segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Jovens usam IA para prestar serviços enquanto mercado reduz espaço para iniciantes

Jovens usam IA para prestar serviços enquanto mercado reduz espaço para iniciantes

  A Inteligência Artificial (IA) está mudando as tarefas que marcavam o começo da vida profissional e pode alterar também a porta de entrada no mercado. Com ferramentas capazes de organizar informações, preparar documentos e auxiliar na análise de dados, jovens conseguem executar projetos para empresas sem depender de uma contratação formal.   A possibilidade de conquistar o primeiro cliente antes do primeiro emprego ganha espaço em um cenário no qual vagas iniciais cobram competências antes associadas a profissionais experientes.   Uma análise do Indeed Hiring Lab, publicada em setembro de 2026, mostra a dimensão dessa mudança nos Estados Unidos. Entre anúncios com salário divulgado nas ocupações mais expostas à IA, a participação das vagas de entrada caiu de 29% para 10% entre 2021 e 2026, enquanto a das posições seniores passou de 22% para 47%. Os números indicam uma concentração maior das oportunidades em profissionais experientes, embora não permitam atribuir toda a mudança à tecnologia.   Para o executivo de inovação e especialista em IA João Paulo Batistella, a prestação de serviços pode se tornar uma alternativa para quem ainda não tem experiência formal.   “Um jovem pode identificar uma demanda pequena de uma empresa, usar IA na execução e cobrar pela entrega. Esse projeto pode render uma referência e abrir a porta para o próximo. Minha hipótese é que mais pessoas conquistem o primeiro cliente antes do primeiro emprego, à medida que consigam demonstrar capacidade por meio do trabalho que entregam”, avalia.   Organizar o catálogo de uma loja, consolidar planilhas ou automatizar o acompanhamento de orçamentos são exemplos de projetos que podem ajudar a construir um portfólio. Começar por conta própria, porém, exige negociar preço, definir o que será entregue e responder por erros.   A facilidade de produzir com IA não garante que o iniciante consiga avaliar a qualidade do resultado, justamente uma competência que costuma se desenvolver com orientação e prática.   Essa exigência também aparece nas contratações. Segundo o Barômetro de Empregos de IA 2026 da PwC, vagas iniciais mais expostas à tecnologia têm probabilidade sete vezes maior de exigir competências tradicionalmente associadas a profissionais seniores, como liderança e pensamento estratégico, em comparação com as menos expostas. O levantamento aponta que o uso das ferramentas vem acompanhado de uma cobrança maior por capacidade de julgamento.   A formação de quem começa é o ponto que preocupa Batistella. “O iniciante aprendia fazendo uma primeira versão e recebendo a correção de alguém mais experiente. Se a IA assume parte dessa tarefa, a empresa precisa encontrar outra maneira de ensinar. Um fornecedor pode resolver uma demanda imediata, mas isso não substitui a formação de profissionais. Se ninguém oferecer espaço para aprender, de onde virá a experiência que todos querem contratar?”, questiona.   Os estudos sobre vagas ainda não demonstram que começar por um cliente esteja se tornando mais comum do que começar por um emprego. Eles mostram, contudo, que as exigências estão mudando.   Para quem pretende prestar serviços, o primeiro projeto pode gerar renda e experiência, desde que haja condições de revisar a entrega e reconhecer os próprios limites. Para as empresas, contratar alguém capaz de produzir com IA continuará exigindo uma decisão sobre quanto estão dispostas a investir para que essa pessoa aprenda.

92% não vê INSS suficiente para garantir padrão de vida na aposentadoria, diz pesquisa

92% não vê INSS suficiente para garantir padrão de vida na aposentadoria, diz pesquisa

