
O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) prevê destinar cerca de R$ 13 bilhões para o financiamento da pecuária em 2027. O setor deverá receber o maior volume de recursos entre as atividades econômicas contempladas pelo Fundo. Do total, está previsto R$ 1,5 bilhão para o Espírito Santo. A estimativa é inicial e considera os empreendimentos instalados nos 11 estados da área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O volume efetivamente contratado poderá ser maior, a depender dos projetos apresentados. Além da agropecuária, o planejamento do FNE para 2027 prevê R$ 12,9 bilhões para a agricultura, R$ 12,5 bilhões para comércio e serviços e R$ 12,1 bilhões para infraestrutura. Na sequência, aparecem indústria, com R$ 7,2 bilhões; turismo, com R$ 1,9 bilhão; e pessoa física, com R$ 123,7 milhões. Neste último segmento, os recursos serão destinados a financiamentos estudantis por meio do P-Fies e à implantação de sistemas residenciais de energia solar. Os valores foram apresentados durante uma série de reuniões setoriais realizadas com os setores produtivos dos estados que integram a área de atuação da Sudene. Os encontros foram encerrados nesta quarta-feira (30) e tiveram como objetivo apresentar os valores inicialmente programados para o Plano Estadual de Aplicação de Recursos do FNE 2027. Para o próximo ano, o FNE contará com um orçamento total de R$ 60,9 bilhões. Para cada estado, os percentuais mínimo e máximo de aplicação dos recursos deverão variar entre 5% e 30% do orçamento total do Fundo. A distribuição do orçamento do FNE entre os estados prevê R$ 12,8 bilhões para a Bahia, maior valor entre as unidades federativas. Em seguida aparecem Ceará, com R$ 8,1 bilhões; Pernambuco, com R$ 7,2 bilhões; Maranhão, com R$ 6,4 bilhões; Piauí, com R$ 5,95 bilhões; Paraíba e Rio Grande do Norte, com R$ 4,2 bilhões cada. Minas Gerais deverá receber R$ 3,7 bilhões, enquanto Alagoas e Sergipe terão R$ 3,2 bilhões cada. Para o Espírito Santo, está previsto R$ 1,5 bilhão. Entre as diretrizes para a aplicação dos recursos, ficou estabelecido que 62% do orçamento do FNE será destinado a empreendedores dos portes prioritários: mini, micro, pequeno e pequeno-médio. Outra prioridade é o semiárido, que deverá receber pelo menos 50% dos recursos do Fundo. A medida busca ampliar o acesso ao crédito e estimular investimentos em uma região historicamente marcada por desafios econômicos e sociais. Administrado pela Sudene e operado pelo Banco do Nordeste, o FNE é um dos principais instrumentos de financiamento do desenvolvimento regional. O Fundo tem entre seus objetivos estimular a geração de emprego e renda, apoiar a expansão dos negócios e contribuir para a redução das desigualdades entre as diferentes regiões. O Fundo está alinhado às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), além de financiar projetos que constituem a carteira do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), estruturado pela Sudene.
As empresas ES Gás e a GNR Vila Velha avançam em uma nova frente de desenvolvimento sustentável com a implantação de uma unidade de produção de gás biometano a partir do aproveitamento energético de resíduos sólidos urbanos. A iniciativa, que representa investimentos privados de R$ 78,8 milhões financiados pelo BNDES, vai permitir que o combustível renovável produzido na Central de Tratamento de Resíduos Vila Velha (CTRVV), na região de Jabaeté, seja integrado à rede de distribuição de gás do Espírito Santo. A estrutura será dimensionada para receber toda a produção estimada da unidade, que poderá chegar a 32 mil metros cúbicos de biometano por dia. Este avanço marca uma nova frente de desenvolvimento sustentável em Vila Velha, que envolve a implantação de uma estação de recebimento e um ramal de interligação, com início de fornecimento em 2028. O projeto foi aprovado pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP) e faz parte do processo de expansão da rede de distribuição de gás nos municípios de Vila Velha e Viana. Para o prefeito Arnaldinho Borgo, a iniciativa reforça a transformação de Vila Velha em uma cidade cada vez mais preparada para receber investimentos ligados à inovação, à economia verde e à sustentabilidade. “Vila Velha está vivendo um novo momento de desenvolvimento, atraindo investimentos que geram oportunidades e, ao mesmo tempo, apontam para um futuro mais sustentável. Transformar resíduos em energia limpa é um exemplo concreto de como podemos unir crescimento econômico, inovação e cuidado com o meio ambiente. É uma conquista importante para a cidade e para todo o Espírito Santo.” Financiamento aprovado A implantação da unidade de produção de biometano é resultado de uma parceria entre o Grupo Lara, especializado em gestão de resíduos sólidos, e a MDC Energia, que atua na produção e comercialização de biometano. Além da conexão com a planta de biometano, a ES Gás prevê investimentos de mais R$ 29 milhões, aproximadamente, na expansão da rede de distribuição em Vila Velha e Viana, com possibilidade de avanço futuro em direção à região de Ponta da Fruta. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha, Everaldo Colodetti, destaca que a chegada de uma nova fonte de energia renovável amplia a capacidade do município de atrair negócios e fortalece sua posição estratégica na economia capixaba. “Vila Velha reúne infraestrutura, localização estratégica, mercado consumidor e, cada vez mais, um ambiente favorável para investimentos inovadores. A produção de biometano agrega valor aos resíduos, amplia a oferta de energia renovável e cria novas possibilidades para empresas que buscam eficiência e sustentabilidade. É o tipo de investimento que movimenta a economia e prepara a cidade para os desafios do futuro”, avaliou. A iniciativa integra o projeto de expansão da ES Gás previsto no Plano de Negócios da companhia para os próximos cinco anos e faz parte do programa ES Mais+Gás, voltado à ampliação da oferta energética e ao fortalecimento da competitividade do Estado. A GNR Vila Velha será o segundo projeto de injeção de biometano da ES Gás. Com a entrada da nova produção e os demais contratos já firmados, a companhia estima que as fontes renováveis poderão representar cerca de 10% do gás comercializado no mercado cativo, que atende consumidores residenciais, comerciais, industriais e de GNV.