sexta-feira, 1 de maio de 2026
Secretária de Finanças de Vila Velha participa da modernização do sistema tributário do Brasil

Secretária de Finanças de Vila Velha participa da modernização do sistema tributário do Brasil

O município de Vila Velha esteve representado em um dos momentos mais relevantes da modernização do sistema tributário brasileiro. A secretária de Finanças Adinalva Prates participou, nessa segunda feira (27), da reunião virtual do Conselho Superior do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS), que aprovou o texto de regulamentação do imposto. Essa etapa é considerada decisiva para a implementação da Reforma Tributária no país. Integrante do Conselho Gestor do IBS, Adinalva representou Vila Velha e os interesses municipalistas na construção de um novo modelo tributário nacional, baseado em mais simplicidade, equilíbrio federativo e segurança jurídica. A aprovação do regulamento consolida as bases operacionais do chamado IVA Dual, sistema que substituirá gradualmente tributos atuais por uma estrutura mais moderna e eficiente. “O texto aprovado é resultado de um trabalho técnico desenvolvido ao longo dos últimos anos por especialistas dos Municípios, da União, dos Estados e do Distrito Federal. Este esforço federativo concentrado consolida as bases normativas indispensáveis para o início da implementação do modelo de Imposto sobre Valor Agregado Dual, oferecendo à sociedade um arcabouço regulamentar consistente, funcional e alinhado à nova arquitetura tributária nacional”, afirmou Adinalva. Protagonismo municipalista A secretária destacou o papel da Confederação Nacional de Municípios (CNM), entidade que atuou diretamente nas discussões e mobilizou representantes de todo o Brasil para garantir que as cidades tivessem voz ativa no novo desenho tributário. Segundo ela, o resultado aprovado é fruto de intensa mobilização dos 42 conselheiros titulares e suplentes indicados pela CNM, além de uma equipe técnica formada por autoridades fiscais municipais. O processo começou logo após a posse do colegiado, em 9 de fevereiro deste ano. “Foram aproximadamente 77 dias de esforços concentrados e contínuos, com destaque para dias de imersão técnica e jornadas presenciais em Brasília, nas quais conselheiros e o corpo técnico atuaram de forma praticamente ininterrupta, incluindo finais de semana, feriados e horários estendidos noite adentro”, ressaltou. Adinalva acrescentou que o trabalho exigiu dedicação integral para enfrentar a complexidade do tema e preservar os interesses dos municípios brasileiros. “Esse regime de dedicação integral garantiu a apropriação da complexidade do texto e assegurou que cada ponto sensível aos municípios fosse debatido com profundidade, permitindo a construção conjunta do regulamento em diálogo com os entes federativos.” Mais autonomia e eficiência para os municípios Entre os principais avanços do regulamento aprovado estão regras voltadas à governança do novo sistema, autonomia administrativa e fortalecimento da gestão local. O texto assegura, por exemplo, gerência direta de cadastros pelo Conselho Gestor do IBS e acesso a informações essenciais sem depender de convênios com Estados ou com a Receita Federal. Outro ponto destacado pela secretária é a definição clara de que a arrecadação do imposto pertencerá ao local onde o consumo efetivamente ocorre, mecanismo considerado estratégico para justiça fiscal entre os entes federativos. Além disso, o novo modelo cria obrigações acessórias simplificadas, reduz burocracias para os contribuintes e amplia a eficiência da fiscalização municipal. Segurança jurídica e melhor ambiente de negócios Para Adinalva Prates, a aprovação do regulamento representa um divisor de águas para o ambiente econômico brasileiro, ao substituir um sistema considerado fragmentado, complexo e oneroso por regras mais claras e previsíveis. “Embora o regulamento aprovado represente o estágio possível de consenso federativo e possa demandar aperfeiçoamentos, naturais da magnitude da reforma, sua aprovação constitui marco fundamental para a compreensão e operacionalização da nova arquitetura tributária brasileira, trazendo segurança jurídica e previsibilidade ao mercado e aos entes federativos.” Ela também destacou que a mudança tende a favorecer empresas e investidores, com redução de custos, estímulo à competitividade e melhores condições para geração de empregos. Com a participação ativa de Vila Velha nesse processo histórico, o município reforça sua presença nos debates nacionais e sua vocação para uma gestão pública moderna, técnica e alinhada às transformações que impactam diretamente o futuro econômico do Brasil.

