
Startups do Espírito Santo vêm se destacando no cenário da inovação e, entre soluções para a indústria, saúde, educação e finanças, o ecossistema capixaba também começa a chamar atenção por iniciativas que reinventam a exibição de filmes, criando até uma espécie de “cinema do futuro”. O Cine Puã, tecnologia 100% capixaba desenvolvida pela startup Ybi Sync, propõe uma nova forma de exibição audiovisual acessível e inclusiva, segundo o cofundador da startup Ybi Sync Cine Puã, e presidente do Conselho Temático de Economia Criativa da Findes (Conect Findes), Magno Santos. O Cine Puã não depende de internet para funcionar e não requer instalação de aplicativo, além de poder oferecer audiodescrição e dublagens em vários idiomas na mesma sessão, destacou Santos. Ele explicou que ao se conectar à rede Wi-Fi do sistema e acessar um QR Code, cada espectador recebe diretamente em seus fones de ouvido a trilha de áudio sincronizada com o vídeo exibido em uma tela coletiva. O protótipo foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapes) através de edital e atende até 200 usuários simultaneamente por meio de smartphones ou outros dispositivos com sistemas Android ou iOS. O cofundador explicou que o projeto surgiu diante da dificuldade de fomentar o mercado audiovisual no Estado. Ele explicou que o Cine Puã pode ser facilmente levado para qualquer município. “A ideia é dar visibilidade a filmes independentes, por exemplo. Quando surgiu o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado, o mercado audiovisual inexistia. O que criamos e estamos apresentando agora é um sistema simples para todos e barato”, afirmou. Segundo Santos, o próximos passo é apresentá-la para prefeituras por meio de editais, com objetivo de buscar parcerias, além de apoio de empresas locais, para que disponibilizem o “cinema do futuro”. “Levando o projeto aos municípios que não têm cinema, cria empregos, renda, terá retorno com bilheteria, e vende os filmes locais.” Também cofundador da Ybi Sync Cine Puã, Eder Formigoni disse que o objetivo maior é democratizar o acesso às exibições audiovisuais. Entre 2027 e 2030, o planejamento é que a startup esteja apta a atender às exigências das grandes distribuidoras internacionais de conteúdo audiovisual. Plano é alcançar 1.000 no ES em 2029, diz diretor da Fapes Em crescimento nos últimos anos, o número de startapus no Estado alcançou 569, segundo a plataforma Observatório Sebrae Startups. O plano é alcançar 1.000 startups em 2029. A meta foi estabelecida no Encontro Nacional de Startups 2025, com base em estudos iniciados em 2019, após a criação da Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI) em 2018, segundo o diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Rodrigo Varejão. A Fapes, que é um órgão do governo do Estado, oferece apoio e recursos às startups por meio de diferentes programas e instrumentos voltados ao fomento da inovação, do empreendedorismo tecnológico e da pesquisa aplicada no Estado. “A Fapes tem um portfólio para apoiar e oferecer recursos através dos editais abertos para as startups, em qualquer estágio que estejam. E não tem devolução dos valores que são repassados. O que tem que ser entregue são resultados”, avaliou Varejão. Uma das ações do MCI e da Fapes para ampliar o número de startups e iniciativas de base tecnológica no Estado é o Centelha, que é o primeiro impulso para quem quer empreender, oferecendo apoio financeiro, capacitações, descontos, créditos com parceiros e conexões para fortalecer startups da ideia à operação, explicou o diretor da Fapes. Outro deles é o SeedES, voltado para startups e empresas com soluções inovadoras em operação e fase de amadurecimento. Há também o Nova Economia Capixaba, que seleciona projetos de inovação desenvolvidos por empresas capixabas em parceria com Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) ou Instituições de Ensino Superior (IES), públicas ou privadas e sem fins lucrativos. Varejão disse que para buscar o crescimento do número de startups, o trabalho que já vem sendo feito inclui a interiorização, com avanço de políticas públicas nas diferentes regiões do Estado e a internacionalização, aproximando as startups capixabas do ecossistema em outros países, como Alemanha, Espanha e atualmente na Argentina. “Tem muita gente pensando coisas novas, e é dessa forma que observamos a importância das startups, que trazem ideias inovadoras para solucionar problemas em áreas como saúde, telemedicina, educação e mobilidade urbana”, disse o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional, Bruno Lamas. Startups no Estado O