terça-feira, 28 de julho de 2026

Nem toda anemia é falta de ferro: saiba mais sobre o problema

 

Caracterizada pela diminuição dos glóbulos vermelhos no sangue, a anemia normalmente é associada pelas pessoas à falta de ferro. Mas, embora a anemia seja o tipo mais comum da doença, ela não é o único existente. A Explicação do problema pode estar em fatores genéticos ou até mesmo na falta de vitamina B12.

De acordo com o hematologista Douglas Covre Stocco, entre os diferentes tipos de anemia, está a hemolítica, que ocorre quando os glóbulos vermelhos se destroem antes que o organismo o recomponha por meio da produção realizada na medula óssea. A doença pode ter origem genética ou surgir a partir de outras doenças e tratamentos de saúde.

A anemia falciforme e a talassemia são outros tipos hereditários, que se caracterizam por uma alteração no formato dos glóbulos vermelhos. Com isso, as células do sangue ficam mais frágeis e podem se romper mais facilmente. Sua característica é uma alteração no formato dos glóbulos vermelhos, tornando as células sanguíneas mais frágeis e fáceis de se romper.

Dentro do grupo das anemias que podem ter origem hereditária, ou seja, passarem de geração em geração, Douglas aponta que a anemia aplásica é a mais rara e grave. Ela acontece em função de um defeito do sistema imunológico, que acaba gerando a destruição das células tronco, ou seja, dos glóbulos brancos e vermelhos, além das plaquetas. Por esse motivo, trata-se de uma doença autoimune, que afeta principalmente crianças e adolescentes.

Mas existe também a anemia macrocítica. O especialista explica que o problema ocorre quando o corpo não absorve ou há perda de vitamina B12, que é muito importante para a formação dos glóbulos vermelhos no sangue.

Além de tudo isso, ainda existem as anemias secundárias a doenças crônicas e por infiltração ou má formação da medula óssea.

Sintomas

Fraqueza, indisposição, sonolência, falta de ar durante a realização de atividades mais intensas, queda de cabelo, unhas quebradiças. E muitas vezes o problema pode estar mesmo ligado à falta de ferro, já que sem ele as células vermelhas não são fabricadas. O problema afeta principalmente as mulheres.

Até 50% das mulheres em idade reprodutiva têm deficiência de ferro porque elas têm uma perda de ferro na menstruação e às vezes esse ferro sai numa quantidade maior do que a capacidade da mulher de absorver ferro pela alimentação. Mulheres com ciclo mais irregular, que têm perdas maiores de sangue, têm maiores chances de desenvolver a anemia”, explica Douglas.

No entanto, o sinal de atenção vale para todas as pessoas que descobrem a anemia justamente porque ela pode ser uma consequência de outras doenças, sejam elas cardíacas, pulmonares, renais ou intestinais, por exemplo. Douglas faz um alerta específico para os homens.

“Homens acima de 50 anos com anemia por deficiência de ferro precisam investigar o que está por trás dessa condição, principalmente a possibilidade de ser um câncer de intestino, que apesar de não ser a causa mais comum, é a mais preocupante delas”.

Para que haja tratamento adequado, é preciso investigar a causa da anemia através de exames de sangue anuais. Caso haja algum sintoma, a realização do exame deve ser antecipada.

No caso da anemia por deficiência de ferro, normalmente a reposição é feita por comprimidos ou medicações injetáveis. Mas, Douglas lembra que a alimentação é uma aliada fundamental. “As pessoas falam muito de feijão, mas existem outros alimentos que possuem mais ferro que ele. A carne vermelha é a campeã, pois além de ter mais ferro, é um ferro mais fácil de ser absorvido. Carnes brancas também possuem uma quantidade razoável de ferro. Já para quem não come carne, as folhas verdes, como taioba e couve, são uma opção”.

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