quarta-feira, 1 de julho de 2026

Mortes de idosos por quedas quase dobraram em 10 anos no Brasil.

 

Segundo o Ministério da Saúde, 63 idosos procuram atendimento hospitalar todos os dias no Brasil, após serem vítimas de queda da própria altura. Desse total, 19 não resistem e vêm a óbito. Os dados do MS também revelam que esse tipo de acidente tem crescido de forma acelerada no país. Em 2013, 4.816 idosos morreram vítimas de queda da própria altura. Já em 2022, esse número saltou para 9.592 óbitos.

Considerada a terceira causa de mortalidade entre as pessoas com mais de 65 anos, as quedas mataram 70.516 idosos, entre 2013 e 2022, no país. Apesar de os tombos serem frequentes durante a vida, é após os 60 anos que eles podem se tornar mais comuns.

João Antonio Matheus Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), explica que, com o envelhecimento natural, o corpo humano vai perdendo massa e força muscular, a chamada sarcopenia. “Essa perda de massa muscular faz com que os idosos tenham uma tendência maior de desequilíbrio, o que acaba gerando a maior parte dos acidentes”, aponta.

Contudo, não é apenas a perda de massa muscular que gera os acidentes. São diversas as causas de quedas, como, por exemplo, déficits neurológicos, alterações sensoriais, diminuição da mobilidade, problemas de equilíbrio, efeitos colaterais de medicamentos, problemas oftalmológicos e, não menos importante, um ambiente mal adaptado.

Dados do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) apontam que quanto maior a idade, maior o risco de queda. Isso porque, entre os idosos com 80 anos ou mais, em média, 40% deles sofrem ao menos algum tipo de queda todos os anos. De acordo com o Instituto, no período entre 2000 e 2029, das 135.209 mortes de idosos por queda:

17,57% foram de idosos de 60 a 69 anos;

26,31% foram de idosos com 70 a 79 anos;

56,12% foram de idosos com 80 anos ou mais.

Lívian Tononi, CEO e Fundadora da AZO Cuidados, explica que o principal desafio em evitar a queda de idosos é conscientizar familiares responsáveis da importância de seguir as orientações de prevenção de queda, em especial, fazer as adaptações para tornar o ambiente domiciliar mais seguro e evitar acidentes.

“Contar com a ajuda de um profissional capacitado e que supervisione o idoso também é crucial nessa prevenção, pois nem sempre os familiares têm tempo o suficiente para ficarem atentos o tempo todo”, diz a empresária.

“O papel do cuidador envolve uma abordagem desde avaliação de riscos, até a supervisão, assistência na mobilidade, monitoramento da medicação, estímulo da atividade física para fortalecimento, promoção de práticas seguras e a incorporação de comportamentos seguros. Ao desempenhar estas funções de maneira proativa, os cuidadores podem ajudar a reduzir significativamente o risco de quedas e contribuir para a saúde e para o bem-estar dos idosos sob seus cuidados”, ressaltou Lívian.

Entre as mudanças que podem diminuir os riscos de queda estão colocar interruptor próximo à cama, ter pisos com características antiderrapantes, evitar tapetes e instalar barras de apoio nos banheiros. Confira abaixo uma lista de dicas para adotar em casa com o objetivo de evitar quedas:

No quarto

Coloque lâmpada/lanterna e telefone perto da cama;

Os armários devem ter portas leves e maçanetas grandes para facilitar a abertura, assim como iluminação interna para ajudar na visualização dos pertences;

Dentro do armário, arrume as roupas em lugares de fácil acesso, evitando os locais mais altos;

Substitua lençóis e acolchoado por produtos feitos por materiais não escorregadios, como, por exemplo, algodão e lã;

Não deixe o chão do quarto bagunçado.

 

Na sala e corredor

Organize os móveis de maneira que tenha um caminho livre para passar;

Instale interruptores de luz na entrada das dependências para que não seja necessário andar no escuro;

Mantenha fios de telefone, elétricos e de ampliação fora das áreas de trânsito; nunca debaixo de tapetes;

Nas áreas livres, coloque tapetes com as duas faces adesivas ou com a parte debaixo não deslizante;

Não sente em cadeira ou sofás baixos, porque o grau de dificuldade exigido para se levantar é maior. Além disso, estes devem ser confortáveis e com braços;

 

Na cozinha

Remova os tapetes que promovem escorregões;

Limpe imediatamente qualquer líquido, gordura ou comida que tenham sido derrubados no chão;

Armazene a comida, a louça e demais acessórios culinários em locais de fácil alcance;

As estantes devem estar bem presas à parede e ao chão para permitir o apoio quando necessário;

Não suba em cadeiras ou caixas para alcançar os armários que estão no alto;

 

Na escada

Interruptores de luz devem estar instalados tanto na parte inferior quanto na parte superior da escada. Outra opção é instalar detectores de movimento que podem fornecer iluminação automaticamente;

Mantenha uma lanterna guardada em algum lugar próximo, em caso de falta de luz;

Remova os tapetes que estejam no início ou fim da escada;

No caso de carpete fixo, selecione aquele que tenha cor sólida (sem desenhos ou muitas formas) para que seja possível visualizar claramente as bordas dos degraus;

Coloque tiras adesivas antiderrapantes em cada borda dos degraus;

Instale corrimões por toda a extensão da escada, em ambos os lados. Eles devem estar em uma altura de 76 centímetros acima dos degraus.

 

No banheiro

Coloque um tapete antiderrapante ao lado da banheira ou do box para sua segurança na entrada e saída;

Instale barras de apoio nas paredes do banheiro;

Duchas móveis são mais adequadas;

Substitua as paredes de vidro do box por um material não deslizante;

Ao tomar banho, utilize uma cadeira de plástico firme com cerca de 40 centímetros, caso não consiga se abaixar até o chão ou se sinta instável.

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