Espírito Santo passou de 132 startups mapeadas em 2020 pela Associação Brasileira de Startups, para 467 em 2024, registradas no Observatório Sebrae Startups. Atualmente são 569 startups ativas no Estado. O ecossistema capixaba possui ampla diversidade de campos de atuação, sendo Edtech o setor com maior representatividade. Quase 60% das startups capixabas ativas possui entre 4 e 9 anos de atividade. A Grande Vitória concentra a maior parte das startups do Estado. Os principais setores são: edtech, deep tech, management e fintech. Startups por cidade Vitória – 264 Vila Velha – 106 Serra – 56 Cariacica – 20 Colatina – 19 Linhares – 19 Cachoeiro de Itapemirim – 14 Guarapari – 13 São Mateus – 13 Outros – 37 Hubs e iniciativas Base27: um dos principais polos de inovação do Estado, reunindo startups, grandes empresas e investidores por meio de programas de inovação com base em quatro pilares: conexão, conhecimento, marca inovadora e espaço. Hub ES+: primeiro hub público de economia criativa e inovação do Estado, aberto para acolher pessoas criativas, com projetos e negócios empreendedores. Oferece programação gratuita de eventos, encontros culturais, palestras e oficinas, além de espaços e salas multifuncionas para trabalho, reuniões e eventos realizados por meio de reservas e parcerias. Fapes: é uma autarquia do governo do Estado fundamental no fomento ao ecossistema de empreendedorismo e inovação capixaba. A Fapes trabalha para desenvolver, por meio de chamadas públicas, editais e alocação de recursos, os eixos de bolsas para formação científica, pesquisa, difusão de conhecimento, extensão e inovação. FindesLab: é um hub de inovação da indústria capixaba, sendo uma iniciativa conjunta da Federação das Indústrias
A Prefeitura de Vila Velha está implantando uma solução inovadora para organizar o estacionamento de bicicletas elétricas na orla da Praia da Costa. Uma estrutura exclusiva, com capacidade para 83 bicicletas, está sendo instalada na Avenida Antônio Gil Veloso. A iniciativa atende a uma determinação do prefeito Arnaldinho Borgo, diante do aumento expressivo desses veículos estacionados no calçadão, dificultando a circulação de pedestres e a utilização do espaço público. A grande concentração de bicicletas elétricas na orla, registrada em vídeos que chamaram a atenção de moradores e frequentadores das praias, evidenciou a necessidade de uma intervenção do poder público. A proposta é oferecer um local adequado para o estacionamento desses veículos, preservando o calçadão como espaço de circulação e convivência. Para o prefeito Arnaldinho Borgo, a iniciativa demonstra a importância de acompanhar as mudanças nos hábitos da população e buscar soluções para os novos desafios da cidade. “Vila Velha está crescendo, novos hábitos estão surgindo e a Prefeitura precisa agir. Não podemos permitir que o calçadão, que é de todos, seja ocupado de forma desordenada. Estamos criando uma solução para organizar o estacionamento das bicicletas elétricas, preservar o espaço dos pedestres e garantir uma orla mais acessível e segura para todos”, destaca Arnaldinho. Projeto-piloto O estacionamento conta com vagas demarcadas, sinalização de circulação e gradis de proteção. Instalado próximo à faixa de areia, o espaço foi planejado para concentrar as bicicletas elétricas em uma área específica, contribuindo para a organização da orla e a livre circulação dos pedestres. A montagem da estrutura tinha previsão de conclusão nesta terça-feira (3). Das 83 vagas disponíveis, quatro serão reservadas para pessoas com deficiência e idosos. O estacionamento será gratuito e funcionará 24 horas por dia. Como não haverá vigilância no local, os usuários deverão utilizar cadeados ou outros dispositivos de segurança para proteger suas bicicletas. A data de liberação do espaço para utilização será anunciada em breve. Após o início do funcionamento, o projeto-piloto será acompanhado e avaliado durante 30 dias. Os resultados vão orientar a possibilidade de implantação de estruturas semelhantes em outros pontos da cidade. A iniciativa foi idealizada pela Secretaria Municipal de Governo, e envolve a atuação integrada da Guarda Municipal e das secretarias de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade e de Serviços Urbanos. Paralelamente à implantação do estacionamento, a Prefeitura realizará ações de orientação e conscientização, conduzidas pelas equipes de Educação para o Trânsito da Guarda Municipal. As atividades vão reforçar a importância do estacionamento adequado das bicicletas elétricas, do respeito aos pedestres e do uso responsável dos espaços públicos.