quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Projeto Conexões da Ciência reúne 30 protótipos desenvolvidos por estudantes em Anchieta

Projeto Conexões da Ciência reúne 30 protótipos desenvolvidos por estudantes em Anchieta

Estudantes do Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral (CEEMTI) Paulo Freire, em Anchieta, desenvolveram 30 protótipos como parte do projeto Conexões da Ciência. A iniciativa reuniu alunos das 1ª e 2ª séries dos cursos técnicos de Automação Industrial, Elétrica, Mecânica, Segurança do Trabalho, Energias Renováveis e Eletromecânica, com atividades que relacionaram conhecimentos de Física e Química à formação profissional. O projeto começou em uma aula de Física e foi desenvolvido ao longo de três meses. Nesse período, os estudantes trabalharam na concepção e construção dos protótipos, com acompanhamento dos professores de Física, Química e das disciplinas técnicas. A proposta foi aplicar conteúdos estudados em sala de aula na elaboração de soluções relacionadas às áreas de formação dos alunos. Ao final do percurso, os 30 projetos foram apresentados na quadra da escola, em uma mostra que contou com a visita das famílias e a participação de representantes das empresas LMI e Samarco. As empresas foram convidadas a avaliar os trabalhos e contribuir com a formação dos estudantes, aproximando as atividades escolares de situações relacionadas ao setor industrial. Para a professora de Física e idealizadora do projeto, Thiely Fonseca de Almeida, a construção dos protótipos permitiu que os estudantes aplicassem, na prática, os conhecimentos trabalhados em sala de aula. “A construção dos protótipos transformou a aprendizagem ao permitir que os estudantes saíssem da teoria e vivenciassem, na prática, a aplicação dos conhecimentos de Física e Química em suas áreas de formação técnica. Durante três meses, nossos alunos foram protagonistas do próprio aprendizado, enfrentando desafios, buscando soluções e desenvolvendo habilidades como criatividade, autonomia, trabalho em equipe e pensamento crítico”, afirmou. A estudante Eloá de Souza Cruz, do 1º ELM, do curso técnico em Eletromecânica, também destacou o contato com novas possibilidades de aprendizagem. “Eu gostei bastante das conexões de Ciências, porque achei muito interessante conhecer coisas novas e perceber como a ciência está presente em nosso dia a dia. Para mim, foi uma experiência diferente e que despertou minha curiosidade. Achei legal poder aprender de uma forma mais criativa e descobrir novas relações entre os assuntos”, relatou. Além da integração entre as disciplinas, a iniciativa trabalhou habilidades como planejamento, organização, comunicação e argumentação técnica, uma vez que os estudantes precisaram explicar o funcionamento dos protótipos aos visitantes e avaliadores.

Buser vence na Justiça e pode seguir operando no ES

Buser vence na Justiça e pode seguir operando no ES

A Justiça do Espírito Santo julgou improcedente uma ação movida pela Empresa Gontijo de Transportes contra a Buser e as empresas de fretamento Pedra Azul Turismo e Transirmãos, que buscava impedir a oferta, divulgação e realização de viagens em trajetos também atendidos pela companhia de transporte regulado. A sentença, proferida pela 7ª Vara Cível de Vitória no último dia 31 de outubro, representa a terceira decisão favorável à atuação da plataforma no estado e reforça o entendimento de que as autorizações para o transporte rodoviário interestadual não garantem exclusividade sobre as rotas. Na ação, iniciada em 2021, a Gontijo alegava que as empresas de fretamento, por meio da Buser, realizariam operações irregulares e praticariam concorrência desleal. A companhia solicitava a proibição das viagens nos trechos em que atua, incluindo ligações entre Vitória e cidades de Minas Gerais, além da retirada das ofertas da plataforma, sob pena de multa diária de pelo menos R$ 50 mil. Ao analisar o caso, o juiz Marcos Assef do Vale Depes rejeitou integralmente os pedidos da Gontijo. A sentença destaca que o transporte rodoviário interestadual de passageiros funciona sob um regime de autorização, caracterizado pela livre concorrência, e que a atuação de uma empresa em determinado trajeto não lhe assegura o direito de impedir a entrada de novos concorrentes. A decisão também aborda a exigência do chamado “circuito fechado”, regra que determina que viagens de fretamento sejam realizadas com o mesmo grupo de passageiros na ida e na volta. Segundo o magistrado, essa restrição está prevista em decreto e resolução administrativa, mas não diretamente em lei, e sua legalidade tem sido amplamente questionada na Justiça. A sentença cita decisões de diferentes Tribunais Regionais Federais que afastaram a aplicação dessa exigência como justificativa para impedir operações de fretamento intermediadas por plataformas digitais. Outro ponto destacado é que a fiscalização das viagens cabe à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável por autorizar e verificar o cumprimento das regras do setor. O juiz observou que a própria agência havia expedido licenças individuais para viagens realizadas pela Pedra Azul e que eventuais infrações administrativas devem ser apuradas pelo órgão regulador, não podendo servir automaticamente de fundamento para uma proibição ampla das atividades. A sentença também afastou a alegação de concorrência desleal, ressaltando que não foram demonstradas práticas fraudulentas ou condutas destinadas a confundir os consumidores. O magistrado destacou ainda que a preferência dos passageiros por preços mais baixos não constitui, por si só, uma prática de concorrência ilícita. “A decisão reforça que o transporte rodoviário brasileiro deve ser um ambiente de livre concorrência, em que diferentes modelos possam coexistir e o passageiro tenha liberdade para escolher como viajar. Impedir a atuação de novas empresas apenas para proteger mercados já estabelecidos significa limitar as opções dos consumidores. Seguiremos defendendo um setor mais aberto, competitivo e acessível para todos”, afirma Giovani Ravagnani, diretor jurídico da Buser. A sentença é de primeira instância e ainda está sujeita a recurso, mas se soma a outros entendimentos favoráveis à atuação da Buser no Espírito Santo. As decisões integram um debate jurídico mais amplo sobre a abertura do mercado de transporte rodoviário e a atuação de plataformas digitais no setor.