sábado, 17 de outubro de 2026

Exportações do agro capixaba crescem 83% no primeiro semestre de 2024

 

Nos cinco primeiros meses de 2024, as divisas geradas com as exportações do agronegócio no Espírito Santo somaram mais de US$ 1,5 bilhão (ou R$ 8,3 bi), maior valor já registrado na série histórica, considerando o primeiro semestre do ano. Esse resultado representa um crescimento de 83% em relação ao primeiro semestre de 2023 (US$ 848,6 milhões).

O crescimento no valor de exportações do Estado é um contraste significativo em relação aos dados nacionais, em que índice do Brasil foi negativo em -0,35%. Mais de 1,3 milhão de toneladas de produtos do agro capixaba foram embarcadas para o exterior, representando um crescimento de 12% em volume.

As maiores variações positivas no valor comercializado foram para café cru em grãos (+214%), álcool etílico (+140%), carne bovina (+132%), mamão (+36%), celulose (+32%), café solúvel (+20%), chocolates e preparados com cacau (+19%), gengibre (+17%) e pimenta-do-reino (+11%).

Em relação ao volume comercializado, houve variações positivas para café cru em grãos (+210%), carne bovina (+162%) álcool etílico (+142%), mamão (+37%), café solúvel (+12%) e chocolates e preparados com cacau (+10%) e gengibre (+7%).

“O primeiro semestre de 2024 foi positivo para as exportações do agronegócio, que alcançaram o melhor resultado da série histórica para o período decorrente, principalmente, de preços internacionais favoráveis para boa parte de nossos produtos, além do elevado volume comercializado no complexo do café, que está se consolidando como o principal produto da nossa pauta de comércio exterior do agro”, comemorou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

Os três principais produtos da pauta das exportações do agronegócio capixaba – complexo cafeeiro, celulose e pimenta-do-reino – representaram 95,2% do valor total comercializado de janeiro a junho de 2024.

No acumulado do ano, nossos produtos foram enviados para 115 países. Os Estados Unidos se destacam como principal parceiro comercial, com 25% do valor comercializado. Além disso, a participação relativa do agronegócio nas exportações totais do Espírito Santo no trimestre foi de 29,7%.

“Esses dados mostram como estamos avançando com competitividade no cenário internacional e isso é fruto de muito trabalho e resiliência dos produtores e das agroindústrias do Espírito Santo, que conseguem atingir mercados em todos os continentes com produtos de qualidade e sustentáveis”, pontua Enio Bergoli.

De janeiro a junho deste ano, dez produtos se destacaram em geração de divisas. O complexo cafeeiro ficou em primeiro lugar com US$ 863,6 milhões (55,6%), seguido por celulose com US$ 532,9 milhões (34,28%), pimenta-do-reino com US$ 84,2 milhões (5,4%), carne bovina com US$ 14,2 milhões (0,91%), mamão com US$ 13,2 milhões (0,85%), chocolates e preparados com cacau com US$ 9,8 milhões (0,63%), gengibre com US$ 8,4 milhões (0,54%) álcool etílico com US$ 6,3 milhões (0,4%), carne de frango com US$ 3,1 milhão (0,2%) e pescados com US$ 2,9 milhões (0,19%).

Café segue em primeiro lugar

Desde o ano passado, o complexo cafeeiro passou a ocupar o primeiro lugar nas exportações do agro capixaba, impulsionado pelo café conilon que mais que triplicou o volume de sacas exportadas no último ano. Nos primeiros seis meses deste ano foram exportadas aproximadamente 3,8 milhões de sacas de café conilon, sendo 3,5 milhões de café cru em grãos e 296,5 mil equivalentes em solúvel. Além disso, outras 258,5 mil sacas de arábica foram comercializadas, perfazendo um total de quatro milhões de sacas de café no primeiro semestre.

“O complexo cafeeiro continua sendo o grande destaque das exportações do agronegócio, consolidando o principal arranjo produtivo agrícola como o primeiro em geração de divisas, superando e muito as exportações de celulose. E o café conilon, presente em cerca de 50 mil propriedades rurais capixabas, foi o grande responsável por impulsionar esse resultado do primeiro semestre, visto que essa espécie representa mais de 86% do volume exportado do complexo cafeeiro do Espírito Santo. No acumulado do ano, de todo o café conilon exportado pelo Brasil, cerca de 95% teve origem capixaba”, complementa Bergoli.

Neste primeiro semestre o Espírito Santo também foi o maior exportador brasileiro de pimenta-do-reino, gengibre e mamão, com participação em relação ao total nacional de 59%, 62% e 42%, respectivamente. Além disso, superou o Estado de São Paulo na comercialização do complexo cafeeiro, envolvendo café cru em grãos, solúvel e torrado/moído, conquistando a segunda posição no ranking nacional das exportações totais de café e derivados.

Ressalva acerca dos dados

A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), por meio da Gerência de Dados e Análises (GDN/SEAG), realiza mensalmente um levantamento detalhado das exportações do agronegócio capixaba, a partir dos dados originais do Agrostat/Mapa e do Comexstat/MDIC.

Em análise dos dados nas bases oficiais, notou-se uma inconsistência nos dados de exportações do agronegócio do Espírito Santo referentes aos meses de fevereiro e março de 2024, especificamente relacionada ao produto “Açúcar de cana” com código NCM 17011400.

De acordo com os registros disponíveis, constatamos que houve uma notável disparidade entre os valores e volumes de exportação do produto nos mencionados meses em comparação com dados históricos e informações fornecidas pelas indústrias sucroalcooleiras do Estado.

Os valores registrados, sendo US$ 10,2 milhões em fevereiro e US$ 11,1 milhões em março, juntamente com os volumes de 19,8 toneladas e 21,6 toneladas, respectivamente, destoam significativamente das médias históricas de exportação do produto pelo Estado, principalmente considerando que esses dados são referentes apenas ao primeiro trimestre de 2024.

Após consultas realizadas com as indústrias sucroalcooleiras e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, levantou-se a suspeita de que tais números possam ter sido inflados devido a possíveis erros no lançamento de notas fiscais ou ações de empresas de trading que atuam no Espírito Santo. Portanto, os dados de açúcar fora da curva foram desconsiderados nas análises. A Seag está em contato com as entidades responsáveis para sanar a inconsistência.

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