terça-feira, 29 de setembro de 2026
Assembleia Legislativa aprova carteira para pessoas com fibromialgia e adequa burocracia para área para complexo da GWM

Assembleia Legislativa aprova carteira para pessoas com fibromialgia e adequa burocracia para área para complexo da GWM

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo aprovou nesta segunda-feira (28) a criação de uma carteira estadual de identificação para pessoas com fibromialgia. A medida integra um projeto que amplia a política de proteção a quem convive com a síndrome e busca facilitar o acesso a serviços de saúde, mobilidade, acessibilidade e inclusão social. O Projeto de Lei 523/2026 é de autoria dos deputados Marcelo Santos (União) e Hudson Leal (Agir) e altera a Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Fibromialgia, instituída pela Lei 12.086/2024, de iniciativa do deputado Denninho Silva (União). Entre as principais mudanças está a criação da Carteira Estadual de Identificação da Pessoa com Fibromialgia (CEIPF), documento específico destinado à identificação das pessoas diagnosticadas com a síndrome. A proposta teve requerimento de urgência apresentado por Marcelo Santos e foi relatada pela deputada Iriny Lopes (PT), que tem fibromialgia e abordou durante a discussão as dificuldades enfrentadas por quem convive com a condição. “Somente pessoas com fibromialgia, como a deputada Iriny Lopes, sabem o quanto ela é dolorosa”, afirmou Marcelo Santos. Ao apresentar seu parecer, Iriny falou sobre a imprevisibilidade dos sintomas. “Fibromialgia não tem dia nem hora de causar dores nas pessoas acometidas por ela”, disse. O projeto foi aprovado por unanimidade. GWM em Aracruz Na mesma sessão, os deputados aprovaram, em regime de urgência, uma adequação na legislação que autorizou a doação de uma área pública para a instalação do complexo automotivo da GWM (Great Wall Motor) em Aracruz, no norte do Espírito Santo. O Projeto de Lei 508/2026, encaminhado pelo Governo do Estado, altera a Lei 12.892/2026 para permitir que o terreno seja transferido diretamente à Great Wall Motor Brasil Aracruz Ltda., empresa criada pelo grupo chinês especificamente para implantar e operar o empreendimento no Estado. O complexo prevê investimentos superiores a R$ 4 bilhões. A área tem 1,738 milhão de metros quadrados e fica em Barra do Riacho. O terreno será utilizado para a instalação da planta industrial automotiva, incluindo unidades produtivas, estruturas logísticas e infraestrutura relacionada ao empreendimento. A Assembleia já havia autorizado anteriormente a doação das áreas à GWM. À época, porém, ainda não estava constituída a empresa que ficaria diretamente responsável pela implantação do complexo em Aracruz. Segundo mensagem do governador Ricardo Ferraço enviada à Assembleia, a alteração foi necessária após a GWM comunicar à Secretaria de Estado de Desenvolvimento a criação da nova pessoa jurídica. O governo afirma que a mudança não altera o tamanho da área, a finalidade da doação, os investimentos previstos, os encargos assumidos nem as condições para eventual reversão do imóvel ao patrimônio público. A legislação também mantém a Great Wall Motors do Brasil Ltda. como responsável solidária pelo cumprimento das obrigações assumidas pela nova empresa. O pedido de urgência para a votação foi apresentado pelo presidente da Assembleia, Marcelo Santos. O projeto foi relatado pelo deputado Mazinho dos Anjos (MDB) nas comissões reunidas e aprovado por unanimidade em plenário. Fotos: Natan de Oliveira

