A temporada de Verão 2026 apresentou resultados positivos para o turismo no Espírito Santo. Dados da pesquisa oficial realizada pela Secretaria do Turismo (Setur), por meio do Observatório do Turismo, apontam fluxo de visitantes de praticamente todos os estados brasileiros com 100% de aprovação nos seis quesitos avaliados, sendo que cinco deles tiveram desempenho superior ao registrado em 2024. O levantamento foi realizado entre 09 e 25 de janeiro de 2026, em 17 municípios capixabas: Vitória, Vila Velha, Serra, Guarapari, Aracruz, Linhares, São Mateus, Conceição da Barra, Anchieta, Marataízes, Itapemirim, Piúma, Santa Teresa, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante, Dores do Rio Preto e Divino de São Lourenço. O objetivo foi identificar o perfil do turista, seus hábitos de consumo e avaliar a percepção sobre a temporada de verão, subsidiando o planejamento turístico de 2026. Um dos principais destaques da pesquisa foi o fortalecimento do turismo nacional. O Espírito Santo recebeu turistas de todas as regiões brasileiras. Apenas não houve registros de turistas dos estados do Piauí, Paraíba e Sergipe, na região Nordeste. Já as regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte registraram turistas de 100% de seus estados em terras capixabas. Os dados mostram que 58,3% dos turistas vieram de outros estados, enquanto 40,8% eram capixabas viajando dentro do próprio Espírito Santo. Entre os visitantes de fora, Minas Gerais consolidou-se como o principal emissor, representando 37,4% do total. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (8,16%) e São Paulo (4,72%). De todas as cidades de origem dos turistas, Belo Horizonte foi a que mais emitiu visitantes ao estado capixaba no Verão 2026, com 11,28%. Os municípios com maior presença de turistas de outros estados foram Serra (88,1%), Vila Velha (87,9%), Vitória (87,4%) e Guarapari (82,8%). Já entre os turistas capixabas viajando dentro do próprio estado, Linhares (93,3%), Aracruz (76,7%) e Venda Nova do Imigrante (75%) registraram os maiores percentuais. Vitória foi o destino com maior diversidade de origens, recebendo visitantes de 17 estados, além do Distrito Federal, do próprio Espírito Santo e de algumas origens internacionais. O percentual de turistas provenientes de outros países foi de apenas 0,9%, indicando um leve recuo em relação ao Verão 2024*, quando essa participação foi de 1,0%. Entre os visitantes estrangeiros registrados, destacam-se turistas oriundos de países como Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, Argentina, França, Guiana Francesa, Paraguai, Itália, Colômbia, Austrália, Venezuela, Alemanha e Bélgica, evidenciando a presença de viajantes de diferentes regiões do mundo, ainda que em proporção reduzida no total de visitantes. A faixa etária predominante entre os turistas foi de 41 a 50 anos, representando 29,2% do total. Em relação à escolaridade, 40,4% dos visitantes possuíam ensino superior completo, enquanto 35,6% tinham ensino médio completo. Quanto à renda familiar, 33,6% declararam ganhos entre 2 e 5 salários-mínimos, e 25,8% entre 5 a 10 salários-mínimos. A maioria dos turistas era casada, correspondendo a 61,3% do total, seguida pelos solteiros com 28,4%. Entre os 17 municípios pesquisados, apenas Divino de São Lourenço registrou mais turistas solteiros (48,3%) do que casados (40,0%). Anchieta apresentou o maior percentual de famílias viajando com crianças: 73,6%. No geral, 45,8% dos turistas que visitaram o Espírito Santo no Verão 2026 viajaram com crianças. O município também registrou a maior proporção de turistas mineiros (67,21%). Na sequência aparecem Guarapari (63,35%) e Serra (62,22%). O lazer foi o principal motivo da viagem para 86,36% dos turistas. Entre os fatores que influenciaram a escolha do destino, destacaram-se os atrativos naturais, mencionados por 57,24% dos entrevistados, como praias, rios, cachoeiras e montanhas. Sobre as fontes que os turistas usaram para ter mais informações para a escolha do destino, 49,25% já conheciam o local, 31,44% receberam indicação de parentes e amigos, e 12,76% buscaram informações nas redes sociais. Além disso, 40,7% organizaram a viagem na última semana antes do passeio. E apenas 3,5% afirmaram ter vindo ao Espírito Santo por meio de agência de viagens. A pesquisa também apontou que 65,7% dos turistas viajaram acompanhados por familiares. Entre os destinos pesquisados, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante apresentaram perfis distintos: em Domingos Martins, 53% dos turistas viajaram em casal, enquanto em Venda Nova do Imigrante 36,7% viajaram sozinhos. A principal forma de hospedagem foi o aluguel de casas e apartamentos (31,24%). Em seguida aparecem hotéis e pousadas (28,64%), fortalecendo a rede hoteleira local, e casas de parentes ou amigos (24,56%). Foi registrado também o modo como os turistas chegaram ao estado, sendo que 61,7% chegaram em carro próprio, 14,5% utilizaram ônibus de linha e 12,5% viajaram de avião. Entre os turistas capixabas, 