segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Vitória, Paranaguá e Salvador redesenham mapa das importações de automóveis no Brasil

Vitória, Paranaguá e Salvador redesenham mapa das importações de automóveis no Brasil

O mapa das importações de automóveis no Brasil mudou nos últimos quatro anos. Vitória, Paranaguá (PR) e Salvador (BA) passaram a concentrar 74,7% dos automóveis importados contemplados pelo estudo de janeiro a setembro de 2026, ante 22,4% em 2022. Santos (SP) e Rio de Janeiro (RJ), que respondiam por mais da metade das entradas em 2022, somam hoje 11,3%. A mudança acompanha o avanço da indústria automotiva chinesa e a expansão das importações de veículos elétricos e híbridos. Os dados fazem parte de um levantamento da Logcomex, empresa brasileira de inteligência artificial para o comércio exterior, que analisou as importações de automóveis entre janeiro e setembro de cada ano, de 2022 a 2026. Somente nos primeiros nove meses deste ano, as importações brasileiras de automóveis contempladas pelo estudo somaram 528,3 mil unidades, crescimento de 103,8% em relação ao mesmo período de 2025. O volume equivale a 4,7 vezes o de 2022, com alta acumulada de 369,2%. O valor das operações chegou a US$ 8,57 bilhões, avanço de 83,3% sobre o ano anterior. Vitória lidera o ranking nacional, com 226,1 mil automóveis importados e participação de 42,8%, abaixo dos 50,8% de 2025, já que o porto cresceu 71,8%, menos que a média do País. Na segunda posição aparece Paranaguá, que ocupava o sexto lugar em 2025 e registrou um dos maiores avanços do período: passou de 12,5 mil unidades para 88,3 mil em 2026, crescimento de 608,8%. Salvador ocupa a terceira posição, com 80,3 mil automóveis, alta de 797,0% sobre as cerca de 9 mil unidades de 2025. Juntos, os três pontos de entrada responderam por 89,8% do aumento das importações brasileiras de automóveis entre 2025 e 2026. O movimento contrasta com a situação de Santos e Rio de Janeiro. Em 2022, os dois portos concentravam 52,4% dos automóveis importados, participação que caiu para 11,3% neste ano. A perda de participação, entretanto, ocorreu com volumes próximos aos registrados em 2022. Santos movimentou 30,5 mil unidades naquele ano e 29,6 mil em 2026, uma redução de 3,1%, enquanto o Rio de Janeiro passou de 28,5 mil para 30,3 mil automóveis, crescimento de 6,2%. Na comparação com o mesmo período de 2025, Santos registrou alta de 101,7%, acompanhando o ritmo de crescimento nacional. A mudança também aparece na origem dos veículos: em Santos, as importações chinesas passaram de 3,8 mil para 20,4 mil unidades entre 2022 e 2026, enquanto as argentinas recuaram de 23,6 mil para 7,3 mil. Para Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex, a nova distribuição acompanha o avanço da participação chinesa e dos veículos eletrificados. “A ampliação das operações nesses portos acompanha o aumento da participação chinesa e a expansão dos fluxos de importação de veículos eletrificados. O que chama a atenção é a velocidade dessa transformação e como ela está alterando a distribuição das cargas pelo país. Em poucos anos, pontos de entrada que tinham uma participação pequena passaram a concentrar uma parcela expressiva das importações brasileiras”, afirma. China e eletrificação impulsionam nova distribuição das importações A China