sábado, 6 de junho de 2026

Um em 5 jovens não estuda, trabalha ou busca emprego, aponta pesquisa

 

 

Um entre cada cinco jovens com idade entre 15 e 24 anos não estuda e não trabalha ou procura emprego. No Brasil, essa categoria chamada de “nem-nem” (NEET na sigla em inglês), era de 20,6% em 2023, segundo o estudo “Tendências Globais de Emprego Juvenil 2024”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No mundo, essa parcela de jovens que não estão envolvidos nem no mercado de trabalho nem na educação ou de treinamento foi de 20,4% no mesmo período.

Apesar desses dados serem considerados preocupantes, em 2020 os “nem-nem” representavam 26% no País, segundo a OIT, mas considerando que no período o mundo enfrentava a pandemia de covid-19.

Comparando o dado mais atual de 20,6% do Brasil, eram 16,1% na Argentina, 12,9% na China, 12,2% na Rússia, 25,9% na Índia e 31,7% na África do Sul.

Mais da metade dos jovens empregados ocupam postos informais. Apenas em economias de renda alta e média-alta, a maioria dos jovens possui empregos permanentes e seguros. Além disso, três em cada quatro jovens trabalhadores em países de baixa renda só conseguem trabalho autônomo ou temporário, segundo o estudo.

O diretor-geral da OIT, Gilbert Fossoun Houngbo, declarou que “não podemos esperar um futuro estável quando milhões de jovens em todo o mundo não têm acesso a trabalho decente, resultando em uma sensação de insegurança e incapacidade de construir uma vida melhor para si e suas famílias.”

Mas, segundo o relatório da OIT, o mercado de trabalho para os jovens mostrou sinais de melhora nos últimos quatro anos, com expectativa de crescimento contínuo até 2025.

Diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira destacou que assim como o Brasil, o Espírito Santo reduziu os percentuais de jovens que não estudam e não trabalham entre 2020 e o ano passado.

“No primeiro trimestre deste ano, 22% dos jovens brasileiros nem estudavam e nem trabalhavam. No Estado foi de 20%, ou seja, esse percentual ficou em um patamar abaixo da média nacional”.

Assistencialismo

Os dados mostram uma realidade que pode ser vista de diversos ângulos, segundo o presidente do Conselho Temático de Relações do Trabalho (Consurt) da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Fernando Otávio Campos.

Segundo ele, “para os que têm uma renda menor já vem convivendo com um assistencialismo que traduz sobrevivência sem necessidade de esforço e uma imagem que para ter uma vida muito melhor será necessário muitos anos de sacrifício”.

E completou: “Aos de classe mais elevada existe a expectativa de ter uma vida muito melhor com muito menos esforço através de mercados financeiros, bitcoins e construindo negócios próprios, porém neste mesmo cenário faltam informações sobre as realidades de sucesso”.

Vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin destacou que a federação, através do Senac, tem trabalhado junto as instituições públicas estaduais e municipais para mudar o cenário.

“Estamos enveredando os esforços, via Senac, nosso braço de formação profissional, para alcançarmos essa massa desorientada, sem expectativa de futuro e sonhos”.

Mercado de trabalho jovem

A parcela de jovens que não estão envolvidos nem no mercado de trabalho nem em atividades educacionais ou de treinamento no mundo foi de 20,4% em 2023. No Brasil, foi de 20,6% em 2023, segundo a OIT.

Em 2023, a taxa global de desemprego juvenil ficou em 13%, correspondendo a 64,9 milhões de jovens – o menor índice em 15 anos. A previsão é que essa taxa reduza para 12,8% até o final de 2025.

Pesquisa do Senai mostrou que 42% dos brasileiros de 14 a 24 anos conhecem pouco ou nada sobre a formação técnica. O desconhecimento é maior entre os mais novos, com menor escolaridade, quem estuda em escola pública e tem menor renda.

Vale destacar que a formação técnica abre portas no mercado de trabalho. Segundo o estudo, a chance para ex-alunos do Senai com curso técnico conseguir um emprego é de 84,4%, enquanto a média nacional para outras formações é de 56,6%.

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