segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Correios passa a aceitar gratuitamente descarte de eletrônicos usados

Correios passa a aceitar gratuitamente descarte de eletrônicos usados

Quem tem equipamentos eletrônicos sem uso em casa agora conta com uma nova opção para descartá-los de forma ambientalmente adequada. Os Correios passaram a oferecer, gratuitamente, a coleta de eletroeletrônicos pós-consumo em todas as 6.868 agências que dispõem do serviço Balcão do Cidadão. A iniciativa é resultado de uma parceria com a Circular Brain e não gera custos para o consumidor. O lançamento ocorre em outubro, mês em que é celebrado o Dia Internacional do Lixo Eletrônico (14), data globalmente dedicada à conscientização sobre a importância da destinação correta desses resíduos. Para utilizar o serviço, basta acondicionar os equipamentos, com peso total de até 30 kg, em uma caixa e levá-la aberta à agência. O fechamento da embalagem é realizado pelo atendente no momento da postagem. Em seguida, o cliente informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone, recebendo ao final um comprovante do envio. Podem ser encaminhados itens como celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e outros eletroeletrônicos de pequeno porte. Pilhas, baterias e lâmpadas não são aceitas nessa modalidade de descarte. Para mais informações sobre o descarte correto, acesse o site https://circulare.com.br/como-descartar-eletronicos/. Após a postagem, os equipamentos são encaminhados à Rede Circulare, operada pela Circular Brain, que direciona cada remessa ao reciclador homologado mais próximo. Todo o processo é rastreado até a destinação final dos materiais. “Sabemos que muitas pessoas guardam esses pequenos eletrônicos em casa pois não sabem o que fazer com eles, ou porque suas cidades não são atendidas por um ponto de entrega voluntária. Agora, é só juntar os aparelhos numa caixa e passar no Correio mais próximo quando for resolver outra questão”, diz Marcus Oliveira, CEO da Circular Brain. “Milhões de brasileiros já utilizam as agências dos Correios em seu dia a dia. Agora, essa capilaridade também contribui para que a população tenha mais facilidade para dar a destinação correta a equipamentos eletrônicos sem uso. Ao apoiar essa iniciativa, os Correios reforçam seu compromisso com a preservação ambiental, estímulo à economia circular e ampliação do acesso a práticas sustentáveis em todas as regiões do País”, ressalta o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon. Lixo eletrônico no Brasil O Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, e só cerca de 3% desse volume é formalmente coletado, segundo a Global E-waste Statistics Partnership (UIT/Unitar), com dados de 2022. Em 2025, a Rede Circulare processou 83 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e o Decreto 10.240/2020 obrigam fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a estruturar a logística reversa de eletroeletrônicos de uso doméstico, com metas de coleta e pontos de entrega distribuídos pelos municípios. “Quando ficam parados em casa, sem utilidade, esses eletrônicos deixam de ser reciclados. Com isso, a indústria perde muitas matérias-primas que poderiam voltar à cadeia produtiva sem a necessidade de explorar novamente o meio-ambiente. Quando são jogados fora no lixo comum, contaminam o solo, água e podem trazer riscos à saúde humana”, conclui Oliveira. Sobre a Circular Brain A Circular Brain (CB) é pioneira na construção de soluções tecnológicas que tornam a economia circular possível em escala, ajudando empresas de diversos setores (indústrias, varejistas e outros) a responderem com maior competitividade aos desafios ambientais, regulatórios e operacionais do presente e do futuro. Por meio de uma tecnologia proprietária e única no mercado, a empresa conecta todas as partes da cadeia de reciclagem de eletrônicos, incluindo fabricantes e varejistas, recicladores e consumidores finais, por meio da plataforma do ecossistema Circulare, que rastreia de ponta a ponta os resíduos processados em toda a cadeia logística. Hoje, a empresa possui mais de 17 mil pontos de coleta em mais de 5.500 municípios e parceria com mais de 65 recicladores cadastrados na rede. Com esta capilaridade nacional, o ecossistema Circulare oferece programas individuais de logística reversa para fabricantes e importadores de produtos eletrônicos, garantindo a conformidade ambiental. Reafirmando seus compromissos, a CB é signatária do Pacto Global da ONU, maior iniciativa de sustentabilidade corporativa voluntária do mundo.

