A participação do Exército Brasileiro na Segunda Guerra Mundial rendeu um episódio inusitado no campo de batalha contra os alemães.
O rigoroso inverno europeu castigava as tropas, e os soldados tupiniquins tiveram a ideia, aparentemente absurda, de acender fogueiras para se aquecerem nas noites geladas. Afinal, quem, em sã consciência, acenderia chamas no meio de uma guerra campal, revelando sua posição?
Contudo, o alto comando alemão interpretou aquele fogo noturno como uma armadilha estratégica para atraí-los a uma emboscada. Temendo o pior, não ousaram atacar os “inconsequentes” brasileiros.
Na política, a burrice muitas vezes caminha de forma tão camuflada que chega a ser confundida com estratégia. O problema é que essa falta de percepção da realidade, tanto do presente quanto das projeções futuras, coloca projetos e pessoas promissoras em um cenário de risco real, prestes a serem engolidos pela própria cegueira temporal.
Enfim, a burrice não deve ser aceita como um dogma inevitável, muito menos cultivada como estratégia, afinal, o pior cego não é aquele que carece de visão, mas aquele que perdeu a capacidade de ouvir.
Weverton Santiago
As opiniões contidas no texto, são expressões do autor.