Tarifa dos EUA já afeta exportações de rochas ornamentais pelos portos do ES

Tarifa dos EUA já afeta exportações de rochas ornamentais pelos portos do ES

As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros já afetam, ainda que de forma limitada, as exportações de rochas ornamentais, como o granito, que passam pelo complexo portuário administrado pela Vports, no Espírito Santo. O setor tem reagido à nova realidade com a priorização de produtos de maior valor agregado e a busca por novos mercados, principalmente no Oriente Médio. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o diretor-presidente da Vports, Pedro Henrique Garcia Benevides, afirmou que, apesar da redução na quantidade de cargas enviadas aos Estados Unidos, o impacto sobre o faturamento tem sido proporcionalmente menor. “Por mais que tenha diminuído a quantidade de carga enviada, a relação de faturamento foi um pouco menos impactada, pois [o setor] preza pelos produtos mais caros, de maior valor agregado”, afirmou. Esta foi a primeira entrevista do executivo desde que assumiu o cargo, em julho. A Vports administra os terminais de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho e se tornou, após a desestatização concluída em setembro de 2022, o primeiro e único porto privatizado do Brasil, segundo a companhia. A diversificação dos mercados de destino pode resultar, na avaliação da autoridade portuária, na criação de novos corredores logísticos, na atração de rotas marítimas e no aumento da circulação de cargas pelo complexo. Para Benevides, esse movimento também pode gerar reflexos sobre a economia capixaba, com impactos na balança comercial e na geração de empregos ao longo da cadeia logística. Granito, ferro-gusa e café estão entre os principais produtos exportados pelos portos da Vports para os Estados Unidos. Considerando todos os destinos, a movimentação de granito e mármore, entre exportações e importações, somou 809 mil toneladas de janeiro a agosto, alta de 9% em relação ao mesmo período de 2025. O segmento representou 13% de toda a carga movimentada pelo complexo no período, equivalente a US$ 818 milhões neste ano. Segundo Benevides, o setor de rochas ornamentais tende a sentir de maneira mais intensa os efeitos das tarifas porque os produtos brasileiros passam a disputar o mercado americano em condições mais acirradas com fornecedores de outros países. A Índia, por exemplo, oferece produtos semelhantes e pode contar com condições competitivas de frete, logística e custos. A tarifa americana é de 37,5% para o segmento, com exceção do quartzito, cuja alíquota é de 12,5%. Apesar dos impactos sobre determinados setores, o caráter multipropósito dos terminais administrados pela Vports é apontado pelo executivo como um fator que ajuda a distribuir os riscos diante de crises externas e mudanças no cenário geopolítico. O complexo movimenta cargas diversas, incluindo veículos, máquinas e diferentes tipos de granéis, como fertilizantes, carvão e lítio. A expectativa da companhia é encerrar o ano com recorde de movimentação, próximo de 9 milhões de toneladas. Quando a gestão privada assumiu o complexo, a movimentação média anual era de aproximadamente 7 milhões de toneladas. A projeção mais conservadora da Vports é chegar a 10 milhões de toneladas movimentadas em 2029. A companhia contabiliza R$ 1,6 bilhão em investimentos realizados e contratados até o primeiro semestre de 2027, considerando também aportes feitos por parceiros. Para acompanhar o crescimento projetado da movimentação, a empresa avalia novas intervenções nos acessos ao complexo portuário. No transporte ferroviário, uma nova estrutura para movimentação de ferro-gusa entrou em operação neste ano no Porto de Capuaba, em Vila Velha. A instalação utiliza a ligação ferroviária existente entre Espírito Santo e Minas Gerais e integra a estratégia da Vports de ampliar a participação do modal ferroviário na movimentação de cargas. A companhia também identificou quatro intervenções em um trecho ferroviário próximo ao porto que poderiam ampliar a capacidade de acesso. Segundo Benevides, essas obras demandariam aproximadamente R$ 150 milhões em investimentos. No modal rodoviário, a Vports discute a implantação de um pátio de triagem nas proximidades do porto para organizar o fluxo de caminhões e evitar que o crescimento da operação provoque gargalos nos acessos e na relação entre o porto e a cidade. Outra frente considerada necessária para ampliar de maneira mais expressiva a capacidade do complexo é o canal de navegação. A forma de financiamento dessas novas intervenções ainda está em discussão. Uma das possibilidades seria a participação do governo do Espírito Santo, caso o Estado considere as obras estratégicas para o desenvolvimento regional. Internamente, porém, a alternativa mais discutida pela Vports é a conversão de pagamentos de outorga em investimentos em ativos federais. A proposta prevê que parte dos recursos destinados à outorga seja aplicada diretamente em obras de infraestrutura. “É um instrumento possível dentro do nosso contrato e dentro do governo federal também”, afirmou Benevides. As parcelas fixas e variáveis da outorga somam cerca de R$ 50 milhões por ano. Na avaliação da companhia, os investimentos poderiam elevar a capacidade e a competitividade dos ativos que, ao final da concessão, serão devolvidos à União. As intervenções também são consideradas importantes para um aumento mais expressivo da capacidade de movimentação no longo prazo. Caso os projetos de infraestrutura sejam viabilizados, Benevides estima que o complexo portuário administrado pela Vports poderá chegar a movimentar até 20 milhões de toneladas.