quinta-feira, 19 de março de 2026

Diabetes tipo 5: saiba o que é nova classificação e se você pode ter a doença

A Federação Internacional de Diabetes (IDF, da sigla em inglês) reconheceu uma nova classificação para diabetes chamada de tipo 5. A medida é uma renomeação do “diabetes relacionado à desnutrição”, um diagnóstico que normalmente afeta adolescentes e jovens adultos magros e desnutridos em países de baixa e média renda.

Pesquisadores que estudavam essa forma menos comum de diabetes defendiam que ela fosse reconhecida como uma forma distinta da doença após estudos mostrarem mecanismos diferentes daqueles observados nos tipos 1 e 2.

Em janeiro deste ano, especialistas no tema se reuniram com representantes do IDF e da Associação Americana de Diabetes e apresentaram as evidências para a criação de uma classificação distinta.

Agora, a Federação reconheceu oficialmente a doença como diabetes tipo 5 durante o Congresso Mundial de Diabetes deste ano, que acontece nesta semana em Bangkok, capital da Tailândia. Além disso, o presidente da entidade, Peter Schwarz, anunciou a criação de um grupo de trabalho para desenvolver um diagnóstico formal e diretrizes terapêuticas para a doença nos próximos dois anos.

O grupo será co-presidido pela professora de Medicina e diretora fundadora do Instituto Global de Diabetes na Faculdade de Medicina Albert Einstein, nos Estados Unidos, Meredith Hawkins. A especialista é um dos grandes nomes por trás dos estudos sobre a forma da doença publicados nos últimos anos.

“O diabetes relacionado à desnutrição tem sido historicamente subdiagnosticado e mal compreendido. O reconhecimento da IDF como diabetes tipo 5 é um passo importante para aumentar a conscientização sobre um problema de saúde que é tão devastador para tantas pessoas”, diz a pesquisadora em comunicado.

De um modo geral, o diabetes é caracterizado como uma doença crônica que leva a níveis elevados de açúcar no sangue devido à má absorção de insulina ou à insuficiência na sua produção. A insulina é o hormônio produzido no pâncreas que retira o excesso de glicose da corrente sanguínea.

O tipo mais comum de diabetes, que responde por cerca de 90% dos casos, é o 2. Ele pode ser desenvolvido ao longo da vida e é geralmente associado a fatores como obesidade, sedentarismo e má alimentação. Nesses pacientes, as células beta do pâncreas, que produzem a insulina, ficam sobrecarregadas e deixam de funcionar adequadamente devido ao estilo de vida.

Já aqueles que têm diabetes tipo 1 nascem com uma doença autoimune, ou seja, em que o próprio sistema imunológico passa a atacar e destruir as células pancreáticas produtoras de insulina. Com isso, o organismo deixa de liberá-la, e o paciente passa a depender de injeções do hormônio.

No entanto, no diabetes tipo 5, os indivíduos desenvolvem o problema devido a um outro fator: a desnutrição. O mecanismo exato ainda não é completamente compreendido. Estima-se que ela afete de 20 a 25 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente na Ásia e na África, e os pacientes muitas vezes não vivem mais de um ano após o diagnóstico.

Ainda como “diabetes relacionada à desnutrição”, a doença foi descrita inicialmente há 70 anos e chegou a ser reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma patologia distinta em 1985, porém não entrou nos documentos oficiais de classificação e diagnóstico do diabetes elaborados pela entidade.

Ainda assim, “diabetes relacionada à desnutrição” é um termo que consta na Classificação Internacional de Doenças (CID), sistema de códigos que padroniza as patologias, de forma separada dos tipos 1 e 2.

“Os pacientes eram jovens e magros, o que sugeria que eles tinham diabetes tipo 1, que pode ser controlado com injeções de insulina para regular os níveis de açúcar no sangue. Mas a insulina não ajudou esses pacientes e, em alguns casos, causou níveis perigosamente baixos de açúcar no sangue. Esses pacientes também não pareciam ter diabetes tipo 2, que normalmente está associado à obesidade. Foi muito confuso”, explica Meredith.

Estudos conduzidos sobre a condição encontraram incidência alta em nações mais pobres. Em 2010, a pesquisadora americana fundou o Instituto Global de Diabetes e começou os esforços para desvendar o que levava aos problemas metabólicos nesses indivíduos.

“Acontece que as pessoas com essa forma de diabetes têm um defeito profundo na capacidade de secretar insulina, o que não era reconhecido antes. Essa descoberta revolucionou a forma como pensamos sobre essa condição e como devemos tratá-la”, afirma a professora.

Agora, ela espera que o reconhecimento como diabetes tipo 5 leve a uma maior atenção para a necessidade de uma melhor compreensão da doença e para o desenvolvimento de novos tratamentos:

“O diabetes relacionado à desnutrição é mais comum do que a tuberculose e quase tão comum quanto o HIV/AIDS, mas a falta de um nome oficial tem dificultado os esforços para diagnosticar os pacientes ou encontrar terapias eficazes. Tenho esperança de que esse reconhecimento formal como diabetes tipo 5 levará ao progresso contra essa doença há muito negligenciada, que debilita gravemente as pessoas e muitas vezes é fatal”.

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