A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e a Polícia Civil afirmaram, ontem, durante entrevista coletiva, que a exoneração do delegado Romualdo Gianordoli da subsecretaria de Inteligência, ligada à Sesp, ocorreu devido a uma quebra de confiança. A resposta foi decorrente principalmente de afirmações nas redes sociais por parte do delegado questionando sua exoneração do cargo.
Sob a gestão de Romualdo na Subsecretaria de Inteligência, foi realizada a operação que prendeu Fernando Moraes Pimenta, o “Marujo”, um dos traficantes mais procurados do Estado, há dois anos. E também a Operação Baest, que investigou possível lavagem de dinheiro, envolvendo empresários e pessoas em diversos setores. Realizada no ano passado, a Baest investigou 19 suspeitos e bloqueou mais de R$ 40 milhões.
Romualdo, que continua a atuar como delegado, afirmou nas redes sociais que delegados que participaram dessas operações foram afastados de suas funções estratégicas dentro da Sesp, mas que não foram apresentadas justificativas plausíveis para essas medidas.
A questão da exoneração de Romualdo, enfatizou o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, foi decorrente da forma como ele agiu no cargo, não registrando os relatórios da operação Baest nas plataformas utilizadas pela polícia.
“Descobrimos posteriormente que esses relatórios produzidos por ele foram feitos em plataformas fora da ferramenta que é auditável pela Corregedoria e pelo Ministério Público”.
Por conta disso, o secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, disse que não havia como Romualdo continuar como subsecretário naquele momento. “Ou seja, havia uma investigação sumária em andamento por suspeita de desvio de conduta, desvio de informações sigilosas. Isso era algo muito grave. Embora não tivéssemos comprovação desse fato, isso havia estremecido a relação da Polícia Civil”.
Arruda disse que solicitou que a Corregedoria apurasse afirmações do ex-subsecretário. “Quando ele vem a público e faz um vídeo, dizendo que a polícia estava corroída, e que o sistema era podre, imediatamente pedi à Corregedoria que tomasse providências: ‘O que ele está falando? De onde vem isso?’”.
Leonardo Damasceno afirma que está havendo desinformação. “Isso é a maior fake news. A gente tem que tomar cuidado, este é um ano eleitoral”, enfatizou.
O outro lado
O delegado Romualdo Gianordoli foi procurado e afirmou que o pronunciamento do secretário de Estado da Segurança, Leonardo Damasceno, ao afirmar que ele teria se apropriado indevidamente de dados da Polícia Civil, não apenas carece de fundamento, como beira o absurdo.
“Nossa equipe trabalhou diretamente com esses dados no exercício regular de nossas funções institucionais. Não se trata de qualquer acesso clandestino ou indevido, mas sim de conhecimento adquirido de forma legítima, técnica e profissional”, afirmou o delegado.
Segundo Romualdo, “o que se observa, na verdade, é um discurso desesperado, que tenta inverter a lógica dos fatos para proteger posições e preservar cargos. Em vez de enfrentar o mérito das informações e dos questionamentos apresentados, opta-se por atacar quem trabalhou seriamente com os dados”, afirma.