Fim da escala 6×1: o que as empresas precisam fazer em cada etapa da transição

Fim da escala 6×1: o que as empresas precisam fazer em cada etapa da transição

A aprovação da proposta de fim da escala 6×1 pelo Senado Federal, em 14 de outubro, exige que as empresas comecem a planejar a adaptação às novas regras. A transição será realizada em duas etapas: a jornada máxima semanal passará de 44 para 42 horas dois meses após a publicação da emenda constitucional e chegará a 40 horas um ano depois, sem redução salarial. Para as empresas, isso significa que o planejamento não deve considerar apenas o cenário final. Será necessário avaliar os efeitos financeiros e operacionais de cada fase, incluindo a reorganização das escalas, o dimensionamento das equipes, a necessidade de contratações e as possibilidades de ganhos de produtividade. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 estabelece dois dias de descanso semanal remunerado, preferencialmente incluindo o domingo, e limita a jornada a oito horas diárias. A aplicação das novas regras deverá observar os prazos de transição e as condições previstas no texto aprovado. Mais do que reorganizar os dias de descanso, a mudança exigirá que as empresas calculem os impactos da redução das horas disponíveis por trabalhador, revisem seus processos e avaliem como manter o atendimento e a produção sem comprometer a sustentabilidade financeira. O desafio será preparar a operação para a primeira redução e, ao mesmo tempo, antecipar as necessidades da etapa seguinte. Victor Hugo Brait, advogado associado do Barroso Advogados Associados e especialista em Direito do Trabalho, destaca que a mudança exige atenção não apenas à jornada, mas também aos contratos vigentes, às normas coletivas e aos procedimentos internos. “As empresas precisam tratar a mudança em duas etapas, considerando os impactos da redução para 42 horas semanais e, posteriormente, para 40 horas. Isso exige revisar as escalas, avaliar os contratos de trabalho e verificar a compatibilidade dos procedimentos internos com os novos limites. O planejamento antecipado é importante para que as adequações ocorram de forma organizada e em conformidade com a legislação”, afirma Brait.   O primeiro passo é calcular o impacto financeiro de cada fase A redução da jornada não representa necessariamente um aumento uniforme de custos para todas as empresas. O efeito dependerá da necessidade de ampliar equipes, reorganizar turnos ou investir em produtividade para manter o mesmo nível de atendimento e produção. Uma simulação da Confirp Contabilidade ajuda a ilustrar o possível efeito financeiro. O exercício considera uma empresa hipotética com receita bruta anual de R$ 50 milhões e compara um cenário atual de operação em escala 6×1 com uma projeção de reorganização para 5×2. No cenário atual, a folha de pagamento é estimada em R$ 4 milhões por ano, equivalente a 8% da receita. Os benefícios somam R$ 500 mil e as despesas com medicina e treinamentos, R$ 100 mil. Nesse modelo, o EBITDA projetado é de R$ 3,5 milhões, com margem de 7%. Na projeção para o cenário 5×2, a folha sobe para R$ 4,9 milhões, os benefícios passam a R$ 650 mil e as despesas com medicina e treinamentos chegam a R$ 180 mil. Mantidas as demais premissas do exercício, o EBITDA cai para R$ 2,37 milhões, e a margem recua para 4,7%. A simulação aponta, portanto, uma redução de R$ 1,13 milhão no EBITDA anual e uma queda de 2,3 pontos percentuais na margem. Trata-se de um cenário ilustrativo, condicionado às premissas adotadas, e não de uma estimativa de impacto aplicável a todas as empresas. A necessidade de contratação e a evolução das despesas dependerão da jornada efetivamente praticada e da forma como a operação será reorganizada. Para utilizar o exercício como referência de planejamento, as empresas precisam ir além da comparação entre as escalas 6×1 e 5×2. Será necessário calcular separadamente o impacto da primeira etapa, com limite de 42 horas semanais, e o da segunda, com limite de 40 horas. A projeção também deverá explicitar as demais despesas operacionais e as premissas utilizadas no cálculo do EBITDA. Para Daniel Santos, gerente Trabalhista Outsourcing da Confirp, as empresas devem começar por um diagnóstico detalhado das atividades e das necessidades de pessoal. “Cada empresa precisa mapear sua operação, entender quais funções dependem de cobertura contínua e calcular como diferentes modelos de jornada afetariam a estrutura de pessoal. A redução da jornada interfere diretamente no dimensionamento das equipes e na organização do trabalho”, afirma. “O levantamento deve identificar quantos funcionários são necessários por turno, quais períodos concentram maior demanda e onde a redução das horas pode comprometer o atendimento ou a produção. Também é importante calcular o custo de eventuais contratações, incluindo encargos, benefícios, treinamento e despesas de gestão”, complementa Santos. A primeira simulação deve considerar a redução para 42 horas semanais. Em seguida, a empresa precisa projetar o cenário de 40 horas, identificando se as mudanças feitas na etapa inicial serão suficientes ou se será necessário ampliar equipes, modificar turnos ou rever processos novamente.   Tecnologia pode ajudar, mas não resolve todos os casos Uma das alternativas para limitar o aumento de custos é elevar a produtividade. A revisão de processos, a automação de tarefas repetitivas, os sistemas de gestão e o uso de inteligência artificial podem reduzir retrabalho e liberar os profissionais para atividades de maior valor. Para Carlos Junior, diretor de Outsourcing da Confirp, a adaptação deve começar pela análise da operação, e não pela contratação automática de novos funcionários. “Antes de simplesmente contratar mais pessoas, a empresa precisa analisar seus processos, eliminar etapas desnecessárias e identificar onde pode ganhar eficiência. A redução da jornada pode representar um custo adicional, mas também pode acelerar uma transformação que aumente a produtividade”, explica. A adoção de tecnologia, porém, não é uma solução universal. Atividades que dependem de presença física, atendimento direto, cuidados pessoais ou execução manual podem ter menos possibilidades de automação. Além disso, os investimentos exigem recursos financeiros, planejamento e capacitação das equipes. “Por isso, as empresas devem avaliar quais melhorias são viáveis antes da primeira etapa da transição e quais dependerão de investimentos mais longos. A meta não deve ser apenas executar as mesmas tarefas em menos horas, mas identificar gargalos, simplificar processos e melhorar a