quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Moradores temem ficar sem casas com demolições na Barra do Jucu

Moradores temem ficar sem casas com demolições na Barra do Jucu

Moradores da Barra do Jucu tem ficar sem casas e desabrigados com as demolições de imóveis previstas para entre abril e maio, em Vila Velha. Em um vídeo nas redes socais, moradores contam que há moradores que vivem há 40 anos e até há 50 anos no local, e que até o momento não sabem o que vão fazer após desocuparem os imóveis. Entre os pontos de reclamação dos moradores, é que não há previsão de nenhum auxílio ou ressarcimento aos moradores. Além disso, a decisão da Justiça Federal do Espírito Santo, decorrente de uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), por estarem construída irregularmente em terreno de marinha — área pertencente à União, previa que a retirada dos imóveis visava a preservação da restinga do local, mas os residentes dizem que no espaço será feito calçadão, ciclovia e uma pista de skate. No último dia 30 de janeiro, uma das casas, que já estava desocupada, foi demolida pela prefeitura (foto principal). A Prefeitura de Vila Velha informou que a demolição foi realizada em cumprimento a uma decisão da Justiça. O advogado João Lunardi, que representa moradores da região, afirmou que a ação tramita há anos, mas havia a expectativa de que fosse seguido o cronograma estabelecido no processo, que indicava que a demolição deveria ocorrer entre abril e maio deste ano. “Entramos com recursos e não foi seguida a legislação nem a jurisprudência nesses casos. A proprietária do imóvel não foi avisada”, argumentou. De acordo com a Prefeitura de Vila Velha, havia ordem judicial com sentença transitada em julgado desde 2014 determinando a demolição. Segundo a administração municipal, a Justiça autorizou o município a demolir a edificação diante do descumprimento da ordem de desocupação por parte da proprietária. “Diante do não cumprimento da ordem judicial e do esgotamento das tentativas de execução direta, o Juízo Federal autorizou a execução substitutiva pelo Município. Quanto à notificação, a ocupante foi regularmente intimada no curso do processo judicial, conforme os atos processuais constantes nos autos. A atuação do Município decorre do cumprimento de decisão judicial, havendo discricionariedade administrativa quanto à data ou à execução da medida”, informou a prefeitura. Por fim, a prefeitura esclareceu que o cronograma estabelecido em outros processos judiciais com decisão própria do caso, está com previsão de demolições entre abril e maio. Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) disse que “trata-se de ação com trânsito em julgado (sem possibilidade de recurso) e a determinação de demolição é dada pela Justiça Federal”. A Superintendência do Patrimônio da União (SPU) no Espírito Santo, responsável pela área onde as residências estão irregularmente situada, não se manifestou.

Carnaval tradicional centenário pede passagem nas ruas da Barra do Jucu

Carnaval tradicional centenário pede passagem nas ruas da Barra do Jucu

Entre novidades e surpresas, o carnaval tradicional da Barra do Jucu, em Vila Velha, pede passagem na segunda-feira (16), a partir das 15 horas, quando os mascarados se juntam à Vaquinha e à Mulinha para festejar o reinado de Momo como faziam os barrenses desde meados do século passado. Em 2026 a folia vai crescer com a estreia da ala das mascaradas, que pedem o fim da violência contra a mulher. O irreverente desfile desses blocos tradicionais tem seu papel na formação da identidade dos moradores do local e remonta aos carnavais de décadas passadas, quando a Barra do Jucu ainda era uma vila de pescadores. Parte do carnaval tradicional da Barra do Jucu é a confecção de máscaras pelos moradores foliões, com a técnica passada de geração em geração. Atualmente, o morador Marcus Vinícius Machado, 40, é responsável por esse papel de ensinar o feitio das máscaras para os mais jovens, mas também para os interessados de qualquer idade. “O carnaval de mascarados é a tradição carnavalesca mais antiga entre as que existem hoje na Barra do Jucu. Remonta há mais de cem anos”, calculou. “Faziam a forma com barro, encapavam com camadas de tiras de papel, com cola de farinha de mandioca ou de trigo. As máscaras eram então postas para secar ao sol e, após a secagem, essa “capa” feita com as camadas de papel, eram retiradas da forma, recebiam o acabamento, os recortes de olhos, nariz etc”, relatou, antes de contar a parte final. “A pintura era de tinta feita com carvão, urucum, genipapo… após isso, no dia do carnaval, eles se escondiam no mato, vestiam uma roupa que cobrisse todo o corpo, e saiam pelas ruas da vila, se divertindo, divertindo os adultos e assustando as crianças”, completou. Carnaval 2026 Em 2026 as máscaras foram confeccionadas em janeiro, durante as oficinas ministradas por Vinícius, que é graduado em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Para ensinar, Vinicius primeiro teve de aprender. E foi há 23 anos, com um barrense, claro. É como ele mesmo conta. “Naquele ano fui convidado por Valcy Vieira para fazer as máscaras de políticos para o Bloco Surpresa. Valcy me ensinou a técnica de fazer o papel machê e molde de gesso”, detalhou. O carnaval tradicional daquele balneário de Vilas Velha foi registrado no curta “Mascarados da Barra do Jucu” de Carmen Filgueiras. É Carmen quem teve a ideia, junto com Maré Musso, de juntar amigas para estrear com a ala feminina das mascaradas em 2026. “As Mascaradas da Barra do Jucu retomam a tradição em que mulheres de todas as idades usam máscaras de fronhas e outros materiais para pular o carnaval de maneira segura, em ambiente que também acolhe crianças”, relatou. Carmen contou que o tema é o combate a todas as violências contra mulheres e crianças. “Com música, performance teatral e muita alegria, As Mascaradas da Barra do Jucu trazem diversão consciente”, completou. Serviço: Carnaval tradicional da Barra do Jucu Bloco mascarados, vaquinha e mulinha Data: 16/02 – segunda-feira Hora: A partir de 15h Local: Final da Praia do Barrão