A Black Friday ocorre oficialmente nesta sexta-feira (28) e promete movimentar R$ 5,4 bilhões no comércio brasileiro, conforme projeção da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Diante de tantas ofertas tentadoras, porém, os consumidores devem tomar cuidado para não cair em ciladas.
Um dos problemas mais comuns são os descontos falsos, quando uma loja alega que baixou os preços sem oferecer uma redução real, ou quando aumenta a cobrança antes da Black Friday para retomar o valor original e fingir que houve desconto.
Nesses casos, é interessante acompanhar o preço dos produtos com antecedência ou utilizar sites que permitem ver as variações nos últimos meses, evitando as falsas ofertas.
Comparar valores entre diferentes lojas também é essencial. Descontos muito abaixo da média merecem cautela, especialmente em sites pouco conhecidos. Nesses casos, vale conferir se a página informa CNPJ, checar o número na Receita Federal e confirmar a existência do endereço físico indicado.
A reputação da loja pode ser consultada em sites como Reclame Aqui e consumidor.gov.br. O Procon-SP, por exemplo, mantém uma lista de empresas não recomendadas.
Na hora de pagar, meios mais seguros são o cartão de crédito e intermediadores reconhecidos. Já operações por Pix oferecem maior risco, pois o ressarcimento costuma ser mais difícil. Por isso, desconfie de lojas que aceitam apenas transferência ou Pix.
Para quem busca eletrônicos, como celulares, roteadores, fones bluetooth e smartwatches, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) orienta verificar se o produto é homologado e tem o selo da agência.
Equipamentos clandestinos, comuns em promoções agressivas, podem superaquecer, causar choques, interferir em redes móveis ou Wi-Fi, expor dados do usuário e entregar desempenho inferior ao prometido.
- CUIDADOS
Confira as principais dicas do Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) para se prevenir durante as compras online na Black Friday: - – Planeje e pesquise antes de comprar: compare preços com antecedência e confirme se o desconto é real. Muitos lojistas aumentam o valor dias antes da Black Friday para simular promoções. Use sites que mostram o histórico de preços e faça uma lista do que realmente precisa, evitando compras por impulso.
- – Verifique a reputação da loja: confirme se o CNPJ está ativo, avalie a experiência de outros consumidores e verifique se a loja tem canais de atendimento. Desconfie de vendedores que não informam endereço físico ou oferecem preços muito abaixo do padrão.
- – Desconfie de ofertas irresistíveis: descontos muito altos podem indicar fraude, produtos falsificados ou danificados. Antes de finalizar a compra na Black Friday 2025, veja quanto o item custa em outras lojas para identificar valores fora da realidade.
- – Atenção ao método de pagamento: golpistas preferem Pix, boleto ou transferência, pois dificultam o ressarcimento. Priorize pagamento com cartão de crédito, que permite contestar cobranças, e verifique se o site possui ambiente seguro antes de inserir dados bancários.
- – Observe frete e taxas extras: alguns sites compensam descontos com fretes elevados ou cobranças adicionais escondidas. O fornecedor deve informar o custo total da compra. Avalie se o frete é compatível com sua região e desconfie de valores exibidos apenas no fim da compra.
- – Cuidado com o parcelamento: parcelar sem verificar juros pode comprometer o orçamento. O CDC (Código de Defesa do Consumidor) exige que o fornecedor informe juros, número de parcelas e total da compra. Prefira pagar à vista quando possível e confira se a parcela cabe no bolso.
- – Desistir de compras online: compras feitas pela internet, telefone ou fora da loja física podem ser canceladas em até sete dias após o recebimento, sem justificativa. O reembolso deve incluir o valor pago pelo produto e o frete. É permitido abrir e testar o item para verificar se atende às expectativas.
- – Desconfie de sites e e-mails fraudulentos: entre diretamente pelo site oficial da loja digitando a URL no navegador. Evite clicar em links suspeitos recebidos por e-mail, SMS ou redes sociais, pois eles podem levar a páginas falsas ou infectadas por malwares.
- – Promessa deve ser cumprida: o fornecedor é obrigado a honrar a oferta divulgada. Cancelamentos após a compra alegando “erro de sistema” ou falta de estoque são abusivos. Guarde prints, comprovantes e e-mails para comprovar anúncios e condições da compra.
- – Produto com defeito ou errado: se o problema aparecer nos primeiros sete dias, o consumidor pode desistir da compra. Após esse prazo, o fornecedor tem até 30 dias para reparar o item, senão o cliente pode exigir um novo produto ou reembolso. Mercadorias entregues com modelo, cor ou tamanho incorretos devem ser trocadas sem custo.
Erro na compra? Saiba onde reclamar na Black Friday
– Consumidor.gov.br: empresas têm até dez dias para responder reclamações na plataforma pública mantida pela Senacon.
– Procons: órgãos estaduais e municipais que orientam, fiscalizam e podem sancionar fornecedores.
– JEC (Juizado Especial Cível): alternativa gratuita para resolver conflitos de consumo de forma simples e rápida, sem necessidade de advogado para causas de até 20 salários mínimos.