplo de smart TVs [aparelhos inteligentes]. A decisão de compra, no entanto, depende sempre do orçamento e das preferências de cada família”, diz o presidente executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento.
Os dados da Eletros mostram que, de 2010 a 2025, as vendas de televisores acompanharam os ciclos da Copa do Mundo (ver o infográfico). A exceção foi a Copa do Catar, realizada em novembro de 2022.
“O mercado ficou praticamente estável [em 2022], com leve alta de 0,5%, em parte porque a pandemia [em 2020] antecipou a troca de aparelhos e porque o torneio ocorreu no segundo semestre, muito próximo da Black Friday e do Natal”, afirma Nascimento.
Este ano, a Eletros mantém a projeção de 14,7 milhões de aparelhos vendidos, um aumento de 5% nas vendas em relação a 2025, conforme informou o Valor em fevereiro. No ano passado, o mercado cresceu 3%.
A queda do dólar ajudou fabricantes a segurar o repasse dos custos de chips de memória e adiar o reajuste para o segundo semestre. Por outro lado, o mercado já sente o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz, em virtude do conflito no Oriente Médio, nos custos de frete, obserBando, da NielsenIQ.
“Os fabricantes conseguem diluir o aumento de custos em TVs com telas grandes, a partir de 65 polegadas, que são os modelos mais procurados pelos consumidores para esta Copa”, ele afirma.