Se no ano passado a pauta eleitoral foi precocemente adiantada, 2026 começou anunciando verdades que ainda não existem. Naturalmente, as especulações e os cenários se transformam conforme a volatilidade do mercado político, um acelerado frescobol de final de semana.
No recente carnaval, a avenida do sambódromo foi palco para o improvável desfile de Pazolini e Arnaldinho, o cravo e a rosa. Já os dias subsequentes trouxeram o anúncio da saída de dois deputados federais do Republicanos: “Amaro Neto e Messias Donato”. Somado a isso, o encontro entre Ricardo Ferraço e Meneguelli também mexeu com o imaginário de muita gente, embaralhando as desconhecidas cartas amareladas que estão sobre a mesa.
Aplicando o ditado de que “gato escaldado tem medo de água fria”, Meneguelli parece não querer ver o filme de 2022 se repetir. Ele possivelmente percebeu que os novos ventos que sacodem a política capixaba podem fechar as portas, mais uma vez, para as suas pretensões. Assim, ouvir Ferraço e considerar as possibilidades do “outro lado” torna-se um movimento estratégico de sobrevivência e de autopreservação, onde a fome e a vontade de comer devem ser controladas e cuidadosamente separadas.
Enfim, o filtro pragmático dos principais atores políticos do estado anda bem dilatado, beirando o sincrético “vale-tudo”, um diálogo interpartidário que, por ora, produz apenas diversificadas sequências de blefes e verdades que ainda não existem.
Weverton Santiago, Cientista politico.
As opiniões contidas no texto, são expressões do autor.