quinta-feira, 21 de maio de 2026

Febre do Oropouche: órgão de saúde dos EUA alerta sobre risco de viagens ao ES

 

 

A grande incidência de casos da febre do Oropouche no Espírito Santo tem acendido o alerta até mesmo para autoridades de fora do Brasil.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), vinculado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, publicou, em sua conta no Instagram e também em seu site oficial, um aviso para quem pretende visitar o Espírito Santo, sobre o alto índice da doença no Estado.

Na postagem feita no Instagram, na última segunda-feira (16), há uma foto mostrando a Baía de Vitória, a Terceira Ponte e o 38º Batalhão de Infantaria (BI), em Vila Velha. Nela, o CDC destaca que o vírus tem sido associado a perdas fetais e deficiências congênitas, e também sugere que as gestantes discutam seus planos de viagem com seus médicos.

Já no site oficial do órgão, uma página fala sobre o vírus do Oropouche no Espírito Santo, com o Estado sendo destacado no mapa do Brasil como uma área com um elevado número de casos da doença no País.

O texto da página diz que todos aqueles que forem viajar para o Espírito Santo devem tomar certos cuidados, como se prevenir de picadas de insetos durante a viagem, e também por três semanas após a chegada, para evitar a possibilidade de transmissão do vírus para outras pessoas nos EUA. A doença é transmitida pelo mosquito Maruim.

Além disso, o CDC aconselha o uso de preservativos ou não ter relações sexuais durante a viagem, e por seis semanas após o retorno para casa. O órgão destaca que o vírus do Oropouche foi encontrado em sêmen, mas não se sabe se ele pode ser transmitido por meio do sexo. Nenhum caso de transmissão sexual do vírus foi relatado, conforme diz o texto.

O CDC também alerta que as grávidas devem reconsiderar viagens não essenciais ao Espírito Santo. Diz ainda que, se a viagem for inevitável, esses viajantes devem seguir rigorosamente as recomendações de prevenção do Oropouche.

Febre do Oropouche cresce em municípios do ES

Na segunda-feira (16), a Prefeitura de Mimoso do Sul divulgou, em suas redes sociais, que o município, localizado no Sul do Espírito Santo, registrou 157 casos da febre do Oropouche. Em vídeo divulgado no Instagram, o secretário municipal de Saúde, Eliedson Morini, e o técnico de vigilância ambiental Thiago Santiliano dão informações sobre a doença.

Já em Domingos Martins, na Região Serrana do Estado, a prefeitura informou, nesta terça-feira (17), que até o momento 27 casos de febre do Oropouche foram confirmados no município. Ainda segundo a prefeitura, a região de maior incidência no município tem sido o distrito de Biriricas.

Até o momento, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou uma morte em decorrência da doença no Espírito Santo. Um possível segundo óbito pelo Oropouche segue em investigação.

De acordo com a Sesa, até segunda-feira haviam sido confirmados cerca de 3,8 mil casos da doença em todo o Estado.

O que é o Oropouche

Segundo o Ministério da Saúde, é uma arbovirose causada pelo vírus Oropouche (OROV). O vírus é transmitido principalmente por um inseto da espécie Culicoides paraensis, conhecido como maruim.

Sua história é de décadas atrás: o OROV foi isolado pela primeira vez no Brasil em 1960, a partir de amostra de sangue de uma bicho-preguiça capturada durante a construção da rodovia Belém-Brasília.

Desde então, casos isolados e surtos foram relatados no Brasil, principalmente nos estados da região Amazônica.

Sintomas e tratamentos

São parecidos com os da dengue: febre, dor de cabeça intensa, dor muscular, náusea.

Segundo o Ministério da Saúde, os primeiros sintomas aparecem entre três e oito dias após a picada do inseto.

Não há vacina para prevenir ou combater o vírus. A pessoa precisa tratar os sintomas.

Outro perigo

Esse é um vírus que pode ter transmissão vertical, ou seja, passar da gestante para o bebê.

Segundo o coordenador do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen-ES), Rodrigo Rodrigues, se o vírus for transmitido no início da gravidez, podem ocorrer anomalias congênitas no bebê. Se for mais para o final da gestação, a criança pode nascer positiva, mas sem anomalias.

No Estado, um recém-nascido de Rio Novo do Sul, de Mimoso do Sul e dois de Iconha estão sendo investigados. Eles não nasceram com anomalias, mas podem ser positivos para a enfermidade.

Por que a epidemia no Espírito Santo?

Na visão da infectologista Ana Carolina D’Ettorres, o aumento dos casos da doença pode ser justificado pela globalização, com o maior trânsito de pessoas e cargas, que facilitam a transferência de vetores contaminados; e também pelo aquecimento global que favorece a proliferação do vetor.

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