é o principal país de origem dos automóveis importados pelo Brasil e ajuda a explicar a mudança na distribuição das cargas. Em 2022, os veículos chineses representavam apenas 9,9% das unidades importadas. Em 2026, essa participação chegou a 80,3%, com 424,2 mil automóveis e US$ 6,06 bilhões em operações. O avanço também modificou o perfil das importações registradas nos principais pontos de entrada do País. Em Vitória, os automóveis chineses representam 91,1% das importações, ante 27,6% em 2022. Em Paranaguá, a participação saltou de praticamente zero para 67,5%, e o México responde por outros 24,3%, enquanto a Argentina, responsável por 64,3% das unidades importadas pelo porto em 2022, deixou de aparecer nos registros deste ano. Já em Salvador, todos os 80,3 mil automóveis importados em 2026 tiveram a China como país de origem, praticamente todos divididos entre modelos elétricos (52,2%) e híbridos plug-in (47,8%). A Argentina, que era a principal origem dos automóveis importados pelo Brasil em 2022, com 65,9% do total, teve a participação reduzida a 6,8% neste ano, e o volume recuou de 74,3 mil para 36,0 mil unidades, uma redução de 51,6%. No mesmo período, a China assumiu a liderança, passando a responder por oito em cada dez automóveis importados. Nas entradas rodoviárias de São Borja e Uruguaiana (RS), quase integralmente argentinas, as importações caíram 47,4% e 27,3% em 2026 sobre 2025. O levantamento também identificou o surgimento de novos pontos de entrada. A Alfândega de Fortaleza (CE), que praticamente não registrava importações de automóveis até 2025, contabilizou 6,4 mil unidades neste ano, quase todas elétricas e chinesas. O Porto de Itaguaí (RJ) registrou 2,3 mil veículos totalmente elétricos, também provenientes da China. Já a Estação Aduaneira de Anápolis (GO) contabilizou 3,1 mil automóveis, predominantemente híbridos plug-in chineses. A mudança geográfica ocorre em paralelo à transformação do perfil dos veículos importados. Em 2022, os modelos elétricos e híbridos representavam 17,4% do total analisado. Nos primeiros nove meses de 2026, passaram a responder por 80,4% das importações, somando 424,9 mil unidades. Os veículos totalmente elétricos representam 36,9% das importações (195,1 mil unidades, 4,5 vezes as 43,6 mil de 2025), enquanto os híbridos plug-in respondem por 31,1% e os híbridos convencionais, por 12,4%. A China concentra 96,6% dos automóveis totalmente elétricos importados pelo Brasil e 97,5% dos híbridos plug-in. Mudança nas importações exige novas estratégias logísticas A nova distribuição dos automóveis importados pelo Brasil também traz desafios para o planejamento das operações de comércio exterior. Para Helmuth Hofstatter, a mudança no perfil das importações exige que as empresas reavaliem suas estratégias logísticas, considerando as origens dos veículos e as estruturas necessárias para atender ao mercado brasileiro. “Quando muda a origem de um produto, muda também a lógica da operação de comércio exterior. As empresas precisam avaliar rotas marítimas, pontos de desembarque, estruturas de armazenagem e distribuição para definir como atender ao mercado brasileiro. O crescimento das importações chinesas mostra que a competitividade das montadoras não depende apenas do veículo que chega ao consumidor, mas também da eficiência de toda a

