A possibilidade de mudanças na jornada de trabalho ainda representa um desafio para a maior parte das empresas brasileiras.
Uma pesquisa realizada pela Catho, plataforma de empregos pioneira no Brasil, revela que 89% das organizações não se consideram totalmente preparadas para uma eventual alteração na escala 6×1.
Entre elas, a maioria afirma estar apenas parcialmente preparada, pouco preparada ou nada preparada para lidar com um novo cenário, indicando que ainda há um longo caminho de adaptação operacional.
A necessidade de mudanças também aparece de forma clara na pesquisa. Segundo o levantamento, 62,8% das empresas afirmam que precisarão promover adaptações na operação, revisando a forma como organizam equipes, distribuem jornadas e estruturam processos internos para manter a continuidade das atividades.
Quando questionadas sobre quais medidas pretendem adotar, a maior parte das organizações aposta na reorganização da força de trabalho. Cerca de 38% pretendem redistribuir escalas e jornadas, enquanto 10% planejam ampliar o quadro de colaboradores, demonstrando que, para parte das empresas, a adaptação pode representar uma oportunidade de geração de empregos, ainda que essa não seja a estratégia predominante.
Ao mesmo tempo, 29% afirmam que ainda não definiram como irão conduzir esse processo de adaptação, indicando que parte das empresas ainda está estruturando suas estratégias internas para responder a um eventual novo cenário.
“A pesquisa mostra que o debate sobre uma eventual mudança na jornada de trabalho envolve muitos pontos além da escala em si, como planejamento, capacidade de adaptação e revisão de processos, ao mesmo tempo que as empresas precisam equilibrar produtividade e bem-estar dos colaboradores. O principal é que antes de qualquer decisão sobre contratações, a maior parte das organizações ainda está buscando entender como reorganizar sua estrutura para responder a essa transformação”, explica Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho.
Entre os principais desafios apontados pelos empregadores estão questões diretamente ligadas à rotina, como a adaptação da operação, a manutenção da produtividade, a cobertura das escalas de trabalho e a revisão de processos internos para garantir eficiência sem comprometer o atendimento ao cliente ou a entrega de resultados.
Para Suzuki, uma mudança na jornada de trabalho exigirá das companhias planejamento e gestão mais eficiente das equipes.
“O momento de planejamento é agora. As empresas que começarem a revisar processos e investir em uma gestão mais estratégica das equipes estarão mais preparadas para adaptar suas operações com menos impacto, preservando tanto a produtividade quanto a experiência dos colaboradores”, destaca Patrícia.
Segundo a diretora, esse processo de adaptação passa por algumas medidas que podem ser iniciadas desde já, como o mapeamento das atividades que exigem maior cobertura operacional, a revisão das escalas de trabalho, a redistribuição das equipes de acordo com a demanda, a automação de processos repetitivos e o acompanhamento de indicadores de produtividade.
“O objetivo é ir além da adequação da jornada, tornando a operação mais eficiente e sustentável para o negócio e para os profissionais”, conclui a porta-voz.