terça-feira, 22 de setembro de 2026

Ações de modernização portuária colocam Vila Velha no centro logístico do país

Nos últimos anos, o Espírito Santo tem se destacado como protagonista no escoamento da produção nacional – especialmente de commodities. E Vila Velha, com seu complexo portuário multipropósito, assume importância estratégica neste novo ciclo, em que o mapa da logística brasileira redesenha rotas.

O Complexo Portuário de Vila Velha virou peça-chave no xadrez de cargas pesadas do país, onde grãos, contêineres, combustíveis e aço disputam espaço com eficiência, tecnologia e navios cada vez maiores. Administrado pela Vports, primeira e única autoridade portuária privada do Brasil, o porto canela-verde passou por uma transformação silenciosa, porém decisiva.

Dragagem, ampliação de acessos, modernização de armazéns, expansão de retroárea, conexão com ferrovias e revisão de normas permitiram a operação de navios “Panamax”, com até 245 metros de comprimento e 32,5 metros de largura.

O resultado dessas ações foi robusto e atualmente, o número de embarcações aptas a operar no complexo mais do que dobrou, saltando de 504 para 1.089 navios, o que reduz custos logísticos e aumenta a competitividade de Vila Velha no setor portuário brasileiro.

Novo ciclo econômico

Para o prefeito Arnaldinho Borgo, o Terminal Portuário de Vila Velha (TVV) é mais do que um modal de infraestrutura pesada – é estratégia de futuro.

“Vila Velha está preparada para o novo ciclo da economia brasileira. Investir em logística é garantir competitividade, empregos e desenvolvimento sustentável. O terminal portuário é um ativo decisivo para posicionar a cidade no centro das grandes rotas do comércio exterior”, destaca.

Diante deste cenário promissor, o desafio do porto de Vila Velha, além de melhorar sua interligação com a malha ferroviária, é aumentar sua capacidade para receber navios maiores, que operam sem transbordo e trabalham com transporte de longo curso, não com navegação de cabotagem.

Investimento em logística é essencial para o Estado, sobretudo neste processo de implantação da Reforma Tributária. O novo sistema de cobrança será baseado no consumo, e não mais na produção. Por isso, os investimentos feitos nos últimos anos – para aumentar a capacidade do TVV – foram tão importantes em sua preparação para atender demandas atuais e futuras.

Capacidade de armazenagem

Administrado pela Vports, primeira e única autoridade portuária privada do país, o Complexo Portuário de Vila Velha reforçou sua capacidade estática de armazenagem de granéis sólidos, que aumentou 270%, totalizando 191 mil toneladas desde o início da concessão.

Segundo a Vports, a dragagem e a melhoria dos acessos ao porto têm sido prioridades. Recentemente, a empresa investiu mais de R$ 30 milhões em melhorias nos Portos de Vila Velha e Barra do Riacho, garantindo maior capacidade operacional e serviços de qualidade superior.

Em Vila Velha, o porto é multipropósito e transporta contêineres, combustíveis, soda cáustica, gás liquefeito de petróleo (GLP), granéis sólidos (minerais e vegetais), veículos e cargas gerais, além de atender ao setor offshore. Essa diversificação de cargas reforça o papel estratégico de Vila Velha nos contextos estadual e nacional.

Avanços em tecnologia

A capacidade do TVV é sustentada por investimentos pesados em tecnologia. Um dos símbolos dessa virada é o VTMIS (Vessel Traffic Management Information System), sistema pioneiro no Brasil que opera como uma “torre de controle marítimo” 24 horas por dia, monitorando cada manobra, cada entrada e cada saída de navios.

Além disso, a balança ferroviária de Capuaba e o uso de balanças rodoviárias automatizadas, de novos softwares de modelagem matemática e de equipamentos de grande porte, elevaram significativamente o padrão operacional do Terminal de Vila Velha, assim como a exploração de uma nova retroárea no porto, com mais de 70 mil m², e a previsão de R$ 35 milhões em investimentos voltados à movimentação de contêineres, granito, fertilizantes e produtos siderúrgicos.

Infraestrutura e visão estratégica

Segundo Luiz Eduardo Dalfior, secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha (em exercício), o momento é de alinhamento entre infraestrutura e visão estratégica.

“A reforma tributária muda a lógica do desenvolvimento, que passa a ser orientado pelo consumo. Ter um porto moderno, conectado por ferrovia e rodovias, coloca Vila Velha em vantagem competitiva real para atrair investimentos e consolidar novas rotas logísticas”, afirma.

A retomada das operações ferroviárias, integrando Vila Velha à Estrada de Ferro Vitória a Minas e à Ferrovia Centro-Atlântica, também se somam a este desenho. É trilho, cais e tecnologia andando no mesmo compasso. No fim das contas, Vila Velha não apenas recebe navios maiores, recebe o futuro com calado mais profundo, visão mais ampla de médio e longo prazos e um porto cada vez mais seguro para ancorar o desenvolvimento capixaba.

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