Em toda a história do Mercado Bitcoin, plataforma de ativos digitais líder na América Latina, nunca uma stablecoin (cripto vinculada a uma moeda fiduciária) havia aparecido entre os cinco criptoativos mais negociados por número de clientes da plataforma.
Isso mudou em 2026: a USDT, a maior criptomoeda de dólar digital, entrou no top 5 pela primeira vez, na terceira posição, atrás apenas de bitcoin e ethereum.
O dado, no entanto, não é uma surpresa repentina: olhando o ranking por volume financeiro, o aumento da representatividade das stablecoins já estava em curso desde 2024, quando a USDT alcançou o top 3 nesse critério.
Em 2025, a moeda pareada ao dólar já havia ultrapassado o próprio ethereum em volume negociado, dois anos antes de aparecer entre os ativos mais usados pelo cliente médio.
“O que os dados mostram é que o movimento em direção às stablecoins não começou agora. Ele começou por clientes institucionais, que costumam antecipar tendências, e só no primeiro semestre deste ano passou a se refletir também no comportamento do investidor de varejo. É um sinal de que o dólar digital está cada vez mais popular no Brasil e, muitas vezes, acaba sendo uma porta de entrada importante para o mercado cripto”, afirma Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin.
*Da USDT ao real digital*
Entre janeiro e julho de 2026, para cada R$ 100 negociados em bitcoin na plataforma, aproximadamente R$ 50 foram negociados em USDT e R$ 50 em USDC – um volume combinado de stablecoins em dólar equivalente ao do próprio bitcoin. Juntas, as duas moedas ocupam a 2ª e a 3ª posições entre os ativos mais negociados por volume no período.
O movimento não se limita ao dólar. Em 2026, a BRL1, stablecoin pareada ao real, entrou pela primeira vez no top 5 por volume financeiro – na 5ª posição, com um volume equivalente a R$ 11 para cada R$ 100 negociados em bitcoin.
Apesar disso, o ativo ainda não aparece no top 5 por número de clientes, o que indica um estágio inicial de adoção, concentrado em operações de maior valor, o mesmo padrão que a USDT registrou em 2024.
*A vida curta das memecoins*
A Shiba Inu ilustra um padrão oposto ao das stablecoins. Chegou a ocupar a 3ª posição no ranking por clientes em 2022 e 2023 – um volume expressivo de pessoas negociando o ativo -, mas nunca teve peso equivalente em volume financeiro, evidenciando que a maioria das operações envolvia valores pequenos.
A partir de 2025, o ativo saiu completamente do top 5 por clientes, dando lugar a outro fenômeno de ciclo curto, a TRUMP, que também não se sustentou e não aparece mais no ranking de 2026.
O recuo acompanha um contexto mais amplo do mercado: as principais corretoras do mundo reduziram em 79% as novas listagens de memecoins, de 196 no fim de 2024 para 41 no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento do setor. Apesar disso, o momento não significa o fim da categoria.
“Memecoins têm um padrão de comportamento bem definido: atraem um grande número de investidores por ciclo, geralmente com ticket baixo, e perdem espaço rapidamente quando a atenção da comunidade se dispersa. É um contraste direto com o que vemos nas stablecoins, cujo crescimento é mais silencioso, mas também mais duradouro”, explica Tota.
*Bitcoin segue líder*
Em meio a todas essas mudanças, o Bitcoin manteve a liderança em número de clientes e em volume financeiro em todos os seis anos analisados, à frente de qualquer outro ativo individual da plataforma.