quinta-feira, 5 de março de 2026

500 mil crianças e adolescentes vivem na pobreza no ES

 

A pesquisa realizada pelo Unicef leva em consideração a pobreza multidimensional, que aponta características e consequências da desigualdade social

 

Um novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que cerca de 499 mil crianças e adolescentes vivem na pobreza no Espírito Santo. O número equivale a cerca de 51% da população de 0 a 17 anos.

 

 

A casa de Marli Machado está sempre cheia de crianças. Além de cuidar do filho, de 7 anos, ela também ajuda a cuidar de outros pequenos do bairro. A principal renda dela é o Bolsa Família, de R$ 450. Marli também faz algumas faxinas e recebe ajuda de vizinhos e de instituições de caridade.

 

 

A pesquisa realizada leva em consideração a chamada “pobreza multidimensional”, que aponta outras características e consequências da desigualdade social. Os parâmetros utilizados são, além da renda, a alimentação, a educação, o saneamento, o acesso a água, o acesso a informação, a moradia e o trabalho infantil.

 

 

“No Espírito Santo, a cada 100 crianças e adolescentes, 51 vivem em situação de pobreza. Ou seja, mais da metade. As condições observadas no Espírito Santo que mais afetaram o índice foi de renda, em segundo lugar a de saneamento e, em terceiro, a educação”, explicou a coordenadora do Unicef na região Sudeste, Luciana Phebo.

 

Apesar do número elevado, o Estado está abaixo da média nacional. No Brasil, 32 milhões de crianças e adolescentes vivem nessas condições, o que equivale a 63% da população dessa faixa etária.

 

 

No país, alguns índices se destacaram negativamente, como a educação. Em um ano, dobrou o número de crianças e adolescentes analfabetos.

 

 

Os números levantados são de instituições oficiais do governo federal e variam dos anos de 2019 a 2021. A coordenadora da Unicef disse que os dados sofrem influência das consequências da pandemia.

 

“A pandemia não só piorou a situação, mas piorou ainda mais para aqueles que já se encontravam mais vulneráveis”, destacou Luciana.

 

A pesquisadora citou ainda programas sociais do Espírito Santo que foram assertivos, mas frisou que há outros pontos para serem melhorados.

 

“Com relação à educação, é muito importante ir atrás das crianças e adolescente que saíram da escola e não voltaram. O Espírito Santo já faz isso muito bem e é um referência para outros estados. Na questão do saneamento, a política de acesso a água precisa ser priorizada”, frisou.

 

Para reverter o cenário de pobreza no País, a Unicef faz algumas recomendações:

 

– Priorizar investimentos em políticas sociais;

– Ampliar a oferta de serviços e benefícios às crianças e aos(às) adolescentes mais vulneráveis;

– Fortalecer o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente;

– Implementar medições e o monitoramento das diferentes dimensões da pobreza e suas privações por um órgão oficial do Estado;

– Promover a segurança alimentar e nutricional de gestantes, crianças e adolescentes, garantindo a eles(as) o direito humano à alimentação adequada e reduzindo o impacto da fome e da má nutrição nas famílias mais empobrecidas;

– Implantar com urgência políticas de busca ativa escolar e retomada da aprendizagem, em especial da alfabetização;

– Priorizar, no âmbito das respectivas esferas de gestão, a agenda de água e saneamento para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas;

– Implementar formas de identificar precocemente as famílias vulneráveis a violências, incluindo trabalho infantil;

– Promover e fortalecer oportunidades no ambiente escolar e na transição de adolescentes para o mercado de trabalho.

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