quinta-feira, 21 de maio de 2026

Bariátrica x canetas emagrecedoras: o que leva à maior perda de peso depois de dois anos?

Pesquisadores mostraram que a gastrectomia vertical e o bypass gástrico foram associados a cerca de cinco vezes mais perda de peso do que injeções semanais de agonistas do receptor GLP-1, semaglutida (presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy), ou tirzepatida (presente no Mounjaro), ao final de dois anos.

A cirurgia bariátrica, também chamada de gastroplastia ou de redução de estômago, como é popularmente conhecida, é na realidade um termo que se refere a um conjunto de intervenções no sistema digestivo para auxiliar no emagrecimento de pacientes com obesidade e quadros graves.

Isso porque, geralmente, um estômago tem espaço para cerca de 1 litro a 1,5 litro de alimento. Porém, após a cirurgia, o órgão passa a ter a sua capacidade reduzida para apenas de 25 ml a 200 ml. Com isso, a sensação de estar “cheio” é maior, menos calorias são consumidas e, consequentemente, ocorre uma diminuição do peso corporal.

Aqueles que foram submetidos a uma das cirurgias bariátricas perderam em média 25 kg após dois anos, em comparação com 5,4 kg para pacientes que receberam uma prescrição de uma das canetas injetáveis por pelo menos seis meses (perda de peso total de 24% vs. 4,7%).

Já o grupo que recebeu semaglutida ou tirzepatida por um ano inteiro perdeu mais peso, mas significativamente menos do que pacientes submetidos à cirurgia bariátrica (perda de peso total de 7%). O que, em outras palavras, segundo os pesquisadores, mostra que a cirurgia bariátrica é mais benéfica a longo prazo.

Os resultados foram apresentados no último dia 17 na Reunião Científica Anual de 2025 da Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS).

“Ensaios clínicos mostram perda de peso entre 15% e 21% para GLP-1s, mas este estudo sugere que a perda de peso no mundo real é consideravelmente menor, mesmo para pacientes com prescrição ativa por um ano inteiro. Sabemos que até 70% dos pacientes podem interromper o tratamento em um ano”, aponta a autora principal do estudo, Avery Brown, residente em cirurgia da NYU Langone Health, em comunicado.

Após ajustes para idade, IMC e comorbidades usando a ponderação do efeito médio do tratamento, os pesquisadores compararam os resultados de 51.085 pacientes submetidos a GLP-1 e a cirurgias.

O estudo retrospectivo fez uma análise de eficácia comparativa usando dados de registros médicos eletrônicos do mundo real de pacientes do NYU Langone Health e do NYC Health + Hospitals com índice de massa corporal (IMC) que passaram por cirurgia bariátrica ou receberam prescrição de semaglutida ou tirzepatida injetáveis ​​entre 2018 e 2024.

“Em estudos futuros, buscaremos identificar o que os provedores de assistência médica podem fazer para otimizar os resultados do GLP-1, identificar quais pacientes são melhor tratados com cirurgia bariátrica em comparação com GLP-1 e determinar o papel que os custos diretos desempenham no sucesso do tratamento”, aponta o cirurgião bariátrico Karan R. Chhabra, professor assistente de cirurgia e saúde populacional da NYU Grossman School of Medicine.

Como são feitas as cirurgias bariátricas?

Também conhecida como bypass gástrico ou gastroplastia “Y de Roux”, a cirurgia bariátrica bypass é o procedimento mais realizado no país. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), corresponde a cerca de 75% de todas as operações do tipo.

Ela envolve dois momentos. No primeiro, o tamanho do estômago é reduzido drasticamente, deixando somente cerca de 10% da capacidade original. Isso é possível por meio do grampeamento de parte do órgão.

Na segunda etapa, é feito um desvio do intestino inicial, o duodeno. Com isso, o médico realiza uma anastomose, que é a junção do estômago remanescente com uma parte do intestino mais abaixo do duodeno, o jejuno.

Essa estratégia reduz a absorção de nutrientes, mas acelera a liberação de hormônios que promovem saciedade pelo fato de esse mecanismo ocorrer principalmente quando o alimento chega ao jejuno.

A cirurgia bariátrica sleeve, também conhecida como gastrectomia vertical, envolve uma redução menor do estômago, deixando de 15% a 30% do tamanho original.

O órgão é transformado também por meio do uso de grampos, mas num tubo estreito, sem alterar a conexão com o intestino – consequentemente, sem prejudicar a absorção de nutrientes. Por isso, a técnica tem se tornado mais comum. Ela promove um emagrecimento semelhante ao da cirurgia bypass.

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