quarta-feira, 13 de maio de 2026

FV entrevista o bem sucedido empresário da região do Caparaó Zé Geraldo do Lojão dos Moveis

 

 

Folha da Vila – Como foi sua trajetória até aqui?

Zé Geraldo – Comecei minha caminhada muito cedo, com uma fatalidade ocorrida na família com a perda prematura de meu pai, saímos da zona rural, minha mãe uma viúva com uma mão na frente e outra atrás, quatro filhos para criar, comecei ajudar a colocar o sustendo dentro da minha casa com 8 anos de idade, enchendo sacolinhas de cafés, vendendo picolés, engraxando sapatos e ainda adolescente, comecei a trabalhar nos comércios da região, onde despertou a veia comercial e empreendedora, no ano de 2000 constitui minha primeira empresa gerando recursos, rendas e empregos, além de um trabalho social e participativo em toda região.

Folha da Vila – Qual sua visão para a região do Caparaó com seus potenciais?

Zé Geraldo – A nossa região é riquíssima e tem potencialidades peculiares. Precisamos de um projeto macro que englobe o poder público e a iniciativa privada, uma parceira que estimule e proporcione novos negócios e empreendimentos para toda região. O Caparaó tem muita forma e muito potencial.

Folha da Vila – Sendo hoje um empresário bem sucedido, planeja se candidatar nas próximas eleições?

Zé Geraldo – Eu tenho compromisso com a minha família e com aquilo que Deus colocou em minhas mãos. Todo novo projeto eu coloco em submissão a vontade de Deus. Obviamente, a política faz parte da minha trajetória, apesar de nunca ter disputado um cargo eletivo. Sobre qual município, Iúna é o lugar que escolhi morar, criar minha família e expandir meus negócios e politicamente, não seria diferente.

Folha da Vila – Quais são as principais demandas da região do Caparaó e do Sul como um todo?

Zé Geraldo – São varias frentes que precisam ser reformuladas para receber os investimentos adequados. Contudo, a saúde e a educação e a segurança continuam sendo o tripé desafiador para todo projeto político. Nosso povo ainda sofre muito com a ineficiência da saúde, a precariedade da educação e com a sensação de insegurança generalizada. Precisamos de hospitais que atendam a realidade da nossa gente, de educação formadora de cidadãos e de segurança efetiva. Não existe desenvolvimento social sem que essas três áreas estejam alinhadas.

Folha da Vila – É preciso maior regionalização de serviços a exemplo de saúde?

Zé Geraldo – Exatamente, é preciso ter uma mentalidade regionalizada. Não podemos mais transferir nosso problemas para a Grande Vitória e para os municípios mais distantes. Passou da hora do Caparaó ter um hospital com todas as especialidades, um atendimento digno para toda população. Agora não basta ter somente vontade política, tem que ter projeto e gente competente para tocar desde a logística e a execução.

Folha da Vila – Qual seu olhar para o servidor público. É preciso maior valorização?

Zé Geraldo – O servidor público é uma categoria que precisa ser vista como património por qualquer administração. A valorização do servidor não é somente salarial, é uma reconstrução pessoal e profissional. Precisamos cuidar e formar nossos servidores, incluindo todos ele dentro do processo administrativo da cidade, independente da sua preferência política.

Folha da Vila – O que pode ser feito para desenvolver e aplicar projetos impactantes para a comunidade?

Zé Geraldo – Existem várias formas, desde a necessidade social de cada comunidade e do indivíduo. Às vezes, um projeto maior demora sair do papel e ganhar vida. Já um projeto para o indivíduo é bastante veloz e pode ser o caminho para solução de vários indivíduos. Um pai de família, por exemplo, pode está precisando de um emprego. Então, vamos qualifica-lo e inserir esse indivíduo no mercado de trabalho ou estimular sua vocação empreendedora. Existem vários caminhos, o que não pode deixar de existir é política pública e preventiva para auxiliar o cidadão.    

Folha da Vila – Para trazer mais benefícios para o Sul do Estado qual a importância do poder de negociação com o Legislativo?

Zé Geraldo – Eu tenho uma visão conciliadora quando o assunto é parceria. Todos os deputados tem compromisso com todo Estado. Acredito que a criação de projetos atualizados e executáveis podem ser o grande diferencial para fortalecer parcerias entre os poderes que beneficiarão o cidadão e sua região, dinheiro sem projeto é um poço sem fundo.

Folha da Vila – Entrando para a política, o que trará de sua experiência como um gestor privado?

Zé Geraldo – Acredito que temos que vencer essa barreira do público e do privado. Esse duelo não é salutar e não acrescenta em nada. O ser humano é um agente político, não, politiqueiro. Obviamente, o poder de execução do universo privado é bem mais simplificado. No entanto, é no campo político que exercemos a democracia e garantimos a participação de todos. Eu tenho experiência nos dois núcleos e tenho certeza que podemos somar, trazendo um pouco mais de poder de decisão e de leitura de mercado, tanto público e privado.

Folha da Vila – O que falta para tornar o Caparaó e o Sul do Estado mais forte no quesito turismo?

Zé Geraldo – Eu sou um ferrenho defensor do turismo do Caparaó. Acredito que o povo capixaba e o brasileiro precisam conhecer esse jardim chamado Caparaó. Agora falta estimular esse “nacionalismo do Caparaó”. Isso começa dentro de casa, em nossas escolas e tem que fazer parte da formação do cidadão do Caparaó, uma mentalidade turística coletiva. No campo político precisamos alinhar a questão da logística, o Caparaó tem que sair do papel e ser inserido nos principais catálogos das rotas turísticas do país. O Brasil e o mundo precisam descobrir o nosso Caparaó.

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