Os candidatos à Presidência de República Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se enfrentaram no primeiro debate presidencial do segundo turno, em encontro promovido pela TV Bandeirantes.
O debate, com mediação de Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, durou cerca de duas horas, com 30 minutos de confronto livre entre os candidatos já no primeiro bloco.
O senador pelo Rio de Janeiro e o Presidente apresentaram propostas e responderam aos questionamentos do adversário no primeiro confronto direto entre eles na televisão neste pleito. Os candidatos apresentaram propostas, mas também trocaram acusações de corrupção, fizeram perguntas que deixaram o outro sem resposta, provocaram e envolveram familiares.
No primeiro bloco do encontro, Flávio explorou o caso que envolve a lobista Roberta Luchsinger, investigada em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do Presidente, em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.
Flávio perguntou a Lula se ele conhecia Roberta. O presidente respondeu que a Polícia Federal cuidará dela e voltou a afirmar que qualquer um, mesmo seu filho, será investigado em seu governo.
“Não sou um pai que protege o filho, como você foi protegido pelo seu pai […] Não escondo nem mando ministro embora porque não quis trocar diretor da Polícia Federal”, afirmou Lula, lembrando da saída do ex-juiz Sergio Moro do governo de Jair Bolsonaro (PL).
O Presidente, por sua vez, foi ao ataque com o caso Master, questionando diversas vezes sobre o destino de R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro teria pago ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Flávio voltou a se esquivar, como vem fazendo ao longo da campanha, e não esclareceu o destino do dinheiro, enviado para um fundo controlado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro. Em outro momento, o senador admitiu que o governo de seu pai “não teve o melhor resultado” na área da Saúde.
Lula desafiou Flávio a abrir seus dados bancários e telefônicos, para que a população possa saber “quem é quem”. Flávio saiu pela tangente. “Eu não tenho absolutamente nada a esconder. A questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora, sempre, não está na sua conta. Está em algum outro lugar.”
Propostas
Durante o debate ontem na Band TV, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) apresentaram propostas para o futuro mandato.
Flávio defendeu o endurecimento das penas contra integrantes de facções criminosas, a ampliação de vagas no sistema penitenciário e a redução das despesas públicas. Lula apresentou propostas de fortalecimento da indústria nacional, ampliação da atuação federal na segurança pública e valorização do salário mínimo.
Quando os candidatos foram questionados sobre produtividade, Lula afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria voltou a crescer e que o governo investirá em economia digital, com a atração de data centers.
Flávio respondeu que fará “o maior programa de mobilidade social da história do Brasil” e que conectará o governo à área de recursos humanos das empresas.
Os candidatos divergiram sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Flávio disse que escutou a população e que por isso mudou de ideia.