Mais de R$86 bi em mercadorias entraram no Brasil em esquema fraudulento

Mais de R$86 bi em mercadorias entraram no Brasil em esquema fraudulento

O esquema de corrupção no Porto do Rio de Janeiro permitiu a entrada no Brasil, sem fiscalização, de mais de R$ 86 bilhões em mercadorias. Na operação desta terça-feira (28), foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio e no Espírito Santo. A fraude aduaneira foi alvo nesta manhã de operação conjunta da Receita Federal, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. As investigações identificaram quase 17 mil declarações de importação (DI) que podem ter sido contaminadas pelas irregularidades. Essa é considerada a maior ação contra corrupção na alfândega na história do país. A operação afastou 25 servidores do Porto do Rio, entre auditores fiscais e analistas tributários. O número é equivalente a 25% da força aduaneira no Estado. Para mitigar o impacto no trabalho do porto, a Receita anunciou que enviará ao Rio um reforço de 50 servidores de outras regiões do país, que trabalharão em esquema de revezamento. De acordo com o corregedor-geral da Receita, Guilherme Bibiani, o órgão vai criar uma força-tarefa para contabilizar o impacto na arrecadação por conta dos tributos não recolhidos. Ele avalia que o rombo está “na casa dos bilhões”. “A Receita Federal criará um grupo para investigar e cobrar os impostos das declarações de importação que já foram liberadas, mas podemos falar que a fraude certamente atinge a casa dos bilhões de reais. Existem servidores para os quais eram distribuídas declarações de importação. Ao longo dos anos, essas declarações de importação totalizaram 17 mil, que é um número bastante expressivo”, afirmou. Segundo a Receita, o esquema funcionou de julho de 2021 a março de 2026. Ele foi descoberto após uma denúncia, em 2022, e apurações internas da corregedoria. A investigação mapeou, então, três frentes de atuação da organização criminosa, composta por servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários. A primeira frente era o desembaraço direto das mercadorias no porto, ignorando inconsistências e exigências legais. A segunda envolvia o setor de óleo e gás, burlando o regime de admissão temporária e criando artifícios para liberar embarcações e outros equipamentos. E a terceira frente era o recebimento de propina e vantagens indevidas, pagas por operadores portuários para viabilizar o esquema. “Dentro da Corregedoria da Receita Federal, esta é a maior operação de combate à corrupção. Estamos falando aqui de uma investigação que se iniciou em 2022 e intensificou-se a partir de 2023 com a nomeação do atual corregedor”, afirmou o secretário nacional da Receita, Robinson Barreirinhas. “É uma movimentação de mais de R$ 86 bilhões em mercadorias que podem ter passado por esse procedimento de corrupção. E um valor ainda a ser calculado de tributo que deixou de ser recolhido. Com dezenas de milhões de reais em propinas pagos a esses servidores”, completou o secretário. Com um dos servidores alvos da ação, os agentes apreenderam 30 quilos de dinheiro em espécie — montante estimado em mais de R$ 1 milhão. Segundo o corregedor da Receita, os investigadores também encontraram com um dos suspeitos um instrumento musical de alto valor que teria sido dado a ele como forma de propina. De acordo com a PF, foram apreendidos mais de R$ 4,3 milhões em dinheiro vivo na ação. De acordo com o delegado da alfândega no Porto do Rio, Renato Regal, os servidores suspeitos de integrarem o esquema faziam parte dos quadros mais antigos na Receita. Segundo o agente, eles se valiam de uma rede de relacionamento para cometer as fraudes. “A irregularidade não estava vinculada diretamente a algum tipo de mercadoria e a algum tipo de operação. Estava baseada na rede de relacionamentos que foi construída entre os corrompidos e os corruptores”, disse Regal. As investigações identificaram, entre as irregularidades cometidas, reversões indevidas de penas de perdimento sem respaldo técnico; falta de cobrança de tributos e multas após o vencimento de prazos legais; redistribuição de processos de servidores íntegros que identificaram irregularidades para servidores integrantes do esquema para garantir decisões favoráveis; e cobrança a menor dos impostos devidos. Segundo a Receita, todas as 17 mil declarações de importações que podem ter sido comprometidas serão revisadas. Barreirinhas afirmou ainda que o fluxo de trabalho no Porto também será reavaliado para se adaptar ao afastamento dos servidores suspeitos e para evitar novos esquemas do tipo. “A partir de agora nós vamos rever também o fluxo de trabalho até para dar conta da redução da força de trabalho. Nós vamos rever o processo de trabalho, regionalizando ele. Muita coisa é digitalizada, então pode ser feita à distância para outros servidores. Vamos reforçar presencialmente também aqui a presença da Receita Federal com essa equipe de 50 servidores em regime de revezamento nos próximos meses”, disse o secretário nacional. Em nota, a PortosRio, responsável pela gestão do Porto do Rio, informou que prestou apoio à operação e que está à disposição das autoridades para contribuir com o que for necessário. “A Companhia esclarece que não é alvo da investigação e não possui qualquer relação com os fatos apurados, os quais dizem respeito exclusivamente a procedimentos conduzidos no âmbito da fiscalização aduaneira”, completou o comunicado. O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindfisco Nacional), por sua vez, pediu uma apuração rigorosa dos fatos e defendeu a integridade da categoria. “As auditoras-fiscais e os auditores-fiscais têm na integridade, na ética e no compromisso com o interesse público princípios inalienáveis ao exercício de suas funções. Implementar ações que visem apurar irregularidades, enfrentar desvios e práticas ilícitas e fortalecer os mecanismos de controle e de integridade dentro do próprio órgão é medida importante para e a Receita Federal do Brasil e para todo o Estado brasileiro”, disse a nota do sindicato. O comunicado continuou: “Para o Sindifisco Nacional, é muito importante garantir o integral direito à defesa dos auditores-fiscais envolvidos e o respeito ao processo antes de qualquer juízo definitivo. Por isso, o sindicato destaca a imprescindibilidade de uma apuração rigorosa dos fatos, com a plena observância do direito à ampla defesa e à presunção de inocência dos Auditores-Fiscais envolvidos. Nesse contexto, coloca-se à disposição dos auditores-fiscais para assegurar assistência