domingo, 4 de outubro de 2026

ArcelorMittal Wahine bodyboarding Pro está mais inclusivo nesta edição, na Serra

 

Inclusão, superação, desafiando limites, no esporte e na vida. As atletas PCD do bodyboarding entram no mar, neste mês, na praia de Jacaraípe, em Serra, no Espírito Santo.
Entre esta quinta-feira (18) e o dia 27, será disputada a edição 2024 da etapa brasileira do Circuito Mundial de Bodyboarding Feminino, o ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro. E a categoria PCD estará ainda mais inclusiva do que nos dois anos anteriores. Ao lado de mastectomizadas e amputadas, competirão, também, atletas com deficiência visual.
“Temos duas novidades nesta edição. Uma delas é a bateria composta por atletas com sequelas de doenças que ocasionaram a condição de cegueira ou deficiência visual. Uma iniciativa inédita no mundo, por ser a primeira bateria em competição oficial de bodyboarding composta por mulheres deficientes visuais. A outra é a de munir as atletas com informações de conteúdos educacionais pertinentes ao conceito de esporte e pessoa com deficiência”, explica o consultor da categoria PCD no evento, o professor Hudson Renato, técnico esportivo do Comitê Paralímpico Brasileiro – em atletismo e natação paralímpica.
E Hudson destaca o papel do evento. “O esporte é fundamentalmente um importante veículo de promoção da inclusão social de pessoas com deficiência. E quando o ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro abre as portas para a categoria PCD demonstra também o papel altruísta do evento, reconectando essas mulheres socialmente e esportivamente, por meio dos valores como a coragem, determinação, inspiração e igualdade”, completa.
Em busca de nova vitória – Entre as participantes está a pernambucana Carla Cunha, 42 anos, que estreou no torneio no ano passado, ganhando a categoria PCD. Agora, volta à praia de Jacaraípe, em busca de uma nova vitória. Carla amputou a perna após sofrer um grave acidente de moto em 2016.
“A vitória em 2023 foi bem significativa para mim, pois competi pela primeira vez apenas contra mulheres com o mesmo tipo de deficiência, e isso me colocou em situação de igualdade e me trouxe a vitória. Para este ano, as expectativas são as melhores possíveis. Darei o meu melhor, mostrando que o limite está na mente, e não em meu corpo. E espero me divertir muito nas ondas de Jacaraípe novamente”, afirma a atleta.
Carla destaca a importância do esporte e de torneios como o Wahine na busca da superação. “É um esporte que nos fortalece e nos impulsiona a assumir o controle de nossas vidas. O Wahine está ajudando a popularizar entre pessoas com deficiência e isso é inclusão. Que é a minha luta. E que venham mais e mais categorias, autistas, down e por aí vai”.
A atleta começou a praticar o bodyboarding em 2021. “Em 2022, passei a participar de alguns campeonatos para fomentar a inclusão no esporte e, assim, sigo até os dias de hoje. Sou apenas uma iniciante e tenho muito o que aprender. Mas, também, sou uma adoradora e incentivadora desse esporte que tanto me faz bem e merece ser compartilhado”.
Em Jacaraípe, Carla estará, mais uma vez, vivendo essa oportunidade de inclusão. E com um sonho: que logo a categoria PCD seja válida pela disputa do título mundial. “Com certeza. Estamos todos sonhando juntos por isso”.
A vice-campeã em 2023, Letícia de Oliveira Alves, de apenas 15 anos, também volta a Serra. “O Wahine é um evento muito especial para mim. O resultado do ano passado foi, sem dúvida, um dos melhores momentos da minha vida. Estou tratando de uma lesão no ombro, que limitou meus treinos, mas estarei lá para dar o meu melhor”, garante.
O evento
O ArcelorMittal Wahine Bodyboarding reunirá as principais atletas do ranking mundial, de cerca de 10 países, entre as quais a melhor bodyboarder do mundo no momento, a japonesa Sari Ohhara, que vai em busca do bicampeonato – campeã Profissional da edição 2023.
A etapa conta com cinco categorias: Pro Junior, Profissional e Master Woman – válidas pelo título mundial -, além de Open (Amador) e PCD (mastectomizadas, amputadas e deficientes visuais) – voltadas para inclusão e fomento.
O Wahine Bodyboarding Pro 2024 tem patrocínio máster da ArcelorMittal, do Governo do Estado do Espírito Santo por meio da Lei de Incentivo ao Esporte Capixaba, e da Prefeitura Municipal da Serra, com apoio de Coroa. Realização do Instituto Neymara Carvalho e da IBC.

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