Um adolescente de 16 anos foi apreendido durante a “Operação Desconectado” realizada pela Polícia Civil no município da Serra nesta quinta-feira (5). Ele é acusado de liderar um grupo que incentivava a automutilação de outros adolescentes e crimes como maus-tratos a animais. O grupo atuava pelo aplicativo ‘Discord’ onde “lives” eram realizadas para mais de 200 pessoas.
Durante uma dessas “lives”, foi transmitido um cachorro sendo morto enquanto quem assistia aplaudia e incentivava ainda mais os crimes que eram cometidos. Um desses adolescentes chegou a afirmar que “gostava de matar animais”.
Além do adolescente apreendido, o grupo tinha mais quatro oradores que lideravam e orquestravam tudo o que acontecia durante as transmissões. Os participantes desse grupo não se limita apenas ao Espírito Santo, mas são de todo o Brasil e até de fora do país.
A Polícia Civil afirmou que esse adolescente possuía um simulacro de arma de fogo e o utilizava para realizar ameaças e coagir outros adolescentes a cometer os crimes. A PC alerta ainda para aqueles que foram intimidados pelo grupo, para denunciarem e apresentarem tais ameaças.
De acordo com o delegado Tarik Halabi Souki, esse adolescente que foi apreendido também realizava a distribuição de pornografia infantil. O delegado afirmou ainda que há uma vítima no Espírito Santo e que outros adolescentes que faziam parte desse grupo também foram apreendidos.
O adolescente foi autuado por diversos atos infracionais análogos aos crimes de organização criminosa, instigação e induzimento a autoflagelação, armazenamento e distribuição de pornografia infantil, maus-tratos aos animais e apologia ao crime.
Ainda durante as investigações, foram encontradas imagens de apologia ao nazismo e referências a rituais satânicos que eram compartilhadas dentro dos grupos virtuais.
Durante o depoimento, o adolescente afirmou que cometia tais crimes desde os 12 anos e a mãe contou que não sabia dos crimes cometidos e que chegou a desconfiar de algo que viu no celular do filho, mas acreditou ser coisa de adolescente.
O Ministério da Justiça solicitou mais informações aos policiais para que a investigação possa ocorrer em âmbito nacional e que os outros participantes desse grupo possam ser identificados e apreendidos.