O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, de 39 anos, que trabalhava em Campos dos Goytacazes (RJ), matou a tiros a namorada, Dayse Barbosa, de 37 anos, comandante da Guarda Municipal de Vitória. Em seguida, ele tirou a própria vida dentro da residência. O crime ocorreu na madrugada desta segunda-feira (23), no bairro Caratoíra, na capital capixaba.
Dayse deixa uma filha de sete anos. De acordo com a Polícia Civil, a principal hipótese investigada é de feminicídio. O autor do crime teria utilizado uma escada para acessar o imóvel, onde a vítima morava com o pai. Os celulares de ambos foram apreendidos para análise.
O caso será conduzido pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), responsável por investigar as circunstâncias e a motivação do crime.
Informações iniciais apontam que o casal havia encerrado recentemente o relacionamento, e o policial não aceitava o término, que teria partido da vítima. Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que a relação era conturbada, com episódios anteriores de invasão à residência e perseguição.
Na bolsa de Diego, foram encontrados diversos objetos, entre eles um canivete, uma faca, um frasco de álcool, um carregador de munição, um alicate e um isqueiro.
Relato do pai
Segundo o pai da vítima, Dayse morava no local com a filha dela, e dormia sozinha no quarto no momento em que o suspeito invadiu a residência.
“Eram por volta de 00:50, eu ouvi um ‘pá’, um barulho de algo quebrando e logo em seguida ouvi os tiros. Quando olhei pela janela eu vi uma escada, que ele usou pra entrar na casa e arrombar a porta”, contou o pai.
Carlos Roberto Trindade Teixeira, de 64 anos, disse que a filha já teria sido alertada acerca das atitudes do companheiro, que trabalhava como Polícia Rodoviária Federal. Segundo ele, os dois estavam juntos a cerca de quatro anos.
“Eu não gostava dele. Pelo jeito que ele tratava ela, sabia que ele não prestava e alertei ela, mas ela não me ouvia. Não estou acreditando ainda no que aconteceu”, afirmou.
Ainda segundo o pai, Diego havia ameaçado a vítima de morte cerca de dois dias antes do assassinato.
“Ele ameaçou ela de morte, e ainda colocou outra amiga que tentou defendê-la no meio. Por isso, ela tinha trocado o cadeado daqui de casa para que ele não conseguisse entrar”, afirmou.
Luto
Através de uma publicação no X (antigo Twitter), o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, afirmou que trata-se de um crime brutal.
“Recebo com profunda tristeza e indignação a notícia da morte da comandante Dayse Barbosa, da Guarda Municipal de Vitória. Trata-se de um crime brutal, que evidencia a gravidade da violência contra a mulher. Nenhuma justificativa pode existir para tamanha crueldade. Minha solidariedade aos seus familiares e amigos”, escreveu.
Nas redes sociais, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, informou que a prefeitura decretou luto oficial de três dias.
“Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público”, publicou Pazolini.