terça-feira, 27 de outubro de 2026

Bebê morre após parto e família acusa hospital de negligência no ES

Um bebê morreu um dia após nascer no hospital São Camilo, em Aracruz, no Norte do Estado. O pequeno Heitor sofreu uma hemorragia e traumatismo craniano, e acabou não resistindo. A família do recém-nascido alega que houve negligência por parte do hospital.

De acordo com a mãe da criança, Isabelly Rossi, o médico que fez o seu pré-natal e a acompanhou ao longo de toda a gestação havia orientado que ela fizesse cesariana, pois ter o neném por parto normal representava risco.

A jovem conta que repassou essa orientação aos médicos que realizaram o parto. No entanto, eles teriam ignorado a informação e optaram pelo parto normal. A criança nasceu na última sexta-feira (27). Isabelly conta que ficou cerca de 12 horas em trabalho de parto, mas não conseguiu colocar o bebê para fora.

“A todo momento eu perguntava: ‘meu filho está bem, está indo bem o parto?’, e elas: ‘sim, está indo bem’. Mas meu filho não descia”.

A equipe médica, então, teria decidido utilizar um instrumento, chamado fórceps obstétrico, para ajudar a tirar a criança.

“Eu estava na maca e tinham duas médicas. Elas só olharam uma para a outra e falaram: ‘vamos ter que usar’. E eu perguntei: ‘usar o que?’. Aí ela falou: ‘é um aparelho que vai te ajudar a abrir, para o seu neném descer’. A minha única pergunta foi: ‘vai machucar meu filho?’, e ela falou que não. Perguntei se meu bebê estava descendo e ela falou que estava. Aí eu falei: ‘então vai de novo. Tira meu neném daí. Está há muito tempo'”, relatou a jovem.

Segundo Isabelly, o procedimento não foi suficiente para fazer Heitor nascer e, depois de mais de 10 horas, os médicos optaram pela cesárea. “A médica que estava de frente para mim só abaixou a cabeça e falou: ‘desculpa, você não vai conseguir. Vamos para a cesárea’. A minha cesariana foi muito rápida, foram 20 minutos. Foi questão do pai do neném se arrumar, chegar na sala e o neném estar em cima de mim”.

A mãe do recém-nascido disse que o filho ficou com a cabeça deformada, mas que a equipe do hospital teria tentado esconder dela o ocorrido. “Eles cortaram o cordão umbilical e eu só vi muita correria. E toda vez que colocavam ele em cima de mim, tampavam a cabeça do meu filho, para eu não ver a deformação que ele teve. Eu só vi a cabeça do meu filho deformada quando eles trouxeram ele para o quarto, gelado já. Morto”, lamenta.

Agora, a jovem espera que a justiça seja feita e que a morte do pequeno Heitor seja devidamente apurada. “Meu filho nasceu vivo, interagiu comigo. Eu chamava meu filho e ele abria o olho, ele piscava. Ele chorou para mim. Meu filho veio do jeito que eu imaginei, do jeito que eu desenhei ele, com nove meses. Eu não quero que outras mães passem por isso, não quero que outras crianças tenham a vida retirada. Se tivessem me ouvido… Eu só pedi uma cesárea, só queria isso. Se eles fizessem a cesárea, meu filho estaria vivo comigo”, lamenta.

Por meio de nota, divulgada em suas redes sociais, o hospital São Camilo se pronunciou sobre a morte do recém-nascido. O hospital informou que a mãe do bebê chegou ao local em trabalho de parto e que, durante todo o processo, a equipe seguiu protocolos clínicos baseados nas melhores práticas da literatura médica, com o objetivo de garantir a segurança da mãe e do bebê.

Ainda segundo o hospital, “após algumas horas de evolução no trabalho de parto, utilizando todos os recursos necessários e prerrogativas para o parto normal, a equipe observou a necessidade de intervenção e decidiu realizar uma cesariana”.

O hospital São Camilo garantiu também que o caso “está sendo analisado com a devida seriedade”. A Polícia Civil também investiga o caso.

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