domingo, 25 de outubro de 2026

Borracheiro é investigado por liderar golpe de R$ 300 mil em banco digital capixaba

A Polícia Civil do Espírito Santo investiga um esquema criminoso que utilizava-se de cartões de crédito clonados para realizar transferências bancárias, via Pix, e que teria sido responsável por um prejuízo de pelo menos R$ 300 mil a uma fintech — banco totalmente digital — capixaba, com atuação em todo o Brasil. O nome da empresa não foi divulgado.

Segundo a polícia, esse valor é referente apenas a movimentações realizadas por clientes do Espírito Santo. No entanto, como o crime também foi cometido em outros estados brasileiros, a Polícia Civil acredita que o prejuízo pode ultrapassar a casa de R$ 1 milhão.

Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) na última quinta-feira (19), sendo três em Domingos Martins, na Região Serrana do Estado, e dois em Vitória.

Um rapaz de 24 anos, morador de Domingos Martins, foi apontado pelas investigações como o principal responsável pelo esquema criminoso. Segundo a polícia, ele conseguia dados de outras pessoas para criar os cartões clonados. A partir daí, utilizando-se dos limites desses cartões, as operações financeiras eram feitas.

De acordo com as investigações, o suspeito, que disse à polícia trabalhar como borracheiro, fez transferências bancárias indevidas para quatro pessoas: a namorada dele e três amigos. O total transferido pelo indivíduo, segundo a polícia, chegou a R$ 50 mil, sendo que somente para a namorada, ele teria transferido R$ 28 mil.

“Foi cumprido um mandado de busca e apreensão na casa dela. Ela falou que apenas emprestou a conta, que não sabia que era para fins criminosos e também não perguntou de onde ele estava recebendo esse valor. Era um cara de 24 anos, que se declara borracheiro e, de uma vez só, fez uma transferência de R$ 28 mil. E, segundo a namorada, ela não questionou nada”, disse o titular da DRCC, delegado Brenno Andrade.

Outro investigado, segundo o delegado, recebeu um valor de quase R$ 3 mil, e também não fez qualquer questionamento a respeito da origem do dinheiro.

Na casa do rapaz de 24 anos, os policiais apreenderam celulares, notebooks, cartões de crédito e maquininhas de cartão, entre outros itens, que serão encaminhados para perícia. O suspeito confessou o crime, mas não foi preso, uma vez que não foi caracterizado o flagrante.

No entanto, ele segue sendo investigado e poderá responder pelo crime de furto mediante fraude e também por organização criminosa. “Ele utilizou de dados indevidos para conseguir uma vantagem ilícita, sem que tanto pessoas que tiveram os dados utilizados de forma indevida, no cartão de crédito, quanto o banco soubessem”, destacou Andrade.

O delegado informou ainda que o investigado alegou que agia sob ordens de uma outra pessoa, que seria o cabeça dessa organização criminosa. Em depoimento, o suspeito disse que essa pessoa solicitava que, no momento das transferências, fosse espelhada a tela do celular dele e, a partir daí, o rapaz fazia as transferências de acordo com o que esse suposto mandante estipulava.

“A Polícia Civil agora vai tentar identificar essa outra pessoa, para saber se isso é verdade ou não”, frisou Brenno Andrade.

Empresa descobriu esquema criminoso pela dark web

As investigações tiveram início após a instituição bancária procurar a Polícia Civil, em novembro do ano passado, informando ter identificado uma movimentação suspeita nas contas de alguns clientes, em várias partes do País. A empresa constatou um pico no número de cadastramento de cartões de crédito em suas contas digitais, em um curto intervalo de tempo.

“Essa empresa notou um cadastramento indevido de cartões em todo o Brasil e ela passou para a Polícia Civil do Espírito Santo os criminosos, que estariam localizados aqui no Espírito Santo. Então, polícias civis de outros estados brasileiros também investigaram ou estão investigando esse mesmo tipo de crime”, ressaltou o delegado.

A partir da identificação das movimentações incomuns, a empresa fez uma pesquisa na chamada “dark web” — parte da internet que oferece um alto nível de anonimato e privacidade aos usuários — e descobriu que o nome dela estava sendo amplamente falado nesse ambiente, e que dados de cartões de crédito estavam sendo comercializados de maneira indevida.

“Ela procurou a delegacia e informou que alguns usuários estavam utilizando cartões de crédito clonados para cadastrar nas respectivas contas que eles tinham nessa instituição. Eles pegavam cartões de crédito clonados, faziam o cadastro e realizavam Pix desses cartões clonados para outras contas”, ressaltou o delegado.

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