87,5% utilizaram automóvel próprio. Durante a estadia, 88,3% dos turistas utilizaram serviços de bares, restaurantes, quiosques e outros estabelecimentos de alimentação. O impacto econômico do Verão em relação ao Gasto Médio Diário Individual (GMDI) foi de R$ 222,59 (duzentos e vinte e dois reais e cinquenta e nove centavos), representando um aumento de quase 43% se comparado ao Verão de 2024 e já considerando o fator de correção pelo IPCA/IBGE. Em 2024, o valor com a correção do gasto médio diário individual foi de R$ 155,70. A avaliação geral dos destinos apresentou aumento de aprovação em cinco dos seis quesitos avaliados, em comparação ao Verão 2024. A satisfação dos turistas foi um dos principais destaques: 98,6% afirmaram que recomendariam o Espírito Santo como destino turístico, e 90,9% disseram que suas expectativas foram atendidas ou superadas. Entre os itens avaliados: Gastronomia local: 92,3% de aprovação Segurança pública: 91,8% Receptividade e hospitalidade: 89,7% Sinalização turística rodoviária: 80,9% Limpeza pública: 79,5% O serviço de táxi e transporte por aplicativo também registrou melhora na satisfação, passando de 67,87% no Verão 2024 para 71,9% no Verão 2026. Os resultados reforçam a avaliação positiva do Espírito Santo como destino turístico e contribuem para orientar o planejamento das ações de promoção e desenvolvimento do setor no estado.
A nova Carteira Nacional de Habilitação (CNH) trouxe mudanças com a Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), para tornar carteira de habilitação mais acessível, porém um episódio ganhou repercussão no setor automotivo, após um repórter da revista Quatro Rodas, conseguir se credenciar como instrutor autônomo em menos de uma hora pela plataforma do Governo Federal. E acendeu um debate nacional: quem está fiscalizando a qualificação desses novos instrutores? E os automóveis que serão usados? Como garantir a segurança dos alunos? No Espírito Santo, o presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores (Sindauto-ES), Gabriel Couzi, afirma que, além da flexibilização para instrutores autônomos, a norma também gera insegurança jurídica ao tratar da caracterização dos veículos de aprendizagem. “A nova regulamentação permite o uso de carro particular para aulas e exame prático. No entanto, o Art. 154 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) não foi alterado e continua exigindo que veículos de aprendizagem sejam identificados com faixa específica e inscrição ‘auto-escola’, amarela para veículos fixos de CFC (Centro de Formação de Condutores) e branca removível para uso eventual. O que está acontecendo é uma interpretação equivocada de que o carro particular estaria dispensado de identificação. Isso não é verdade. A exigência continua válida e o descumprimento pode gerar autuação”, explica o presidente do Sindauto-ES. De acordo com o Art. 162 do CTB, conduzir veículo sem atender às exigências legais pode resultar em multa, retenção do veículo e outras penalidades administrativas. “O candidato pode ser surpreendido em uma blitz. Não há fiscalização prévia da condição do veículo antes das aulas ou da prova. Tudo fica sujeito a abordagens aleatórias”, afirma Couzi. Segundo o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT), fica estabelecido que o aprendiz que conduz veículo não caracterizado como de aprendizagem deve ser autuado por infração gravíssima, mesmo que esteja acompanhado de instrutor e portando Licença de Aprendizagem. E o Art. 310 do CTB prevê responsabilização penal para quem permite, confia ou entrega a direção de veículo a pessoa não habilitada. “Na prática, o aluno pode ser multado, o instrutor pode ser autuado criminalmente e o proprietário do veículo pode ser responsabilizado. Estamos falando de um efeito cascata que atinge diretamente os CFCs e os futuros condutores”, reforça Couzi. Quem fiscaliza o instrutor autônomo? Com a possibilidade de atuação autônoma, surge outra lacuna: qual o controle efetivo sobre a qualificação técnica e pedagógica desses profissionais? “O episódio envolvendo o repórter da Quatro Rodas mostra que o processo pode ser extremamente rápido. Mas, a rapidez não pode ser confundida com qualidade ou segurança. Quem garante que esse instrutor está plenamente apto? Quem acompanha a atuação dele no dia a dia?”, questiona o presidente do Sindauto-ES. Impacto direto no Espírito Santo No Espírito Santo, onde os Centros de Formação de Condutores seguem regras rígidas de fiscalização, a preocupação é com a concorrência desigual e com o risco à credibilidade do processo de habilitação. “A intenção declarada do governo é reduzir custos da primeira CNH. Mas o que vemos é a transferência de responsabilidade para o candidato e uma fragilização dos mecanismos de controle. Segurança não pode ser tratada como detalhe”, afirma o Sindauto-ES. A entidade informa que seguirá atuando institucionalmente para esclarecimento da norma e defende que haja definição clara sobre fiscalização, critérios técnicos e cumprimento das exigências do CTB.