Emendas impositivas asseguram mais previsibilidade e segurança a instituições

Emendas impositivas asseguram mais previsibilidade e segurança a instituições

A implantação das emendas parlamentares impositivas no Espírito Santo representa uma mudança na forma como os recursos públicos indicados pelos deputados estaduais serão destinados a municípios, hospitais, associações e instituições que prestam serviços à população. O novo modelo busca garantir mais previsibilidade e segurança aos beneficiários, reduzindo a possibilidade de que recursos previstos no orçamento deixem de ser liberados por decisões de natureza política. Outro benefício destacado pelos deputados é a maior independência na atuação parlamentar. O assunto foi debatido nesta quarta-feira (21), durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), sob a condução do presidente da Casa, deputado Marcelo Santos (União). A discussão ocorreu durante a apreciação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, quando os parlamentares destacaram a importância da nova sistemática para dar maior segurança às instituições que dependem desses recursos. Com a Emenda Constitucional 120, originada da PEC 4/2026, as emendas individuais passam a ter execução obrigatória, observadas as exigências legais e os critérios técnicos. Antes da aprovação da mudança, o valor das emendas individuais era definido por acordo entre o governo e a Assembleia. Cada um dos 30 deputados indicava o montante e a finalidade dos recursos na peça orçamentária, mas sem garantia de os valores efetivamente chegariam aos beneficiários. Na prática, a mudança busca evitar que associações, entidades filantrópicas, hospitais e administrações municipais sejam prejudicados pela falta de liberação de recursos anteriormente indicados pelos parlamentares. Além de garantir maior previsibilidade aos beneficiários, o modelo amplia a necessidade de acompanhamento da destinação do dinheiro público, permitindo identificar a origem, o valor, o destino e a finalidade dos investimentos, além de facilitar a fiscalização pelos órgãos de controle e pela sociedade. Mais segurança Para o presidente Marcelo Santos, a principal finalidade das emendas parlamentares é atender às necessidades da população. “Os recursos não pertencem aos deputados, mas ao orçamento público, sendo destinados a investimentos em áreas como saúde, assistência social e infraestrutura dos municípios”. A obrigatoriedade de execução também fortalece a independência do Poder Legislativo, ao reduzir a possibilidade de que a liberação de investimentos seja condicionada ao posicionamento político dos parlamentares em relação ao governo estadual.   Durante a sessão, Marcelo defendeu que a Assembleia exerça suas atribuições com autonomia e independência, sem se limitar à homologação das decisões do Executivo. Na avaliação do presidente, a mudança representa um avanço institucional e contribui para que os recursos indicados pelos deputados atendam efetivamente às demandas das comunidades. Pela nova sistemática, metade dos valores destinados às emendas parlamentares individuais deverá ser aplicada em ações e serviços públicos de saúde. Entidades relatam dificuldades  Os relatos apresentados durante a sessão demonstraram os efeitos da falta de previsibilidade na execução das emendas parlamentares. O deputado Coronel Weliton (DC) apresentou informações sobre recursos destinados a entidades assistenciais e de saúde que permaneciam sem pagamento. Entre os exemplos estão as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) de Irupi, Ibatiba, Ibitirama e Conceição do Castelo. As quatro instituições foram contempladas com emendas que somam R$ 170 mil, mas, segundo os dados apresentados pelo parlamentar, ainda não haviam recebido os valores. Outra indicação, de R$ 45 mil, destinada ao Hospital São Vicente de Paulo, em Afonso Cláudio, também constava sem pagamento. Juntas, as cinco indicações representam R$ 215 mil em recursos destinados a instituições que desenvolvem atividades de interesse social. A ausência de repasses pode comprometer o planejamento financeiro dessas entidades, especialmente daquelas que dependem de recursos públicos para manter ou ampliar os serviços oferecidos à população. R$ 1,94 milhão sem execução Outro exemplo foi apresentado pelo deputado Wellington Callegari (DC). Levantamento realizado por seu gabinete, com base em informações do Portal da Transparência do governo do Estado, apontou que, das 44 emendas individuais apresentadas pelo parlamentar ao Orçamento de 2026, apenas quatro haviam sido pagas até 20 de outubro. As indicações somavam R$ 3 milhões, dos quais R$ 1,06 milhão havia sido efetivamente pago. As outras 40 emendas, totalizando R$ 1,94 milhão, constavam sem registros de empenho, liquidação ou pagamento na data da consulta. Entre os recursos ainda não executados estavam R$ 350 mil destinados ao município de Rio Novo do Sul, R$ 100 mil para a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, R$ 50 mil para a Sociedade Beneficente São Camilo, em Nova Venécia, e R$ 20 mil para a Apae do mesmo município. O levantamento também identificou pendências relacionadas a indicações de exercícios anteriores. Entre elas, R$ 150 mil destinados, em 2025, a melhorias na arquibancada do Estádio José Milanezi, em São José de Fruteiras, distrito de Vargem Alta. Outra situação envolve a Associação de Moradores e Amigos de Guiomar, também em Vargem Alta. Uma emenda de R$ 30 mil apresentada ao Orçamento de 2026 permanecia sem execução. Em 2024, de uma indicação de R$ 50 mil para aquisição de implementos agrícolas, apenas R$ 5,2 mil constavam como pagos. Os dados representam a situação verificada nas datas das consultas e não significam, necessariamente, que todos os valores deixarão de ser executados até o encerramento do exercício financeiro. Critérios iguais Durante o debate, parlamentares de diferentes partidos defenderam que a execução das emendas siga critérios objetivos, independentemente da relação política entre os deputados e o governo estadual. Wellington Callegari afirmou que enfrentou dificuldades para garantir a liberação de recursos destinados a municípios e instituições sociais. Segundo ele, o modelo anterior permitia que decisões sobre a execução das emendas fossem influenciadas por questões políticas, prejudicando principalmente as comunidades beneficiárias. O deputado Danilo Bahiense (PL) também relatou dificuldades desde o início de seu primeiro mandato, em 2019. De aproximadamente R$ 1 milhão em emendas apresentadas naquele ano, segundo o parlamentar, apenas R$ 65 mil foram efetivamente pagos. Para Bahiense, a execução obrigatória representa uma medida de justiça e igualdade entre os integrantes da Assembleia. O deputado José Esmeraldo (União) destacou o papel do presidente Marcelo Santos na aprovação da mudança e afirmou que a nova sistemática fortalece os 30 deputados estaduais. Hudson Leal (Agir) ressaltou que os recursos pertencem à sociedade e devem ser aplicados em ações que