
Moradores da Barra do Jucu tem ficar sem casas e desabrigados com as demolições de imóveis previstas para entre abril e maio, em Vila Velha. Em um vídeo nas redes socais, moradores contam que há moradores que vivem há 40 anos e até há 50 anos no local, e que até o momento não sabem o que vão fazer após desocuparem os imóveis. Entre os pontos de reclamação dos moradores, é que não há previsão de nenhum auxílio ou ressarcimento aos moradores. Além disso, a decisão da Justiça Federal do Espírito Santo, decorrente de uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), por estarem construída irregularmente em terreno de marinha — área pertencente à União, previa que a retirada dos imóveis visava a preservação da restinga do local, mas os residentes dizem que no espaço será feito calçadão, ciclovia e uma pista de skate. No último dia 30 de janeiro, uma das casas, que já estava desocupada, foi demolida pela prefeitura (foto principal). A Prefeitura de Vila Velha informou que a demolição foi realizada em cumprimento a uma decisão da Justiça. O advogado João Lunardi, que representa moradores da região, afirmou que a ação tramita há anos, mas havia a expectativa de que fosse seguido o cronograma estabelecido no processo, que indicava que a demolição deveria ocorrer entre abril e maio deste ano. “Entramos com recursos e não foi seguida a legislação nem a jurisprudência nesses casos. A proprietária do imóvel não foi avisada”, argumentou. De acordo com a Prefeitura de Vila Velha, havia ordem judicial com sentença transitada em julgado desde 2014 determinando a demolição. Segundo a administração municipal, a Justiça autorizou o município a demolir a edificação diante do descumprimento da ordem de desocupação por parte da proprietária. “Diante do não cumprimento da ordem judicial e do esgotamento das tentativas de execução direta, o Juízo Federal autorizou a execução substitutiva pelo Município. Quanto à notificação, a ocupante foi regularmente intimada no curso do processo judicial, conforme os atos processuais constantes nos autos. A atuação do Município decorre do cumprimento de decisão judicial, havendo discricionariedade administrativa quanto à data ou à execução da medida”, informou a prefeitura. Por fim, a prefeitura esclareceu que o cronograma estabelecido em outros processos judiciais com decisão própria do caso, está com previsão de demolições entre abril e maio. Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) disse que “trata-se de ação com trânsito em julgado (sem possibilidade de recurso) e a determinação de demolição é dada pela Justiça Federal”. A Superintendência do Patrimônio da União (SPU) no Espírito Santo, responsável pela área onde as residências estão irregularmente situada, não se manifestou.
Entre novidades e surpresas, o carnaval tradicional da Barra do Jucu, em Vila Velha, pede passagem na segunda-feira (16), a partir das 15 horas, quando os mascarados se juntam à Vaquinha e à Mulinha para festejar o reinado de Momo como faziam os barrenses desde meados do século passado. Em 2026 a folia vai crescer com a estreia da ala das mascaradas, que pedem o fim da violência contra a mulher. O irreverente desfile desses blocos tradicionais tem seu papel na formação da identidade dos moradores do local e remonta aos carnavais de décadas passadas, quando a Barra do Jucu ainda era uma vila de pescadores. Parte do carnaval tradicional da Barra do Jucu é a confecção de máscaras pelos moradores foliões, com a técnica passada de geração em geração. Atualmente, o morador Marcus Vinícius Machado, 40, é responsável por esse papel de ensinar o feitio das máscaras para os mais jovens, mas também para os interessados de qualquer idade. “O carnaval de mascarados é a tradição carnavalesca mais antiga entre as que existem hoje na Barra do Jucu. Remonta há mais de cem anos”, calculou. “Faziam a forma com barro, encapavam com camadas de tiras de papel, com cola de farinha de mandioca ou de trigo. As máscaras eram então postas para secar ao sol e, após a secagem, essa “capa” feita com as camadas de papel, eram retiradas da forma, recebiam o acabamento, os recortes de olhos, nariz etc”, relatou, antes de contar a parte final. “A pintura era de tinta feita com carvão, urucum, genipapo… após isso, no dia do carnaval, eles se escondiam no mato, vestiam uma roupa que cobrisse todo o corpo, e saiam pelas ruas da vila, se divertindo, divertindo os adultos e assustando as crianças”, completou. Carnaval 2026 Em 2026 as máscaras foram confeccionadas em janeiro, durante as oficinas ministradas por Vinícius, que é graduado em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Para ensinar, Vinicius primeiro teve de aprender. E foi há 23 anos, com um barrense, claro. É como ele mesmo conta. “Naquele ano fui convidado por Valcy Vieira para fazer as máscaras de políticos para o Bloco Surpresa. Valcy me ensinou a técnica de fazer o papel machê e molde de gesso”, detalhou. O carnaval tradicional daquele balneário de Vilas Velha foi registrado no curta “Mascarados da Barra do Jucu” de Carmen Filgueiras. É Carmen quem teve a ideia, junto com Maré Musso, de juntar amigas para estrear com a ala feminina das mascaradas em 2026. “As Mascaradas da Barra do Jucu retomam a tradição em que mulheres de todas as idades usam máscaras de fronhas e outros materiais para pular o carnaval de maneira segura, em ambiente que também acolhe crianças”, relatou. Carmen contou que o tema é o combate a todas as violências contra mulheres e crianças. “Com música, performance teatral e muita alegria, As Mascaradas da Barra do Jucu trazem diversão consciente”, completou. Serviço: Carnaval tradicional da Barra do Jucu Bloco mascarados, vaquinha e mulinha Data: 16/02 – segunda-feira Hora: A partir de 15h Local: Final da Praia do Barrão