  A percepção de que somente a renda do INSS não será suficiente para manter o padrão de vida na aposentadoria já é praticamente consenso entre os brasileiros.   Pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, agência especializada em dados, SEO e inteligência de comportamento digital, mostra que 92% dos entrevistados acreditam que a previdência pública será insuficiente para garantir estabilidade financeira no futuro. Apesar disso, a preocupação ainda não se converte em planejamento concreto.   Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados afirmam não possuir previdência privada.   “A previdência social é base essencial para a aposentadoria dos brasileiros. Mas, para manter o padrão de vida e garantir mais segurança no futuro, é importante que cada pessoa tenha também uma estratégia de planejamento individual. A aposentadoria precisa ser construída muito antes do último dia de trabalho”, afirma Henrique Diniz, diretor de Previdência da Icatu Seguros.   A pesquisa mostra que a maior parte dos entrevistados já percebe a necessidade de se preparar financeiramente, mas ainda tem dificuldade para dimensionar esse desafio. Entre os participantes, 58% afirmam ter uma noção aproximada de quanto precisariam receber por mês para manter o padrão de vida na aposentadoria; 28% dizem saber estimar esse valor com precisão; e 14% admitem não conseguir projetar a renda necessária.   Para Diniz, o dado indica que o principal obstáculo deixou de ser apenas a falta de consciência sobre a aposentadoria. “O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada. É nesse ponto que orientação, educação financeira e acesso a soluções adequadas fazem diferença”, afirma.   O estudo também revela que a aposentadoria ainda é fortemente associada à busca por estabilidade. Entre os entrevistados, 63% afirmam preferir receber uma renda mensal no futuro, em vez de sacar todo o patrimônio acumulado de uma só vez. Outros 24% dizem preferir retirar os recursos aos poucos, conforme a necessidade. Apenas 8% gostariam de receber todo o valor de uma vez.   Esse comportamento já começa a aparecer também nos dados da Icatu Seguros. A procura por conversão do valor acumulado em renda atingiu recorde histórico em 2025, com crescimento de 47% em relação a 2024.   “Durante muito tempo, a previdência foi vista quase exclusivamente pela ótica da acumulação. Hoje, cresce a percepção de que o grande objetivo do planejamento financeiro é transformar patrimônio em renda previsível, capaz de sustentar a vida na aposentadoria”, diz Diniz.   *Medo de faltar dinheiro domina as preocupações* A insegurança financeira aparece como o principal temor dos brasileiros em relação à aposentadoria. Segundo a pesquisa, 78% das preocupações mencionadas estão ligadas diretamente à possibilidade de insuficiência de recursos no futuro.   Entre os receios mais citados estão precisar de dinheiro para emergências, mencionado por 30% dos entrevistados; não ter renda suficiente para as despesas do dia a dia, apontado por 24%; e ver o dinheiro acabar antes do fim da vida, preocupação de 23%.   *Geração X e mulheres acendem alerta* O levantamento mostra um ponto de atenção entre pessoas de 45 a 60 anos, faixa etária mais próxima da aposentadoria. Mesmo nesse grupo, apenas 18% afirmam já ter uma reserva significativa para o futuro. A maior parte declara ter acumulado pouco patrimônio ou ainda estar distante do necessário para se aposentar com tranquilidade.   A pesquisa também aponta diferenças relevantes entre homens e mulheres. Entre elas, 29% afirmam ainda não ter começado a se preparar financeiramente para a aposentadoria, percentual superior ao observado entre os homens, de 14%. Os resultados também indicam que as mulheres tendem a discutir aposentadoria principalmente dentro do núcleo familiar, enquanto eles ampliam mais essas conversas para assessores financeiros, gerentes de banco e especialistas.   *Previdência privada ainda se concentra nas rendas mais altas* O estudo também evidencia a relação direta entre renda e acesso à previdência privada. Entre famílias com renda superior a R$ 28 mil mensais, 71% afirmam possuir previdência privada. Nas faixas de renda mais baixas, a presença do produto é significativamente menor.   Para Diniz, o dado reforça a necessidade de ampliar a discussão sobre planejamento financeiro para diferentes perfis de renda. “O desafio do país não é apenas ampliar o acesso a produtos financeiros, mas tornar o planejamento de longo prazo mais compreensível, acessível e conectado à realidade de cada pessoa”, conclui.   *Metodologia* A pesquisa foi realizada em maio de 2026, com 500 pessoas conectadas à internet, de todos os estados do Brasil. Abrangência: nacional   Perfil da amostra: Gênero: 60% mulheres e 40% homens Idade: respondentes a partir de 18 anos Regiões: Sudeste, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte Situação profissional: empregados, desempregados, autônomos, estudantes, aposentados, entre outros perfis